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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
Comportamento | Saúde

Jovens deixam álcool, mas uso de outras drogas cresce no Brasil

Pesquisa aponta queda no consumo de álcool entre jovens, enquanto especialistas observam avanço de outras substâncias

Luana Avelarpor Luana Avelar em 16 de janeiro de 2026
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Foto: iStock

O consumo de álcool entre brasileiros vem apresentando queda expressiva, puxada sobretudo pelas gerações mais jovens. Em 2025, 64% da população declarou não consumir bebidas alcoólicas, segundo a pesquisa Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025, realizada pela Ipsos-Ipec a pedido do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa). O dado representa uma mudança relevante nos hábitos sociais do país.

Entre jovens de 18 a 24 anos, a abstinência de álcool cresceu de 46% para 64%. Na faixa de 25 a 34 anos, o índice passou de 47% para 61%. O movimento aproxima o Brasil de tendências já consolidadas em países europeus, onde o afastamento do álcool entre integrantes da geração Z é observado há mais tempo.

A pesquisa foi realizada entre os dias 4 e 6 de setembro, com 1.981 entrevistas presenciais em todas as regiões do país. A amostra teve maioria feminina, média de idade de 42 anos e predominância de entrevistados da classe C. A maior parte vivia na região Sudeste, principalmente em cidades do interior.

Menos álcool não significa menos risco

Apesar da redução no consumo de álcool, há indícios de que parte dos jovens esteja substituindo o álcool por outras substâncias psicoativas, como maconha, drogas sintéticas, cigarros eletrônicos e produtos à base de nicotina. O cenário atual é marcado por um ambiente de múltiplas substâncias. O álcool perde espaço como principal elemento de socialização, mas o consumo de outras drogas cresce de forma paralela, mantendo riscos relevantes à saúde física e mental.

Entre os fatores que explicam a queda no consumo de álcool está a mudança na percepção social sobre o beber. A substância passou a ser associada a prejuízos no desempenho acadêmico e profissional, impactos na saúde mental, ganho de peso, inchaço e queda de rendimento em atividades físicas. Soma-se a isso o medo da exposição em redes sociais, onde episódios de embriaguez podem ser registrados e compartilhados.

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Foto: iStock

Pesquisas anteriores indicam que, entre jovens adultos, o receio de “dar vexame”, comprometer a reputação ou sofrer consequências na vida profissional pesa mais do que o medo dos danos de longo prazo associados ao álcool. Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que o consumo diminui, especialmente em contextos urbanos e entre pessoas com maior acesso à informação.

Apesar disso, dados mostram que o uso de álcool entre adolescentes segue como preocupação global. Relatório da Organização Mundial da Saúde aponta que, em 2019, 22% dos jovens de 15 a 19 anos consumiam bebidas alcoólicas, índice considerado elevado. As maiores prevalências foram registradas nas Américas e na Europa.

Para especialistas, o desafio atual está em compreender se a redução do álcool representa uma mudança estrutural nos padrões de cuidado com a saúde ou apenas uma reorganização do consumo de substâncias. A queda no beber, isoladamente, não garante escolhas mais seguras, sobretudo quando ocorre em paralelo à ampliação do uso de outras drogas.

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