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sábado, 10 de janeiro de 2026
NEGÓCIOS

Indústria de sorvetes mira alta de 16,3% no faturamento em 2026

Levantamento da Abrasorvete mostra que 86,4% das empresas do setor investiram em máquinas, fábricas ou tecnologia em 2025

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 10 de janeiro de 2026
A escassez de mao de obra no setor de sorvetes
Foto: Divulgação

O setor brasileiro de sorvetes entra em 2026 com perspectivas de forte expansão, após um ciclo de crescimento consistente e investimentos intensivos ao longo de 2025. Segundo dados da Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis (Abrasorvete), a indústria encerrou o último ano com crescimento real estimado em 6,8% e projeta uma alta de 16,3% no faturamento em 2026, sinalizando um novo momento para o segmento.

A expectativa positiva não está relacionada apenas a fatores climáticos, como o aumento das temperaturas médias, mas sobretudo a um processo de reorganização estrutural das empresas, que passaram a investir mais em capacidade produtiva, eficiência industrial e estratégias de mercado. O movimento indica que o setor deixou de atuar de forma reativa e passou a se preparar para um patamar mais elevado e sustentável de consumo.

Investimentos impulsionam nova fase do setor

O principal motor da projeção de crescimento está nos investimentos realizados em 2025. Levantamento da Abrasorvete aponta que 86,4% das empresas do setor fizeram aportes no último ano, direcionados à compra de máquinas, ampliação de plantas industriais e adoção de novas tecnologias. Dentro desse grupo, 22% investiram mais de R$ 1 milhão, evidenciando um esforço relevante de capitalização.

Esses aportes permitiram às indústrias ampliar a capacidade produtiva, reduzir gargalos operacionais e se preparar para atender picos de demanda sem comprometer a eficiência. Para 20,3% das empresas, a expansão da capacidade produtiva foi apontada como prioridade estratégica, com foco em ganhos de escala e produtividade.

sorvete
Foto: Divulgação

Custos, preços e eficiência no centro da estratégia

Apesar do cenário de crescimento, o setor opera sob pressão de custos, especialmente devido à inflação de insumos, embalagens, energia e logística. Diante disso, 49,2% das empresas indicam o ajuste da estrutura de custos e da política de preços como a principal estratégia para sustentar a expansão projetada em 2026.

Segundo a Abrasorvete, o desafio é garantir aumento de faturamento sem perder competitividade e margem. O planejamento financeiro mais rigoroso e a busca por eficiência tornaram-se essenciais, uma vez que parte do crescimento nominal pode ser absorvida pela elevação dos custos operacionais.

Marketing e conquista de novos consumidores

Além do controle de custos, 45,8% das indústrias apostam no fortalecimento das ações de marketing e na atração de novos clientes como caminhos para ampliar receita. O setor tem investido em campanhas sazonais, ampliação de canais de venda e diversificação do portfólio, com produtos premium, linhas artesanais e opções voltadas a consumidores que buscam indulgência aliada a atributos de qualidade.

O comportamento do consumidor também contribui para o otimismo. O consumo per capita de sorvetes no Brasil segue em trajetória de crescimento e ainda apresenta potencial de expansão, especialmente quando comparado a mercados mais maduros. Ondas de calor mais frequentes e a consolidação do sorvete como produto de consumo recorrente, e não apenas sazonal, reforçam essa tendência.

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Foto: Divulgação

Metas ambiciosas para 2026

Os dados revelam um nível elevado de confiança entre os empresários do setor. Cerca de 25,4% das empresas projetam crescimento superior a 25% em 2026, refletindo expectativas positivas em relação à demanda e aos resultados dos investimentos já realizados. Para o presidente da Abrasorvete, Martin Eckhardt, o setor vive uma mudança de estágio, deixando de apenas reagir ao mercado para atuar de forma mais estruturada e planejada.

Ainda assim, o cenário exige cautela. O ambiente de negócios segue marcado por complexidade tributária, incertezas relacionadas à transição da Reforma Tributária e possíveis impactos de mudanças nas regras trabalhistas. Esses fatores elevam o nível de atenção das empresas e exigem decisões estratégicas mais precisas.

Leia também: Alta dos eventos corporativos impulsiona economia e logística

Desafios e condicionantes do crescimento

O desempenho projetado para 2026 está condicionado ao comportamento da economia, especialmente da taxa de juros e do poder de compra das famílias. Caso o ambiente macroeconômico seja favorável, os ganhos de produtividade e eficiência podem se traduzir em margens mais robustas. Caso contrário, parte do crescimento poderá ficar restrita ao faturamento nominal.

Mesmo com esses desafios, a avaliação geral do setor é positiva. O conjunto de investimentos, ajustes operacionais e estratégias de mercado coloca a indústria brasileira de sorvetes em posição favorável para sustentar a expansão nos próximos anos, consolidando o segmento como um dos mais dinâmicos do ramo de alimentos e bebidas em 2026.

 

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