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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
4.515 notificações

Brasil registra maior número de denúncias de trabalho escravo

Crescimento contínuo revela expansão do problema e avanço para áreas urbanas

Luana Avelarpor Luana Avelar em 9 de janeiro de 2026
trabalho escravo
Foto: Adobe Stock

O Brasil encerrou 2025 com o maior número de denúncias de trabalho escravo desde o início da série histórica. Ao longo do ano, foram registradas 4.515 notificações de situações análogas à escravidão, um aumento de 14% em relação a 2024, quando já havia sido alcançado um recorde nacional. Os dados reforçam a permanência do trabalho escravo como um problema estrutural e longe de ser superado.

A evolução dos números mostra uma curva ascendente nos últimos anos. Em 2021, foram menos de duas mil denúncias. Em 2022, pouco mais de duas mil. Em 2023, o total ultrapassou três mil registros, até atingir os patamares mais elevados em 2024 e 2025. Janeiro do último ano concentrou o maior volume mensal desde a criação do Disque 100, em 2011, com 477 denúncias.

As ocorrências relatam jornadas exaustivas, condições degradantes, servidão por dívida e restrição de liberdade, práticas que caracterizam o trabalho escravo contemporâneo segundo a legislação brasileira. Os dados também acompanham o aumento de ações de fiscalização e resgate. Em 2024, mais de duas mil pessoas foram retiradas dessas condições em operações conduzidas pelo poder público.

Trabalho escravo avança além do meio rural

Embora historicamente associado ao campo, o trabalho escravo tem se expandido para áreas urbanas. Cerca de 30% dos resgates recentes ocorreram em cidades, principalmente em setores como construção civil, serviços de preparação de terreno e atividades diversas. Desde 1995, quando o Estado brasileiro reconheceu oficialmente essas práticas, aproximadamente 65,6 mil pessoas já foram resgatadas em mais de 8,4 mil operações.

Os canais de denúncia seguem ativos e acessíveis. O Disque 100 funciona 24 horas por dia, enquanto o Sistema Ipê permite o registro online de forma anônima. O crescimento das notificações expõe tanto a persistência do crime quanto uma maior visibilidade do trabalho escravo, que continua a desafiar políticas públicas e mecanismos de proteção social no país.

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