O Hoje, O Melhor Conteúdo Online e Impresso, Notícias, Goiânia, Goiás Brasil e do Mundo - Skip to main content

terça-feira, 13 de janeiro de 2026
fechamento de unidades

Fechamento de agências da Caixa em Goiânia reacende debate sobre exclusão financeira

Com o avanço da digitalização bancária, capital goiana perde unidades físicas da caixa; especialistas alertam para impactos sociais e econômicos

Anna Salgadopor Anna Salgado em 13 de janeiro de 2026
caixa
Foto: Gabriel Louza/O HOJE

Goiânia registra mudanças no setor bancário, acompanhando a tendência nacional de redução de agências físicas. Recentemente, a Caixa Econômica Federal intensificou o fechamento de suas agências na capital goiana, encerrando as atividades em unidades estratégicas como as do Parque Amazônia, Jardim Novo Mundo e Setor Pedro Ludovico, além de um posto de atendimento (PAB) na Câmara Municipal de Goiânia. 

Esse movimento, impulsionado pela digitalização dos serviços e pelo uso de Inteligência Artificial (IA), levanta preocupações sobre o papel social da instituição e o atendimento à população mais vulnerável.

Entre 2024 e 2025, a Caixa fechou 163 unidades em todo o Brasil, somando-se a um histórico de redução que já eliminou cerca de 200 agências desde 2017. No cenário nacional, os dados do Banco Central são ainda mais expressivos: mais de um terço das agências bancárias foi fechado nos últimos dez anos, com o número de unidades caindo de aproximadamente 23 mil em 2015 para cerca de 15 mil em 2025.

A diminuição da presença física da Caixa é vista com cautela por especialistas e sindicatos, uma vez que o banco atua como braço operacional de políticas públicas essenciais, como Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC), FGTS e programas habitacionais. 

Para famílias que vivem em áreas remotas ou para cidadãos que não possuem pacotes de dados e smartphones, a agência física representa, muitas vezes, o único ponto de acesso a esses direitos. O fechamento das unidades obriga usuários a percorrerem longas distâncias para resolver demandas que exigem atendimento presencial, afetando de forma mais severa a população idosa, que enfrenta maiores barreiras no uso de tecnologias digitais.

O Conselho Regional de Economia de Goiás (Corecon-GO) analisou os impactos dessa transição e alertou para os riscos econômicos e sociais envolvidos. Segundo a entidade, a retirada de agências reduz a oferta de crédito para empresas locais e compromete o desenvolvimento econômico de municípios. Estudos apontam que uma diminuição de 10% no número de agências pode estar associada a uma queda de quase 2% nos empréstimos empresariais, com reflexos diretos sobre o emprego e as vendas no comércio. 

Em cidades pequenas, a perda da única agência bancária tende a reduzir a circulação de renda, já que moradores passam a se deslocar para outros centros urbanos para consumir e realizar transações financeiras.

O Corecon-GO também destaca que, embora 82% das operações bancárias no Brasil já ocorram por meios digitais, essa migração não se dá de forma homogênea. Sem políticas consistentes de inclusão digital e educação financeira, a digitalização acaba ampliando a exclusão de populações de baixa renda e de idosos que não dispõem de habilidades técnicas ou de acesso adequado à internet. 

Outro ponto sensível é o impacto sobre o mercado de trabalho: o fechamento de unidades está diretamente ligado à redução de postos formais no setor bancário, tradicionalmente caracterizado por salários acima da média. Esse cenário exige a requalificação dos trabalhadores para funções ligadas à tecnologia e ao suporte digital, sob o risco de aumento da informalidade.

Como alternativas, o Conselho defende a adoção de programas de alfabetização digital voltados a idosos e populações carentes, a implementação de modelos híbridos de atendimento, combinando canais digitais com pontos físicos reduzidos ou parcerias com cooperativas, além de incentivos à expansão das cooperativas de crédito, que vêm ampliando suas redes presenciais para oferecer atendimento personalizado. 

A entidade também aponta a necessidade de maior regulação e monitoramento por parte do Banco Central, com metas voltadas à garantia de atendimento inclusivo.

LEIA TAMBÉM:Nova regra garante adicional de periculosidade a trabalhadores CLT que usam motocicleta

CAIXA
Foto: Gabriel Louza/O HOJE

Lado da Caixa Econômica

Em nota oficial, a Caixa Econômica Federal afirmou manter seu compromisso com a população goiana e destacou a capilaridade da rede remanescente, além dos investimentos contínuos em tecnologia. Segundo a instituição, atualmente existem 168 agências e postos de atendimento em todo o Estado de Goiás, além de 532 lotéricas e 399 correspondentes Caixa Aqui. 

Em Goiânia, a rede conta com 42 agências e postos, 116 lotéricas e 91 correspondentes, estrutura que, conforme o banco, assegura proximidade e conveniência aos clientes em todas as regiões da Capital.

A Caixa ressaltou ainda que a maior parte das transações bancárias já ocorre por canais digitais, como o aplicativo Caixa, o Internet Banking e o WhatsApp, possibilitando operações de crédito, investimentos e pagamentos com agilidade e segurança. 

A instituição afirma que segue aprimorando sua rede com base em avaliações contínuas de desempenho operacional, mas reforça o compromisso com o atendimento presencial nos locais em que ele é considerado essencial.

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.
Tags:
Veja também