Cesta básica sobe na maioria das capitais e aperta orçamento
Alta dos alimentos essenciais pressiona renda e amplia custo de vida urbano
A cesta básica voltou a pesar no bolso dos brasileiros no encerramento de 2025. Levantamento da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento, aponta que os preços dos itens essenciais aumentaram em 17 capitais entre novembro e dezembro, enquanto recuaram em outras nove.
As maiores altas da cesta básica foram registradas em Maceió, Belo Horizonte e Salvador, sinalizando a continuidade da pressão inflacionária sobre a alimentação nas grandes cidades. Em sentido oposto, capitais da região Norte, como Porto Velho, Boa Vista, Rio Branco e Manaus, apresentaram as quedas mais expressivas, ainda que pontuais.
São Paulo manteve o posto de capital com a cesta básica mais cara do país, com valor acima de R$ 845. Na sequência aparecem Florianópolis, Rio de Janeiro e Cuiabá. João Pessoa foi a única capital onde o custo permaneceu estável no período analisado, destoando do movimento observado no restante do país.

Cesta básica e a pressão da carne
Entre os produtos que compõem a cesta básica, a carne bovina foi o principal fator de encarecimento. O item teve aumento de preço em 25 das 27 capitais pesquisadas, impulsionado pela combinação de oferta restrita e demanda aquecida no mercado interno e externo. Outros alimentos, como arroz, leite integral, açúcar, café em pó e óleo de soja, apresentaram redução de preços em várias localidades, mas sem força suficiente para conter a alta geral.
Na comparação anual, válida para 17 capitais acompanhadas desde 2024, o estudo confirma que a cesta básica segue comprometendo parcela significativa da renda. O cálculo indica que o salário mínimo ideal para sustentar uma família de quatro pessoas deveria alcançar R$ 7.106,83, quase cinco vezes o piso nacional.
Em dezembro de 2025, o trabalhador precisou dedicar, em média, 98 horas e 41 minutos de trabalho para comprar a cesta básica. Após os descontos previdenciários, cerca de 48,5% do rendimento líquido mensal foi consumido apenas com alimentação, evidenciando o impacto direto dos alimentos essenciais sobre o orçamento das famílias brasileiras.
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