Arroz e feijão seguem como base da alimentação do brasileiro mesmo com novas tendências de consumo saudável
Pesquisa oficial confirma protagonismo do arroz e feijão na mesa do brasileiro, enquanto demandas pontuais por produtos integrais, sem glúten e vegetais ampliam portfólios da indústria
O arroz e o feijão seguem como a base da alimentação do brasileiro, presentes diariamente na mesa das famílias por seu valor nutricional, acessibilidade e tradição cultural. Dados oficiais indicam que a combinação continua sendo um dos pilares do padrão alimentar no país, mesmo diante da ampliação pontual de outros perfis de consumo ligados à saúde, restrições alimentares e estilo de vida.
De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE, o arroz e o feijão permanecem entre os alimentos mais consumidos nos domicílios brasileiros, desempenhando papel central na segurança alimentar da população. A relevância dessa combinação se mantém tanto do ponto de vista nutricional quanto econômico, especialmente em um cenário de atenção ao custo dos alimentos.
Café, arroz e feijão são os mais frequentes na mesa dos brasileiros
A análise da frequência de consumo alimentar (percentual de pessoas que consumiram qualquer quantidade dos alimentos informados, nas 24 horas anteriores à aplicação do questionário) observou que as maiores frequências foram do café (78,1%), arroz (76,1%) e feijão (60,0%), seguidos do pão de sal (50,9%) e óleos e gorduras (46,8%).
Na divisão por sexo, os homens apresentaram menores frequências de consumo de todas as verduras, legumes e frutas (exceto a batata inglesa) e as mulheres apresentaram maiores frequências de consumo para biscoitos, bolos, doces, leite e derivados, café e chá.
Ao mesmo tempo, levantamentos de comportamento de consumo indicam que uma parcela específica da população tem buscado produtos que atendam necessidades particulares. Segundo a pesquisa Tendências de Consumidores 2025, da GS1 Brasil, a proporção de consumidores que observam a presença de alergênicos como glúten e lactose nos rótulos subiu de 40% para 48% nos últimos três anos, refletindo maior atenção à composição dos alimentos — sem indicar, no entanto, abandono dos itens básicos da dieta.
“É importante deixar claro que o arroz e o feijão continuam sendo protagonistas na alimentação do brasileiro, tanto pela qualidade nutricional quanto pelo preço acessível. O que observamos é o surgimento de demandas específicas, de públicos com restrições alimentares ou preferências particulares, que passam a buscar alternativas complementares”, afirma Rodrigo Gross, Diretor Nacional de Vendas da Josapar. “O desafio da indústria é fortalecer o básico, que é essencial, e ao mesmo tempo estar preparada para atender esses nichos.”
Saudabilidade em destaque
Segundo dados da Scanntech, categorias de produtos com apelo saudável — como integrais, sem glúten, sem açúcar e opções vegetais — representam atualmente cerca de 11% do faturamento do varejo alimentar brasileiro, concentradas em um público específico de consumo e com crescimento acima da média do mercado tradicional.
“Esses movimentos mostram que a alimentação do brasileiro se apoia em uma base sólida, construída em torno do arroz e do feijão, enquanto camadas adicionais surgem para atender necessidades muito específicas. Para a indústria, isso significa responsabilidade de garantir qualidade, segurança e acesso ao alimento essencial, sem deixar de olhar para a diversidade de perfis que compõem o consumo hoje”, conclui Gross.
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