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quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
Sinistros

Trânsito em Goiás reduz mortes em 2025, mas volume de acidentes ainda preocupa autoridades

Levantamento apresentado pelo Detran-GO aponta queda de 11,1% nos óbitos do trânsito em relação a 2024; homens e motociclistas seguem como principais vítimas, enquanto imprudência permanece como maior causa dos sinistros

Letícia Leitepor Letícia Leite em 14 de janeiro de 2026
11 abre Acidente na Praca C 170 no Setor Jardim America envolvendo seis veiculos Foto Divulgacao CBM GO
Um dos casos de maior repercussão ocorreu no dia 26 de outubro do ano passado, na Praça C-170, no Setor Jardim América, envolvendo seis veículos. Foto: Divulgação/CBM-GO

O número de mortes no trânsito em Goiás apresentou queda em 2025, mas o cenário segue distante do ideal. Dados divulgados pelo Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO), durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (13), revelam que o Estado registrou 908 óbitos no último ano, uma redução de 11,1% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 1.021 vítimas fatais.

Apesar do avanço, o presidente do Detran-GO, delegado Waldir, destacou que os números ainda são alarmantes e exigem ações contínuas e integradas. “Se nós pensarmos que há 15 anos atrás nós tínhamos 2 mil mortes e que hoje a gente tem 908, o ano passado para esse ano a gente reduziu mais de 10% a quantidade de mortes, a gente fica feliz porque menos mães choraram, mais família tem a preservação de vida”, afirmou.

O levantamento aponta que o total de acidentes de trânsito permaneceu praticamente estável no período analisado. Em 2025, foram registrados 100.917 sinistros, contra 100.977 em 2024, o que representa uma variação negativa de apenas 0,06%. 

Para o presidente da autarquia, o dado reforça a gravidade do problema. “Se você pegar todos os últimos anos, uma média de mais de 100 mil acidentes por ano, mostrando que, comparativamente com o número de pessoas feridas, que todo acidente tem uma pessoa ferida, então isso mostra a gravidade”, avaliou.

Acidentes no trânsito seguem concentrados em áreas urbanas

A maior parte dos acidentes continuam ocorrendo em áreas urbanas. Em 2025, 86% das ocorrências foram registradas nas cidades, enquanto 14% aconteceram em zonas rurais. Segundo o delegado, esse cenário está diretamente relacionado à presença de rodovias estaduais e federais que cortam os principais municípios goianos, aumentando o fluxo de veículos e os riscos.

O perfil das vítimas fatais também se mantém praticamente inalterado. Os homens seguem como maioria entre os óbitos no trânsito. Em 2025, eles representaram 68,1% das mortes, enquanto as mulheres corresponderam a 31,9%. “Os homens são as grandes vítimas. Isso mostra que é muito importante você redobrar o cuidado”, ressaltou o presidente do Detran-GO.

Quando analisados os dados por tipo de veículo, os motociclistas continuam entre os mais vulneráveis. Em 2025, 30,1% das mortes envolveram motocicletas, seguidas por automóveis, com 27,1%. Em 31,8% dos casos, o tipo de veículo não foi identificado, o que evidencia fragilidades na base de dados atual.

Goiânia apresenta redução tímida nos indicadores

Na Capital goiana, os números também apontam redução, ainda que mais discreta. Em 2025, Goiânia registrou 36.150 acidentes de trânsito, queda de 1,49% em comparação a 2024. O número de mortes passou de 150 para 148, redução de 1,33%, enquanto o total de feridos caiu de 38.090 para 37.594 no mesmo período.

Mesmo com a diminuição, acidentes graves continuam sendo registrados. Um dos casos de maior repercussão ocorreu no dia 26 de outubro do ano passado, na Praça C-170, no Setor Jardim América, envolvendo seis veículos — quatro carros e duas motocicletas. Seis pessoas ficaram feridas e uma vítima morreu no dia seguinte. 

trânsito
Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) atuaram no resgate, utilizando técnicas avançadas de atendimento pré-hospitalar. As causas do acidente seguem sob investigação.

Imprudência é principal fator

De acordo com o Detran-GO, a imprudência segue como o principal fator por trás dos sinistros de trânsito. Excesso de velocidade, autoconfiança ao volante, uso de celular durante a condução, combinação de álcool e direção e ultrapassagens em locais proibidos estão entre as causas mais recorrentes.

“A imprudência ainda é o maior fator, ou seja, o comportamento do motorista tem que mudar. Fizemos campanhas duras, como a Vira Virou. Agora espalhamos caixões pelas cidades e a gente acha que é importante essas campanhas”, destacou.

Ações integradas e novos investimentos

Para enfrentar o problema, o Detran-GO tem ampliado ações em diferentes frentes. Entre as iniciativas estão campanhas educativas premiadas nacionalmente, ações, cursos e palestras em escolas e empresas, além da intensificação da fiscalização com a criação de 21 núcleos regionais da Balada Responsável, em parceria com a Polícia Militar.

A autarquia também tem investido em infraestrutura, com repasses para recapeamento asfáltico por meio da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), implantação e revitalização da sinalização horizontal e vertical nos 246 municípios goianos e fornecimento de equipamentos como bafômetros, veículos e motocicletas para órgãos autuadores.

Outra aposta é a educação desde a infância, com a criação da Mini Cidade, espaço voltado à formação de crianças como multiplicadoras de boas condutas no trânsito.

Parceria com a UFG busca dados mais precisos

Durante a coletiva, o presidente do departamento anunciou ainda uma parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG) para qualificar os dados sobre acidentes de trânsito. Atualmente, mais de 30% das ocorrências não têm informações precisas sobre o tipo de veículo envolvido.

Ele explica que os dados ainda são frágeis, é preciso unificar informações da polícia, da saúde e dos órgãos de trânsito para entender melhor onde, como e por que os acidentes acontecem. Segundo o Detran-GO, a expectativa é que o conjunto de ações e investimentos contribua para a redução contínua dos índices nos próximos anos.

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