segunda-feira, 5 de outubro de 2026
Política

Qual será o reflexo das ações de Trump na América Latina nas eleições do Brasil

Diante da possibilidade de o presidente dos EUA influenciar no processo eleitoral brasileiro, especialista avalia que o poder do norte-americano é limitado

Marina Moreirapor em
Trump
Trump ameaça governos progressistas, mas é cauteloso em sua relação com Lula, presidente do maior país da América Latina - Créditos: Marcelo Camargo_ABr e Daniel Torok Official White House Photo

Dentre as várias questões políticas e geopolíticas que podem influenciar as eleições brasileiras, o ataque à Venezuela a mando do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode ter como uma das consequências a influência do líder norte-americano em processos eleitorais na América do Sul. 

Não é novidade a falta de simpatia de Trump por governos progressistas e observa-se que o mesmo tem cautela na relação com o presidente Lula da Silva (PT). Caso o Brasil seja prejudicado como ocorreu no tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, isso pode acarretar problemas à economia dos Estados Unidos. 

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Cenário de apaziguamento entre Trump e Lula pode ser facilmente revertido com a possível apoio do norte-americano a algum pré-candidato da direita nas eleições brasileiras de 2026 – (Créditos: Ricardo Stuckert/PR)

Além do mais, considera-se que Lula tem bom jogo de cintura quando o assunto é manter contato apaziguador, sobretudo com países comandados por presidentes de direita, como é o caso dos EUA, e isso poderia favorecer sua atuação como chefe de Estado. 

Acesse também: Caiado critica repasses federais para segurança, mas Planalto fala em R$ 1,4 bi destinados ao setor

Um ponto que também vale ser observado é o fato de o Brasil ser o maior país da América Latina, com uma economia consideravelmente forte, o que pesa em qualquer decisão de Trump que envolva algum tipo de interferência no país sul-americano. 

Por esse motivo é que o presidente dos EUA busca desconstruir governos progressistas e alinhados à esquerda de forma menos invasiva em relação ao último ataque feito em Caracas, capital venezuelana, que resultou na prisão do presidente Nicolás Maduro. 

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Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro – Créditos: Joka Madruga/ Wikimedia Commons

Interesses eleitorais

No Brasil, essa influência se dará por meio da demonstração do apoio de Trump a alguma candidatura forte da direita que represente risco à tentativa de reeleição de Lula. A interferência militar dos EUA na Venezuela pode ser considerada como um dos principais conflitos geopolíticos que podem ter reflexão nas eleições deste ano, o que corresponde à expectativa de Trump de conseguir afetar, de alguma forma, a ascensão de governos progressistas na América, dado o risco de os presidentes alinhados è esquerda terem suas imagens associadas com a de Maduro. 

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Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é um possível candidato ao Planalto e é defendido por boa parte da direita e pelo centro. Com suas candidaturas já confirmadas, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro(PL-RJ), que deve receber apoio de Trump, representam a polarização diante da disputa à presidência da república – Créditos: Paulo Guereta/Governo do Estado SP, Marcelo Camargo/ABr e Carlos Moura/Agência Senado

Alas da extrema direita dizem acreditar que pode dar certo a estratégia de associar a imagem de Lula com o presidente capturado da Venezuela. Mas essa ideia é tida como um discurso restrito ao bolsonarismo e que representa interesses de parte da direita que, não necessariamente, possa corresponder a realidade política que o país se encontra frente a atual conjuntura da América Latina. 

A tática de Trump de conseguir garantir influência nos processos eleitorais dos países sul-americanos é um método que, se resultar na eleição de presidentes de direita, faz com que os EUA não fiquem isolados e, sim, tenham ao seu lado governantes que compactuam com políticas de extrema direita como as executadas por Trump. 

Discurso pacificador

Enquanto isso, a esquerda no Brasil fala em apaziguamento ao sustentar a tese de que a América do Sul é considerada uma zona de paz, assunto frequente no discurso de Lula e de seus apoiadores desde o ataque dos EUA à Venezuela. 

“Todo e qualquer conflito precisa ser mediado pelo diálogo e pelo respeito entre os países para que se busque a paz na Venezuela, preservando vidas de civis e evitando que o conflito ganhe dimensões continentais”, reage a deputada federal e aliada de Lula, Adriana Accorsi (PT), à interferência militar dos Estados Unidos. 

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Deputada federal Adriana Accorsi e presidente Lula durante evento da UNE, em Goiânia – Créditos: Ricardo Stuckert/PR

Em entrevista ao O HOJE, o cientista político Lehninger Mota explica os possíveis efeitos das ações de Trump nas eleições brasileiras com o intuito de derrotar candidatos alinhados à esquerda. “As relações institucionais do presidente Lula com Trump avançaram em alguns aspectos. O presidente dos EUA com certeza vai apoiar algum candidato que se coloque à direita, seja o Flávio Bolsonaro ou alguém de centro-direita, pois não sabemos se a candidatura de Tarcísio [de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo] pode ter alguma escalada, mas a tendência é que não.”

Polarização presente

Mota destaca que o esperado é que, assim como nas últimas eleições presidenciais, a polarização se faça presente no ambiente político. “Algumas pesquisas já mostram que Flávio Bolsonaro está bem próximo de Lula e a tendência é essa polarização. Mesmo assim, o poder de interferência de Trump, apesar de ser presidente do país mais rico do mundo, é limitado”, pontua o cientista político. (Especial para O HOJE)

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Tags:
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