Semaglutida impulsiona investimentos e redesenha mercado farmacêutico
Com pedidos em análise na Anvisa, indústria nacional se prepara para ampliar a oferta de semaglutida no Brasil
A semaglutida se consolidou como um dos medicamentos mais estratégicos do setor farmacêutico brasileiro e já provoca movimentos relevantes de investimento, expansão industrial e reconfiguração do mercado. Com o vencimento da patente do princípio ativo se aproximando, farmacêuticas nacionais protocolaram pedidos de registro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e aceleram projetos para disputar um mercado que movimenta bilhões de reais.
Atualmente, o segmento das chamadas canetas emagrecedoras gira em torno de R$ 11 bilhões no país, sendo a semaglutida responsável pela maior fatia desse valor. Projeções de bancos e casas de análise indicam que o mercado pode dobrar de tamanho nos próximos anos, impulsionado pela alta prevalência de obesidade e sobrepeso na população brasileira.
Investimentos industriais miram a semaglutida
Entre as empresas com pedidos de registro em análise está a Biomm, que investiu cerca de R$ 800 milhões em uma planta industrial em Nova Lima, Minas Gerais. A unidade, inaugurada em 2024, foi projetada para a produção e envase de medicamentos estéreis injetáveis — a mesma categoria da semaglutida — e já opera com a fabricação de insulina.
A EMS também se prepara para atuar nesse mercado. A farmacêutica inaugurou, em 2024, uma fábrica em Hortolândia (SP) dedicada à produção de peptídeos, classe que inclui a semaglutida. O projeto faz parte de uma estratégia de longo prazo para internalizar tecnologias complexas e reduzir a dependência de importações.
Outras empresas do setor acompanham o avanço do segmento, avaliando investimentos e estratégias para ingressar na produção ou distribuição de medicamentos à base de semaglutida, embora nem todas tenham formalizado pedidos junto à Anvisa até o momento.
Impactos econômicos do avanço da semaglutida
O crescimento do uso da semaglutida já começa a gerar efeitos além da indústria farmacêutica. Redes de farmácias são apontadas como as principais beneficiadas, com expectativa de aumento de receita e margens mais elevadas. Em contrapartida, analistas projetam impactos negativos para empresas de bebidas alcoólicas e alimentos ultraprocessados, diante da mudança de hábitos alimentares dos consumidores.
Estudos indicam que usuários de medicamentos à base de semaglutida reduzem gastos com alimentos calóricos e refeições fora de casa, movimento que pode se refletir também no varejo brasileiro. Por outro lado, setores ligados à proteína animal tendem a manter ou ampliar demanda, compensando parcialmente essas perdas.
Com novos registros, ampliação da capacidade produtiva nacional e maior concorrência, a semaglutida deve se tornar um dos principais vetores de transformação do mercado farmacêutico e do consumo no Brasil nos próximos anos.
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