Morre um dos gêmeos siameses após paradas cardíacas durante cirurgia de emergência em Goiânia
Marcos não resistiu durante procedimento de separação iniciado no Hemu; irmão segue vivo e passa por cirurgia considerada de altíssimo risco
Morreu na manhã desta quinta-feira (8) o pequeno Marcos, um dos gêmeos siameses que nasceram em Goiânia após uma série de paradas cardíacas registradas durante a madrugada. A informação foi confirmada por familiares ao portal Mais Goiás.
Os bebês passaram por uma cirurgia de separação de emergência no Hospital Estadual da Mulher, iniciada por volta das 10h. Até a última atualização, o procedimento ainda não havia sido concluído.
Marcos e Matheus nasceram com 34 semanas de gestação, por volta das 10h da última terça-feira (6), em um parto de alta complexidade. Eles são classificados como isquiópagos tripus, uma forma rara de gemelaridade. Os recém-nascidos eram unidos pelo tórax, abdômen e bacia, compartilhavam a mesma genitália, tinham três pernas e apresentavam anomalia anorretal.
A morte de Marcos foi confirmada nas redes sociais pelo médico Zacharias Calil, referência nacional em cirurgias complexas. Ele informou que Matheus permanece vivo, mas em estado crítico.
“Vamos entrar agora em uma situação crítica de emergência de alto nível para tentar salvá-lo. O coração dele continua batendo e ele está respirando por aparelhos”, escreveu o médico.
Calil destacou que a cirurgia é longa e extremamente delicada, com toda a equipe preparada para atuar no limite técnico necessário.
“Não tem outra saída. A chance de os dois morrerem é altíssima se continuarem unidos. Temos hora para começar, mas não temos hora para acabar. Pedimos muitas orações. Essa é a nossa missão”, afirmou.
Família veio do Mato Grosso
Após o parto, a mãe dos bebês, Raylane, de 22 anos, foi encaminhada à enfermaria do hospital, onde segue em observação e passa bem. Todo o pré-natal foi realizado no Hemu, o que, segundo os médicos, contribuiu para o planejamento do atendimento.
A família é natural de Canarana, no interior do Mato Grosso, e percorreu cerca de 600 quilômetros até Goiânia em busca de atendimento especializado.
Inicialmente, os gêmeos passaram por uma primeira cirurgia para realização de colostomia, procedimento necessário para o funcionamento do intestino. A separação definitiva estava prevista para quando tivessem entre 8 meses e 1 ano de idade, dependendo da evolução clínica — plano que precisou ser antecipado diante do agravamento do quadro.
O estado de saúde de Matheus segue sendo acompanhado em tempo real pela equipe médica. Novas informações devem ser divulgadas conforme o avanço da cirurgia.