VIOLÊNCIA

Trump considera “opções muito fortes” contra o Irã após repressão em protestos

Norte-americano afirma avaliar opções militares contra o Irã em meio a escalada de repressão e mortes em protestos

Lalice Fernandespor em
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Foto: Divulgação/ Casa Branca

O aumento da repressão nos protestos no Irã colocou o país no centro de uma nova crise internacional. Em meio à terceira semana de manifestações contra o governo do aiatolá Ali Khamenei, o presidente norte-americano Donald Trump afirmou que as Forças Armadas dos Estados Unidos avaliam “opções muito fortes” diante da escalada de violência no território iraniano. As declarações ocorrem enquanto organizações de direitos humanos relatam centenas de mortes em confrontos entre manifestantes e forças de segurança.

Segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), com sede nos Estados Unidos, quase 500 manifestantes morreram desde o início da revolta, além de 48 integrantes das forças de segurança. Já a ONG Direitos Humanos do Irã (IHR), baseada na Noruega, divulgou na segunda-feira (12) um balanço ainda mais elevado, apontando 648 mortos.

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Foto: Reprodução

Trump afirma que Irã tenta negociar com EUA

Trump declarou no domingo (11) que autoridades iranianas teriam procurado Washington “para negociar” e disse que “uma reunião está sendo organizada”, sem apresentar detalhes. Apesar disso, afirmou que “talvez tenhamos de agir antes de uma reunião” e acrescentou que os líderes do Irã “querem negociar” porque “estão cansados de apanhar dos EUA”. O presidente norte-americano não especificou quais medidas militares estariam em análise nem os termos das supostas tratativas diplomáticas.

Do lado iraniano, o discurso oficial nega perda de controle. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, afirmou que a situação está “sob controle total” após o agravamento dos confrontos no fim de semana. Em uma declaração, ele acusou advertências feitas por Trump de incentivarem “terroristas” a atacar civis e agentes de segurança com o objetivo de provocar uma intervenção estrangeira.

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Abbas Araqchi (Foto: Dean Calma/ AIEA)

As autoridades iranianas também intensificaram a retórica interna. Líderes do regime classificaram os manifestantes como um “bando de vândalos” e convocaram apoiadores para uma marcha pró-governo na segunda-feira (12). O governo decretou ainda três dias de luto oficial pelos mortos que chamou de “mártires” em uma “batalha nacional contra os EUA e Israel”, o Teerã acusa Donald Trump e Benjamin Netanyahu de estimular a instabilidade.

A origem dos protestos está ligada à forte desvalorização da moeda iraniana, mas o movimento rapidamente assumiu contornos políticos mais amplos, evoluindo para uma crise de legitimidade do líder supremo, Ali Khamenei. Entidades internacionais alertam para o que descrevem como repressão em larga escala. “A comunidade internacional tem o dever de proteger manifestantes civis contra assassinatos em massa cometidos pela República Islâmica”, afirmou Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da IHR.

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Ali Khamenei (Foto: Divulgação/ khamenei.ir)

Comunidade internacional cobra fim da violência

A resposta violenta do regime provocou reação internacional. O secretário-geral do Conselho da Europa, Alain Berset, descreveu o cenário como uma “repressão mortal” e alertou que “a estabilidade regional e global está em jogo”. O primeiro-ministro da Holanda, Dick Schoof, declarou apoio aos manifestantes e cobrou o fim da violência, a libertação de presos e o restabelecimento do acesso à internet. O irlandês Micheál Martin condenou a “repressão brutal e violenta” e pediu respeito aos direitos dos cidadãos.

Manifestações semelhantes partiram da Noruega, Suíça, Portugal e Reino Unido, todos condenando o uso desproporcional da força e cobrando garantias às liberdades fundamentais. Ainda, um bloqueio nacional de internet, em vigor há dias, dificulta a comunicação dentro do país e impede a verificação do que ocorre nas ruas, ampliando a preocupação da comunidade internacional com a dimensão real da crise.

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