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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
Importante

Após críticas aos alertas, Defesa Civil detalha ações de prevenção

Mensagens enviadas aos celulares seguem dados técnicos, monitoramento em tempo real e são divididas entre alertas severos e extremos

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 8 de janeiro de 2026
Alertas
Repridução

Após uma sequência de alertas sonoros enviados aos celulares da população na última segunda-feira, 5 de dezembro, a Defesa Civil esclareceu os critérios utilizados para o disparo das mensagens e apresentou um panorama das ações que vêm sendo executadas para reduzir os impactos das chuvas intensas em Goiânia e na Região Metropolitana.

As notificações, embora tenham como objetivo principal a proteção da vida, geraram reclamações de moradores devido à frequência e à intensidade do som emitido, inclusive com aparelhos no modo silencioso. Somente em poucas horas, a capital recebeu quase dez alertas de emergência, direcionados a áreas consideradas de risco em razão do alto volume de chuva.

Os avisos foram emitidos em meio a alagamentos registrados em pontos críticos da cidade, como a Marginal Botafogo, o Terminal da Praça da Bíblia e trechos da BR-153, além de vias de Aparecida de Goiânia. Nas redes sociais, moradores relataram susto, incômodo e até dificuldade para dormir, enquanto outros defenderam a ferramenta como necessária diante do histórico de enxurradas e transtornos provocados pelos temporais. Diante da repercussão, a Defesa Civil reforçou que os alertas não são enviados de forma aleatória, mas baseados em dados técnicos e monitoramento constante.

Diferença entre alertas severo e alertas extremo

Segundo a Defesa Civil, os alertas encaminhados à população são classificados em dois níveis: severo e extremo. O alerta severo é o primeiro estágio e tem caráter preventivo. Ele é acionado quando os pluviômetros registram índices elevados de precipitação, como cerca de 10 milímetros de chuva em um intervalo de dez minutos, indicando chuva de moderada a forte intensidade. Nesse cenário, o objetivo é permitir que moradores e motoristas se antecipem, evitem deslocamentos desnecessários e redobrem a atenção em áreas sujeitas a alagamentos.

Já o alerta extremo representa o nível máximo de risco e é emitido quando há perigo iminente à segurança das pessoas. Situações como transbordamento de córregos, alagamentos intensos e enxurradas capazes de arrastar veículos motivam esse tipo de aviso. As mensagens trazem orientações diretas, recomendando que a população busque abrigo seguro e evite qualquer exposição ao risco.

Os alertas utilizam a tecnologia Cell Broadcast (CBS), que envia mensagens automáticas em tempo real para celulares localizados nas áreas afetadas. O sistema não exige cadastro prévio e foi projetado para funcionar mesmo quando o aparelho está no modo silencioso ou em “não perturbe”, justamente para garantir que a informação chegue em situações de emergência.

Monitoramento em tempo real e atuação das equipes

Além do envio dos alertas, a Defesa Civil mantém uma atuação contínua de monitoramento e resposta rápida. Goiânia conta atualmente com 25 pluviômetros automáticos distribuídos por diferentes regiões da cidade, permitindo o acompanhamento do volume de chuva em tempo real. Esses dados são analisados em conjunto com informações repassadas por equipes em campo antes da confirmação e do disparo das mensagens.

Durante os temporais, equipes do Gabinete de Crise Climática atuam diretamente nas ruas para monitorar a elevação do nível dos córregos, orientar motoristas e, quando necessário, interditar vias temporariamente. Na última segunda-feira, por exemplo, um trecho da Marginal Botafogo precisou ser bloqueado por cerca de dez minutos até que o nível da água baixasse e o tráfego fosse liberado com segurança. Em Aparecida de Goiânia, áreas próximas ao Córrego Santo Antônio, no setor Veiga Jardim, também ficaram completamente alagadas. Apesar dos transtornos, não houve registro de vítimas graves.

Limpeza urbana, drenagem e ações preventivas

Como parte das medidas para minimizar os impactos das chuvas, a Prefeitura de Goiânia informou que, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra), realizou ao longo de 2025 a limpeza de 30.395 bocas de lobo. O número reflete um ciclo contínuo de manutenção, já que muitos dispositivos precisam ser limpos mais de uma vez devido ao acúmulo recorrente de lixo.

Ao todo, as equipes retiraram 371,29 toneladas de resíduos sólidos das bocas de lobo. O plástico, especialmente garrafas do tipo PET, lidera a lista de materiais encontrados e é apontado como o principal responsável pela obstrução da passagem da água e pelo consequente transbordamento em vias públicas.

De acordo com a Seinfra, o município conta atualmente com cerca de 26.038 bocas de lobo catalogadas e monitora 134 pontos de alagamento em Goiânia. Essas áreas recebem prioridade absoluta no cronograma de limpeza, sobretudo antes e durante o período chuvoso. O trabalho é realizado de forma integrada com a Defesa Civil, o que permite um mapeamento mais preciso das regiões de risco.

Para definir onde as equipes devem atuar primeiro, a secretaria utiliza critérios técnicos, como o mapeamento da Defesa Civil, vistorias em campo com apoio de tecnologia — incluindo câmeras de alta definição para identificar bueiros obstruídos e o monitoramento semanal de bairros e vias com histórico de grande volume de água, como os setores Marista, Leste Vila Nova, Campinas, além da Marginal Botafogo e da Avenida Mangalô.

A Seinfra também reforça que a atuação é preventiva e contínua. Durante o período de estiagem, o foco é a retirada de terra e entulho. Já na época de chuvas, as equipes intensificam a remoção do lixo arrastado pelas enxurradas. Após temporais mais intensos, servidores de plantão utilizam caminhões hidrojato para a sucção de sedimentos e realizam a reposição imediata de grelhas e tampas deslocadas pela pressão da água.

A Defesa Civil reforça que os alertas não substituem obras estruturais, mas são uma ferramenta essencial de prevenção. A recomendação é que a população evite ruas alagadas, não tente atravessar enxurradas e siga sempre as orientações oficiais. Em um cenário de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, a informação em tempo real segue sendo uma das principais formas de proteger vidas e reduzir danos.

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