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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
Comportamento

O luto por pets e a dificuldade social de validar essa perda

Pesquisa indica que o luto por pets pode ser tão intenso quanto o de pessoas próximas

Luana Avelarpor Luana Avelar em 16 de janeiro de 2026
luto por pets
Foto: iStock

A morte de um animal de estimação pode desencadear um sofrimento emocional tão profundo quanto, ou até mais intenso, do que a perda de parentes próximos, aponta um estudo publicado nesta semana na revista científica PLOS ONE. A pesquisa amplia o debate sobre o luto por pets e evidencia como vínculos afetivos não humanos seguem subestimados tanto nas classificações clínicas quanto nas respostas sociais ao sofrimento psíquico.

O levantamento analisou respostas de 975 adultos do Reino Unido, convidados a relatar diferentes experiências de luto ao longo da vida. Do total, 295 participantes afirmaram já ter enfrentado tanto a morte de pessoas próximas quanto a de animais de estimação. Entre eles, 21% indicaram que a perda do animal foi a experiência emocionalmente mais dolorosa, percentual superado apenas pela morte de pai ou mãe, citada por 42% das respostas.

A morte de irmãos, parceiros afetivos ou amigos próximos apareceu com menor frequência como o luto mais difícil, o que sugere que a intensidade do sofrimento está menos associada ao grau de parentesco e mais à centralidade do vínculo na vida cotidiana. O estudo aponta que, para parte dos tutores, o animal ocupa posição de referência emocional, companhia constante e estabilidade afetiva, o que ajuda a compreender por que o luto por pets pode assumir proporções tão profundas.

Quando o luto por pets se torna persistente

Os dados também analisaram a ocorrência do transtorno do luto prolongado, caracterizado por sofrimento persistente, incapacitante e de difícil elaboração. A condição é reconhecida tanto pela Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde quanto pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria. Ainda assim, a perda de animais não costuma ser considerada, de forma explícita, um evento capaz de desencadear o transtorno.

Entre os participantes que vivenciaram a morte de um pet, 7,5% preencheram critérios compatíveis com o diagnóstico. A taxa é semelhante à observada em perdas humanas específicas, como a morte de um amigo próximo, com 7,8%, ou de um irmão, com 8,9%. Os resultados sugerem que o luto prolongado pode se manifestar independentemente da espécie do ser perdido, reforçando a necessidade de revisar como o luto por pets é compreendido em contextos clínicos e sociais.

O estudo reforça que a exclusão da perda de animais das diretrizes clínicas ignora transformações sociais profundas, como o crescimento de lares unipessoais, o envelhecimento da população e a ampliação do papel dos pets como fontes primárias de afeto e vínculo. Ao desconsiderar esse tipo de luto, o risco é empurrar o sofrimento para o silêncio, dificultando o acesso a reconhecimento, acolhimento e cuidado adequado.

Embora o recorte esteja restrito ao contexto cultural do Reino Unido, os achados levantam questionamentos relevantes sobre a forma como sociedades contemporâneas hierarquizam perdas e validam dores. A pesquisa sugere que revisar essas fronteiras pode ser essencial para compreender o luto em suas expressões mais reais, complexas e, muitas vezes, invisibilizadas.

luto por pets
Foto: iStock

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