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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Saúde

Sintomas comuns na infância podem esconder problema que exige cirurgia

Caso das filhas de Virginia Fonseca reacende debate sobre saúde respiratória infantil

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 15 de janeiro de 2026
crianca roncando
Ronco, boca aberta e sono agitado: sinais em crianças acendem alerta médico. Foto: Divulgação

Ronco frequente, sono agitado e respiração pela boca em crianças podem indicar um problema comum na infância, mas que nem sempre deve ser ignorado. O tema voltou ao debate após a influenciadora Virginia Fonseca relatar que as filhas Maria Alice, de 4 anos, e Maria Flor, de 3, vão passar por cirurgia ainda este ano por recomendação médica, devido ao aumento das amígdalas e da adenoide.

De acordo com a médica otorrinolaringologista Juliana Caixeta, as amígdalas e a adenoide são tecidos linfoides, responsáveis pela defesa do organismo, principalmente nos primeiros anos de vida. Em alguns pacientes, no entanto, essas estruturas crescem de forma exagerada e passam a causar obstrução do nariz e da garganta.

“Essa obstrução pode levar à respiração oral, com a criança ficando de boca aberta, além de provocar ronco, sono agitado e despertares noturnos. Em alguns casos, isso também interfere nas atividades do dia, deixando a criança mais agitada ou mais sonolenta”, explica a especialista.

infância
Sinais da infância que preocupam: ronco e respiração pela boca acendem alerta médico

Sinais de alerta na infância

Embora o aumento dessas estruturas seja relativamente frequente durante o crescimento, alguns sinais indicam que o quadro deixou de ser apenas uma condição comum da infância e passou a exigir acompanhamento médico mais atento. Segundo Juliana Caixeta, crianças que respiram predominantemente pela boca ou de forma mista — pelo nariz e pela boca — precisam ser avaliadas por um otorrinolaringologista.

Outro ponto de atenção é o ronco persistente. “Crianças que roncam à noite por mais de 15 dias devem passar por avaliação, principalmente quando esse ronco não está associado a infecções respiratórias, como gripes ou resfriados”, afirma.

boca aberta apneia
Problema comum na infância pode afetar sono e desenvolvimento das crianças. Foto: Divulgação

Impactos na saúde e no desenvolvimento

A respiração oral contínua exige maior esforço do organismo e compromete a qualidade do sono. Conforme a médica, esse sono não reparador impacta diretamente a rotina e a qualidade de vida da criança.

“A longo prazo, a respiração oral pode interferir no desenvolvimento da face e dos dentes”, destaca. Alterações comportamentais também podem surgir, como agitação, inquietação ou sonolência excessiva durante o dia.

Estudos ainda relacionam o ronco crônico em crianças a alterações metabólicas. “Há pesquisas que associam o ronco a mudanças na secreção de hormônios como leptina, grelina e o hormônio do crescimento, o que pode influenciar o crescimento e o ganho de peso”, explica a otorrinolaringologista.

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Indicação cirúrgica e recuperação

Quando o aumento das amígdalas e da adenoide compromete a respiração, o sono ou o desenvolvimento infantil, a cirurgia pode ser indicada. O procedimento é realizado em centro cirúrgico, sob anestesia geral.

“Atualmente, a cirurgia pode ser feita com auxílio de vídeo e tecnologias como microdebridador e coblation. Ainda assim, a técnica tradicional, por meio de cortes, continua sendo uma opção adequada”, detalha Juliana Caixeta.

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Infância sob alerta: quando ronco e boca aberta deixam de ser normais. Foto: Divulgação

O tempo de internação costuma ser curto, especialmente em crianças saudáveis. O pós-operatório tende a ser mais incômodo nos primeiros dez dias, período em que podem ocorrer dor de garganta e sensação de obstrução nasal.

A médica também esclarece pontos que costumam gerar dúvidas. “Não é necessário deslocar o queixo para realizar a cirurgia. Além disso, não é imprescindível manter apenas uma dieta fria e líquida. Hoje, é possível liberar alimentos mais consistentes já nos primeiros dias após o procedimento”, afirma.

O acompanhamento médico é fundamental para avaliar cada caso individualmente e definir a melhor conduta para a criança.

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