Adolescentes passam até 70 minutos por dia no celular durante aulas
Pesquisa revela impacto do smartphone durante o período letivo
O uso de celular na escola é mais intenso do que muitos responsáveis supõem. Um estudo publicado na última segunda-feira (5) pela revista científica JAMA mostra que adolescentes entre 13 e 18 anos passam, em média, 70 minutos do dia escolar utilizando o smartphone, inclusive durante o horário das aulas.
Esse tempo ocorre durante o dia escolar, quando crianças e adolescentes deveriam estar nas aulas focados em aprender e fazer trabalhos escolares. O dado se refere apenas ao período dentro da escola e representa apenas uma parte do tempo total de exposição às telas, que pode chegar a cerca de oito horas e meia diárias quando considerados outros momentos do dia.

Uso de celular na escola e distração contínua
Diferentemente de pesquisas anteriores baseadas em relatos dos próprios estudantes, o levantamento utilizou um aplicativo que monitorou automaticamente o tempo de uso e os tipos de aplicativos acessados. Os resultados indicam que o uso de celular na escola se concentra majoritariamente em redes sociais como TikTok, Instagram e Snapchat. Também foram registrados quase 15 minutos diários em aplicativos de jogos e tempo semelhante em plataformas de vídeo, como YouTube.
Embora adolescentes aleguem que o celular é necessário para atividades escolares, os aplicativos efetivamente utilizados durante o período letivo são muito improváveis de estarem relacionados às tarefas escolares. Mesmo com políticas que restringem o uso de smartphones, o estudo sugere que muitos estudantes encontram maneiras de contornar as regras.
Os dados analisaram o comportamento de 640 adolescentes usuários de Android, acompanhados entre setembro de 2022 e maio de 2024.
Relações sociais
Além do impacto no aprendizado, o excesso de telas afeta a convivência presencial. O uso constante do celular em momentos como recreio e circulação pelos corredores reduz oportunidades de interação direta, fundamentais para o desenvolvimento de habilidades sociais. Pesquisas anteriores já associaram maior tempo em redes sociais a piores resultados em testes de leitura, vocabulário e memória.
O estudo reforça que o uso de celular na escola deixou de ser apenas uma questão de disciplina e passou a integrar o debate sobre atenção, saúde mental e desenvolvimento social na adolescência, exigindo respostas que envolvam famílias, escolas e políticas educacionais.
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