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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
OPINIÃO

Direita parece ter feito complô para reeleger Lula

Não é só Bolsonaro quem está preso, seus aliados parecem gostar do cárcere que é a bolha em que vivem os sem-voto caminhando céleres para perder os eleitores do centro e os dos governadores 

Nilson Gomespor Nilson Gomes em 9 de janeiro de 2026
Lula
Qual a primeira ação de campanha feita por Lula? Convidou para vice um de seus mais ferrenhos adversários, o governador de São Paulo por quatro mandatos Geraldo Alckmin Foto: Marcelo Camargo /ABr

Reviravoltas seguidas de redemoinhos em pandemônios. O adversário que já esteve perdido mais de uma vez foi ressuscitado outras tantas. Todo companheiro é tido como traidor em potencial. Enquanto a esquerda promove qualquer aliança com qualquer pessoa de qualquer lugar, desde que renda alguns votinhos para reeleger Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a direita aparentemente fez um autocomplô, dá tiro para todo lado, desde que seja o lado da cabeça de um conservador com vontade de derrotar a esquerda.

Os lados parecem claros. E isso só é boa notícia para metade do Brasil. Acompanhe o raciocínio.

Como Lula fez

Lula estava recém-saído da cadeia e tornado elegível graças ao voto de minerva de um ministro (Kássio Nunes) indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL). Qual a primeira ação de campanha feita por Lula? Convidou para vice um de seus mais ferrenhos adversários, o governador de São Paulo por quatro mandatos Geraldo Alckmin.

Como Flávio Bolsonaro está fazendo

Jair Bolsonaro estava recém-recolhido à cadeia em regime fechado depois de se tornar inelegível por iniciativa de um ministro (Alexandre de Moraes) de STF e TSE bastante xingado pelo PT por ter sido indicado por Michel Temer.

Numa visita do filho Flávio, senador pelo PL do Rio de Janeiro, o pai o escolheu candidato à presidência. Qual a primeira ação de campanha feita por Flávio? Comunicou ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que recuou da própria intenção de concorrer ao Palácio do Planalto. Em resumo, não é apenas Jair o preso: os demais Bolsonaro e imensas fatias de seu gigantesco público acham por bem viver numa redoma sem condenação de Moraes. Acham que a bolha também não é um cárcere.

O resultado das práticas na prática

Duas correntes de pensamento tão díspares tiveram reações igualmente longínquas. A de Lula deu tão certo que voltou à Presidência da República, mesmo com Bolsonaro tendo conseguido fazer as estatais darem lucros, comprado meio bilhão de vacinas contra Covid, enviado verbas para todos os aglomerados urbanos do País.

O convite ao desigual funcionou tão perfeitamente que a derrota esmagadora do candidato a governador da esquerda não contaminou a chapa de Lula com Alckmin no Estado com mais eleitores. 

A Bahia cobriu São Paulo

Esperava-se que o sucesso de Tarcísio catapultasse Bolsonaro, que é paulista (Lula é pernambucano). A margem ficou tão apertada em São Paulo (14.216.587 a 

11.519.882) que Lula a tirou na Bahia (6.097.815 a 2.357.028). O aguardado para São Paulo era 20 a 8.

Outro efeito foi com a 3ª colocada, Simone Tebet (MDB), de perfil bem conservador, que representa o agro no Centro-Oeste. Lula conseguiu sua adesão e ela foi fundamental para impedir goleada ainda maior nos dois Mato Grosso e até no interior de São Paulo, Minas Gerais e Paraná.

À espera de um milagre eleitoral

Qual tende a ser o resultado da pré-campanha de Flávio esparramando os que considera pouco confiáveis, execrando o centro e passando no funil apenas os medalhados como imbrocháveis?

Na família Bolsonaro, o escolhido do pai não seria o da madrasta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, fortíssima eleitoralmente. Se pudesse optar por alguém, ela indicaria a si mesma. No PL, Flávio também não é unanimidade, distante disso. Ali, se pudessem escolher, os dirigentes iriam de Tarcísio ou Michelle, de preferência com ambos na chapa, ele na cabeça, ela de vice.

A experiência ruim de apostar nos sem-votos

Falta a Flávio a experiência que há de sobra em Lula, porém há mais o que discutir. Em suas disputas presidenciais, Jair Bolsonaro escolheu desconhecidos generais do Exército (Hamilton Mourão e Braga Netto), um senhor escorregão, sobretudo num embate pau a pau como o de 2022. Juntos, os dois militares estrelados não reuniriam nem os oficiais de pijama. Mourão se elegeria senador pelo Rio Grande do Sul como tantos ganharam no País inteiro: só com os votos de Jair Bolsonaro.

A expertise necessária para se formar dupla vencedora ao cargo máximo da administração da maior nação do Cone Sul pode ficar dolorida para a direita, caso insista no que se convencionou chamar de chapa pura, ou seja, o presidente e o vice emergindo do mesmo lugar. 

O ideal seria o encaixe de qualidades, representação e públicos. Os governadores de direita que desejam estar nas urnas como presidenciáveis (Ronaldo Caiado, do União Brasil de Goiás; Tarcísio, do Republicanos paulista; Ratinho Jr., do PSD do Paraná; Romeu Zema, do Novo de Minas Gerais; Eduardo Leite, do PSD gaúcho; e até Cláudio Castro, do PL do Rio de Janeiro) formam interessante caleidoscópio. À exceção de Tarcísio, cumprem o 2º mandato seguido em elogiadas gestões, estão com vagas no Senado prontinhas para serem ocupadas caso algo dê zebra, receberiam amplos apoios geográficos e por classe.

O cordato Flávio não tem atrativo mais precioso que o sobrenome, que já é muito coisa, mas é só. Testou-se em pesquisas alguém com essa restrição de virtudes e a faixa do eleitorado que confiaria a Presidência da República a qualquer herdeiro de Jair Bolsonaro está na faixa dos 14%, iria ao 2º turno apenas como eleitor. Claro, se for Michelle, fica no empate com Lula. Sendo Eduardo, seguidamente campeão de votos em São Paulo e ainda integrante da Polícia Federal (é escrivão), também haveria mais apoio graças à gana como militante, à ficha limpa e até a gestos desesperados tipo o apelo internacional a Donald Trump tentando livrar o pai do regime fechado imposto por Moraes. 

A opção de Bolsonaro pelo 01 foi a que restou, pois Eduardo também está inelegível, Carlos vai tentar o Senado por Santa Catarina e Michelle tem eleição certa de senadora no Distrito Federal – ela conseguiu o cargo no DF para uma ministra do baixo clero, Damares Alves. Flávio gastou parte do mandato se explicando sobre rachadinhas, fantástica fábrica de lucro em loja de chocolate, assessores encrencados, homenagens na Assembleia fluminense a integrantes do crime organizado. 

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