Interesse dos EUA na Groenlândia acirra tensão na Europa
Declarações de Trump sobre controlar a Groenlândia levam Europa a reagir e discutir resposta
A intenção declarada dos Estados Unidos de assumir o controle da Groenlândia mantém a Europa em alerta e abriu uma frente diplomática delicada entre Washington e seus aliados. Nos últimos dias, o presidente Donald Trump voltou a defender publicamente a aquisição da ilha ártica, argumentando que o território é essencial para a segurança nacional norte-americana e para a estratégia militar dos EUA no Atlântico Norte. A posição reacendeu reações de governos europeus, que passaram a reforçar a defesa da soberania dinamarquesa e do direito do povo groenlandês.
A França afirmou estar articulando, junto a parceiros europeus, um plano de resposta caso as declarações de Trump avancem para ações concretas. O chanceler francês, Jean-Noel Barrot, disse que qualquer movimento dos EUA será tratado de forma coordenada no âmbito europeu. Segundo ele, o objetivo é agir em conjunto, evitando iniciativas isoladas diante de um cenário considerado sensível para a estabilidade regional.

Trump estuda opções para “tomar” a Groenlândia
O debate ganhou força após a Casa Branca confirmar, na terça-feira (6), que Trump discute opções para tomar a Groenlândia, incluindo hipóteses envolvendo o uso das Forças Armadas, mesmo diante de objeções de países europeus. A possibilidade de uma ação militar provocou preocupação dentro da Otan, já que a ilha pertence à Dinamarca, aliada histórica dos EUA. Barrot, no entanto, afirmou que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, descartou a hipótese de invasão durante conversa recente.
Autoridades da Dinamarca e da Groenlândia solicitaram uma reunião urgente com Rubio para tratar do tema. O ministro dinamarquês Lars Lokke Rasmussen defendeu a redução do tom do debate e pediu que a “briga de gritos” seja “substituída por um diálogo mais sensato”.

Com cerca de 57 mil habitantes, a Groenlândia não integra a Otan de forma independente, mas é coberta pela adesão dinamarquesa à aliança. Localizada entre a Europa e a América do Norte, a ilha é estratégica para o sistema de defesa antimísseis dos EUA e concentra recursos minerais de interesse.