Energia furtada em 2025 no Estado de Goiás daria para abastecer Pirenópolis por mais de um ano
Volume de energia desviada no Estado ultrapassa 22 GWh e revela prejuízos ao sistema, riscos à população e centenas de prisões em operações integradas
O furto de energia elétrica segue como um dos principais desafios enfrentados pelo setor elétrico em Goiás. Em 2025, o volume de energia consumida de forma irregular no Estado ultrapassou 22,47 gigawatt-hora (GWh), quantidade suficiente para abastecer integralmente a capital Goiânia por cerca de seis dias.
O dado, divulgado pela Equatorial Goiás, evidencia não apenas o prejuízo financeiro ao sistema, mas também os riscos à segurança da população e os impactos na qualidade do fornecimento de energia.
De acordo com a concessionária, considerando um consumo médio mensal de 180 kWh por unidade consumidora do Grupo B, a energia desviada ao longo do ano seria capaz de abastecer cidades inteiras por longos períodos. Além de Goiânia por seis dias, o volume furtado daria para atender Anápolis por 23 dias, Aparecida de Goiânia por 19 dias e Pirenópolis por mais de um ano, no recorte residencial. Os números reforçam a dimensão do problema e o efeito coletivo de uma prática considerada crime.
Somente em 2025, mais de 370 operações de combate às ligações clandestinas foram realizadas em Goiás, com apoio das forças de segurança pública, resultando em 188 prisões. As ações ocorreram após mais de 170 mil fiscalizações em todo o Estado, que identificaram irregularidades em áreas residenciais, comerciais e industriais.
Entre os casos recentes, uma operação integrada no setor Central de Goiânia terminou com a prisão em flagrante de um comerciante durante esta semana. Durante as fiscalizações, equipes técnicas da Equatorial Goiás, com apoio do 38º Batalhão da Polícia Militar, da Polícia Científica e da Central de Flagrantes, constataram desvio direto de energia em um restaurante e em um apartamento de propriedade do suspeito.
No estabelecimento comercial, a fraude permitia consumo sem registro havia mais de nove meses, reduzindo a conta mensal de cerca de R$ 2 mil para aproximadamente R$ 300. Já no imóvel residencial, a ligação clandestina durava mais de um ano, com pagamento apenas da tarifa mínima, em torno de R$ 30, quando o valor real deveria se aproximar de R$ 800 por mês.
Outro episódio de grande impacto foi registrado no Setor Dona Íris 1, em Trindade, onde uma operação conjunta da Equatorial Goiás e da Polícia Civil identificou ligações clandestinas em toda uma rua. Segundo a concessionária, diversas tentativas de regularização já haviam sido feitas anteriormente, sem sucesso.
Diante da resistência dos moradores e do risco à segurança, dez pessoas foram presas em flagrante, e a rede clandestina foi completamente desativada. O fornecimento de energia das residências foi suspenso até a regularização junto à concessionária.
Furtos de energia está espalhado por diferentes regiões do Estado

Os dados de 2025 mostram que o furto de energia está espalhado por diferentes regiões do Estado. Goiânia lidera o ranking, com 5.118 casos registrados, seguida pela Região Metropolitana, com 5.105 ocorrências. Luziânia (4.341), Uruaçu (2.360), Morrinhos (2.346), Montes Belos (2.258), Anápolis (2.083), Rio Verde (2.035) e Iporá (1.459) também aparecem entre os municípios com maior número de irregularidades.
Segundo o executivo de Perdas da Equatorial Goiás, Marcelo Quintanilha, apesar dos prejuízos financeiros causados pelo furto de energia, a concessionária mantém um planejamento estruturado para garantir a continuidade e a qualidade do serviço.
“A Equatorial Goiás possui um planejamento sólido e bem estruturado para reconstrução das redes elétricas em Goiás, focando sempre em fornecer uma energia de qualidade para todos os seus clientes e cumprindo à risca todos os quesitos regulatórios. Sua envergadura corporativa é sólida e estável, podendo todos os clientes ficarem seguros quanto ao seu compromisso com a população goiana”, afirma.
Quintanilha ressalta ainda que o combate às ligações clandestinas vai além da questão financeira. “Ao longo de 2025, realizamos mais de 370 operações em conjunto com os órgãos de segurança pública, onde pelo menos nós tivemos 188 pessoas que foram responsabilizadas e presas pelo furto de energia”, destaca.
“Importante frisar que o furto de energia é um crime previsto no código penal e além dos prejuízos financeiros, coloca em risco toda a população pelas sobrecargas e eventuais curtos-circuitos”, continua.
As análises dos casos de furto são realizadas com base em critérios técnicos rigorosos. A Equatorial Goiás conta com laboratório próprio de ensaios em medidores de energia elétrica, certificado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), conforme a norma ISO/IEC 17025. A certificação assegura precisão, confiabilidade e transparência nas medições, inclusive nos processos de apuração de fraudes.
Além disso, a legislação tornou-se mais rígida em 2025. Com a sanção da Lei nº 15.181, os crimes envolvendo fios, cabos e equipamentos do sistema elétrico passaram a ter penas mais severas. O furto qualificado pode resultar em reclusão de dois a oito anos, além de multa, enquanto o roubo que comprometa serviços públicos essenciais pode levar a penas de até 12 anos de prisão.
A Equatorial Goiás reforça que o combate ao furto de energia depende também da participação da sociedade. Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo telefone 0800 062 0196, contribuindo para a segurança da população, a preservação da rede elétrica e um fornecimento de energia mais justo para todos.