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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
OPINIÃO

Caiado insiste na Presidência. Bom: ninguém é pré-candidato a vice

As circunstâncias podem levar o governador de Goiás a compor chapa com, por exemplo, o senador Flávio Bolsonaro, mas não é o quadro atual – aliás, quem liderava as pesquisas nesta época de outros anos eleitorais acabou perdendo

Nilson Gomespor Nilson Gomes em 16 de janeiro de 2026
Caiado
Ronaldo Caiado em Salvador janeiro 2026 - Foto Junior Guimarães e Hegon Correa (1).jpeg

O pré-candidato da direita mais competitivo para enfrentar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Pesquisa desta semana mostra que estão empatados. O problema é que Tarcísio acaba de desistir da disputa para apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, de quem o governador foi ministro de Infraestrutura. Seu colega do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), também apareceu abrindo a possibilidade de apoiar outro ao Palácio do Planalto. O único que bate o pé como se estivesse na catira é o de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil). Pode perguntar cem vezes por dia que as cem respostas serão confirmando a pretensão de novamente encarar Lula nas urnas.

Caiado está correto, pois o caminho é o de não titubear. O eleitor precisa sentir firmeza. Ah, mas ele só tem 5%. Quando se coloca meia dúzia de direitistas para enfrentar um da esquerda, pode ser, mas no mano a mano com Lula já chegou a estar a 10% de distância. Quase 100% do Brasil conhece Lula, menos da metade sabe quem é Caiado. Como vou dizer ao pesquisador que me entrevista que meu candidato é Caiado se não sei quem é mais gordo?

PACIÊNCIA PARA SEGUIR NO PROPÓSITO

Outro acerto do governador de Goiás aparece na decisão de se portar como presidenciável. Afinal, ninguém é pré-candidato a vice. Se, por acaso, mais à frente houver articulações no sentido de compor a chapa e o critério acabar sendo uma pesquisa bem feita, pode ocorrer, por exemplo, uma aliança entre Caiado e Flávio Bolsonaro, com o senador na cabeça. Ou não. Isso é conjuntura, algo em discussão, pois até para a pessoa ser vice é indispensável que esteja percorrendo o País, discutindo seus projetos, enfim, no páreo. E Caiado está no páreo. Se as circunstâncias o levarem a ser vice, paciência, mas não que saia por aí com esse propósito.

Em 2025, apareceu um aventureiro com esse interesse: o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, apresentou-se com duas características interessantes, não apenas era pré-candidato a vice, como só serviria se fosse vice de Tarcísio. Fracassou em ambas, mas loucura às vezes é questão de tempo. O Brasil já teve votações distintas para presidente e vice. Nas duas últimas vezes, quem ganhou foi o mesmo candidato, João Goulart, com Juscelino Kubitschek em 1955 e com Jânio Quadros em 1960.

GOULART FOI VICE DO MAIOR ESTADISTA E DE UM MALUQUETE

Goulart foi aos extremos, do grande estadista que a República brasileira conseguiu, JK, ao maluquete que acabou ficando na então recém-inaugurada Brasília de 31 de janeiro a 25 de agosto de 1961. As peculiaridades de Goulart não acabariam: queriam impedir que assumisse, assumiu parcialmente, pois teve de conviver com primeiro-ministro, voltou o regime presidencialistas e, por fim, foi vítima do golpe militar de 31 de março de 1964. Então, nem é bom falar em eleição de vice, pois o que mais as venceu teve um fim trágico.

Após a eleição de Jânio e Jango, o retorno da votação direta para o principal cargo do País foi em 1989. A esta época da pré-campanha, dois candidatos da esquerda, Lula e Leonel Brizola, do PDT, lideravam amplamente, e um 3º, Mário Covas vinha logo a seguir. Os dois maiores partidos, MDB e PFL, iriam lançar depois seus líderes emblemáticos, o Sr. Constituinte Ulysses Guimarães e o então vice-presidente da República, Aureliano Chaves. Até que uma novidade chegou voando, Fernando Collor. Em abril, já empatava com os líderes na pesquisa do instituto Datafolha: tinha 14%, contra 13% de Brizola e 12% de Lula. No 1º turno, Collor ficou com 30,48%, Lula 17,19%, Brizola 16,51%, Covas 11,52%. E Ulysses? 4,74%.

E Aureliano? 0,89%, com apenas 112 mil votos a mais que Ronaldo Caiado em sua estreia eleitoral.
Significa que nem sempre quem está agora distante nas pesquisas vai perder. No caso Collor foi ao 2º turno com Lula e ganhou de 53,03% a 46,97%. Mesma novela aconteceu na eleição seguinte, em 1994. A esta época do ano, sequer existia a candidatura de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Lula caminhava firme para a vitória definitiva em 1º turno. Em maio, Lula ostentava 42% e FHC 16%. Nas urnas, quem levou no 1º turno foi FHC, 54,24%. Duas eleições presidenciais seguidas em que o líder nas pesquisas não conseguiu ganhar.

Dilma e Bolsonaro não eram favoritos e ganharam

Os dois extremos da polarização eleitoral do Brasil oferecem personagens que desmentiram as pesquisas. Sabe-se que o apanhado nas ruas feito pelos institutos é somente um retrato do momento em que as entrevistas são feitas. Conhece-se também a volúpia de determinadas empresas pelo dinheiro de quem se rebaixa a pagar para se sobressair nos dados. Porém, há também os honestos do ramo. Mesmo assim, o eleitor adora pregar peça nas firmas de pesquisa.

Em 2009, Dilma Rousseff (PT) era somente uma resmungona da equipe de Lula. E começou 2010 penando no Datafolha. Mesmo com o presidente exibindo índices de aprovação na casa dos 80%, sua escolhida perdia longe para José Serra (PSDB). Em maio, já encostava, mas a diferença ainda estava em 10 pontos percentuais (Serra 38%, Dilma 28%), mas ela acabou obtendo 46% no 1º turno, fustigada pelo crescimento de Marina Silva (PV), que dobrou de 9% nas pesquisas para 19,33% nas urnas. No 2º turno, bateu Serra de 56,05% a 43,95%. Mais um embate pelo Planalto em que o comandante das pesquisas não virou presidente.

No início de 2018, Lula estava em liberdade (seria preso em 7 de abril) e Jair Bolsonaro vinha com algum vigor, diante do cansaço com os políticos tradicionais, arrebentados pela Operação Lava Jato. Antes de ser preso, Lula mais que o dobro de Bolsonaro, 31% a 15% no Datafolha. O candidato do PT foi outro, Fernando Haddad, porém não se confirmaram as expectativas do teto intransponível de Bolsonaro, que suas frases ruins voltariam para o massacrar etc. No 1º turno, o petista levou de 29,28% a 46,03%. No 2º, todo político se reuniu em torno de Haddad, do eterno Centrão às esquerdas mais radicais e direitas conformadas. Insuficiente: 55,13% a 44,87% para o azarão. De novo, o lado favorito ficava sem a Presidência.

Existe também o tal do destino. Em 1989, Fernando Collor subiu ao radicalizar contra José Sarney e exagerar na baixaria contra Lula. Em 1994, FHC foi beneficiado pelo sucesso do Plano Real. Em 2010, Dilma Rousseff tinha somente um eleitor, Lula. Foi o suficiente. No caso, o destino foi cruel com o Brasil.

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