segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Segurança Pública

Saída de Lewandowski abre disputa por novo Ministério da Segurança

Planalto vê mudança na estrutura do governo como chance de reagir à pressão eleitoral sobre a pauta da violência

Paula Costapor Paula Costa em
Segurança Pública
Lula avalia criar Ministério da Segurança com saída de Lewandowski. Crédito: Agência Brasil.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi aconselhado por aliados a aproveitar a saída do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, para promover uma mudança estrutural no governo e criar o Ministério da Segurança Pública. Lewandowski já comunicou ao Planalto que deixará o cargo ainda neste mês e manifestou o desejo de antecipar a saída, o que abriu espaço para uma reorganização da pasta em meio à pressão política sobre a agenda da segurança.

Inicialmente, Lula pretendia criar o Ministério da Segurança Pública apenas após a aprovação da PEC da Segurança, em tramitação no Congresso Nacional. A avaliação do presidente, no entanto, é de que o texto dificilmente será aprovado antes de maio, mesmo nas projeções mais otimistas. A espera, segundo interlocutores, reduziria o impacto político da nova pasta e deixaria pouco tempo para que a medida produzisse efeitos concretos antes da campanha eleitoral.

A segurança pública figura entre as principais preocupações da população e é apontada como um dos flancos mais sensíveis do governo federal. Partidos de direita têm explorado o tema com um discurso de endurecimento no combate à violência, estratégia que vem rendendo dividendos eleitorais e ampliando a pressão sobre o Planalto.

Nesse contexto, a sucessão de Lewandowski tende a ser resolvida internamente. A alternativa mais considerada é o desmembramento do Ministério da Justiça, com a recriação do Ministério da Segurança Pública, movimento que ganharia força com a troca no comando. A hipótese de manter um ministro interino perdeu espaço nas discussões recentes.

Entre os nomes cogitados para ocupar os novos postos estão Vinícius de Carvalho, atual ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), e Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal. Já opções de perfil político mais amplo, como o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ou ex-governadores com trajetória semelhante à do ex-ministro Flávio Dino, são vistas como improváveis no momento.

Dentro da equipe de Lewandowski, há resistência à divisão da pasta. Auxiliares avaliam que, sem a PEC da Segurança, um novo ministério teria limitações operacionais, pouca capacidade de coordenação e dificuldades orçamentárias, além de não contar com ampliação de competências para as forças policiais.

Até recentemente, parte do governo defendia que a criação do Ministério da Segurança Pública fosse apresentada apenas como promessa de campanha para a reeleição de Lula, em um eventual quarto mandato. A estratégia, porém, perdeu força diante da dificuldade do Executivo em avançar em políticas concretas para o setor e das incertezas em torno da PEC, considerada por fontes do Planalto como “desfigurada” durante a tramitação na Câmara dos Deputados.

Atualmente, a coordenação federal da segurança está concentrada na Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), vinculada ao Ministério da Justiça. Com a eventual criação de uma nova pasta, a secretaria deixaria de existir para dar lugar a uma estrutura ministerial própria.

A saída de Lewandowski também deve provocar uma reformulação interna no Ministério da Justiça. Parte do primeiro escalão da pasta já planeja deixar os cargos para disputar as eleições, enquanto outros auxiliares pretendem acompanhar o ministro na despedida do governo.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Veja também

vorcaro

CASO BANCO MASTER

PF conclui investigação e prepara indiciamento de Vorcaro no caso Master

Primeira fase da Operação Compliance Zero chegou ao fim; ex-presidente do BRB e empresário ligado...
Debate ao Governo de Goiás expõe embates sobre educação, segurança, saúde e transporte; veja propostas e críticas dos candidatos

ELEIÇÕES 2026

Debate ao Governo de Goiás expõe embates sobre educação, segurança, saúde e transporte; veja propostas e críticas dos candidatos

Encontro entre Luiz César, Wilder Moraes e Marconi Perillo foi marcado por confronto direto, críti...
Cesar Bueno buscará contraponto às candidaturas de direita ao Governo de Goiás

Eleições 2026

Cesar Bueno buscará contraponto às candidaturas de direita ao Governo de Goiás

Defesa do legado petista será mote da campanha, que buscará concentrar o voto progressista na chap...
Dívidas

OPINIÃO

Dívidas de Goiás e da capital caminham para descontrole das contas públicas

Próximo governador terá como tarefa ajustar as contas do Estado, pois, nos últimos anos, a União...
Debate escancara força de mobilização e ausência do governador de Goiás no palco

OPINIÃO

Debate escancara força de mobilização e ausência do governador de Goiás no palco

Enquanto Daniel Vilela não compareceu ao primeiro debate, Marconi, Wilder e Luís César mobilizara...
Flávio

impedido PELO STF

Flávio escreve carta a Bolsonaro, chora e chama veto de “desumano”

Senador teve visita ao pai negada e usou carta para criticar a restrição e falar sobre sua campanh...
Daniel Vilela

Primeiro debate

Daniel ir ao debate pode ser risco; faltar também

Governador avalia estratégia que pode preservar sua vantagem ou abrir espaço para Marconi, Wilder ...
Daniel Vilela não participará de debate neste domingo em Goiás

não vai participar

Daniel Vilela não participará de debate neste domingo em Goiás

A campanha do governador e candidato à reeleição informou que a ausência ocorre por incompatibil...