Carnaval deixa de ser só festa e vira motor econômico em Goiás
Com expectativa de receber mais de 100 mil pessoas só na capital, Carnaval movimenta hotelaria, alimentação, transporte e economia informal
Tradicionalmente associado à cultura e ao lazer, o Carnaval também se consolida como um evento estratégico para a economia goiana. O pré-Carnaval de Goiânia e as festas espalhadas pelo interior do estado devem gerar, em 2026, um impacto expressivo sobre o comércio, o turismo e os serviços. O lançamento do Folia Goiás 2026, com investimento público de R$ 20 milhões, sinaliza não apenas apoio cultural, mas um estímulo direto a cadeias produtivas que vão da hotelaria aos trabalhadores informais.
A experiência recente reforça esse potencial. Em 2024, cidades goianas que apostaram em programações estruturadas de Carnaval registraram crescimento significativo na circulação de dinheiro, impulsionado pelo aumento do fluxo de turistas e do consumo local. Em um cenário nacional no qual o Carnaval movimentou cerca de R$ 12 bilhões, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), Goiás passou a disputar espaço como destino alternativo, sobretudo no Centro-Oeste.
Pré-Carnaval em Goiânia aquece bares, hotéis e serviços
Na capital, a concentração de blocos e shows no eixo da Avenida 85, durante o pré-Carnaval, tem efeito direto sobre setores urbanos. Em edições anteriores, entidades do setor estimaram taxas de ocupação hoteleira entre 70% e 85% nos dias de maior programação, patamar superior à média de fevereiro, historicamente considerada baixa temporada.

Bares e restaurantes relatam aumento no faturamento que varia de 20% a 40%, impulsionado por horários estendidos, consumo de bebidas, alimentação rápida e eventos paralelos. O impacto se estende a serviços como transporte por aplicativo, táxis, segurança privada, limpeza urbana terceirizada e locação de equipamentos. Pequenos empreendedores, como vendedores ambulantes e produtores de alimentos artesanais, encontram no período uma oportunidade de incremento relevante de renda, muitas vezes equivalente a várias semanas de faturamento regular.
Interior do estado amplia ganhos com turismo de evento
Fora da capital, o Carnaval tem se mostrado um vetor ainda mais relevante para a economia local. Municípios turísticos ou de médio porte, como Goianésia, Pirenópolis, Cidade de Goiás e Aruanã, registraram nos últimos anos resultados expressivos. Em Goianésia, por exemplo, a prefeitura estimou que o Carnaval de 2024 movimentou mais de R$ 20 milhões, com impacto direto no comércio, hotelaria, alimentação e serviços temporários.
Esse modelo favorece economias locais menos diversificadas, onde o aumento do fluxo de visitantes gera efeitos imediatos. Postos de combustíveis, mercados, lojas de conveniência, salões de beleza e comércio informal se beneficiam do crescimento no consumo. Além disso, o investimento descentralizado, via editais culturais, tem permitido que recursos cheguem diretamente a artistas, blocos e fornecedores locais, reduzindo a concentração de renda apenas nas grandes cidades.

Investimento público como indutor da atividade econômica
O aporte de R$ 20 milhões do Governo de Goiás, distribuído entre Goiânia e cerca de 30 municípios, atua como capital indutor, estimulando gastos privados muito superiores ao valor investido. Economistas especializados em economia do turismo apontam que eventos desse porte costumam gerar um efeito multiplicador entre 2 e 3 vezes o investimento inicial, considerando hospedagem, alimentação, transporte, compras e serviços.
Além do impacto imediato, o fortalecimento do Carnaval no calendário estadual contribui para a consolidação de Goiás como destino de eventos, reduzindo a sazonalidade do turismo e criando previsibilidade para empresários. A estratégia também dialoga com políticas de economia criativa e inclusão produtiva, ao integrar catadores de recicláveis, trabalhadores informais e pequenos prestadores de serviço à dinâmica do evento.
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Negócio além da folia: desafios e perspectiva de longo prazo
Apesar do crescimento, o desafio está em transformar o pico de consumo do Carnaval em ganhos sustentáveis. Especialistas apontam a necessidade de planejamento urbano, qualificação profissional e integração com o trade turístico para ampliar a permanência do visitante e o tíquete médio gasto na cidade. Ainda assim, os números recentes indicam que o Carnaval deixou de ser apenas festa e passou a ocupar um lugar relevante na estratégia econômica de Goiás, com potencial de gerar emprego, renda e arrecadação.
Para o comércio e os serviços, o pré-Carnaval e o Carnaval de 2026 se apresentam como uma janela concreta de negócios – curta no calendário, mas cada vez mais decisiva no balanço anual de muitas empresas.