Mulheres negras concentram maioria das vítimas de homicídio no Brasil
Levantamento do Monitor da Violência revela que mulheres negras seguem mais expostas a homicídios, feminicídios e agressões no país
As mulheres negras seguem como o principal alvo da violência letal no Brasil. Levantamento do Monitor da Violência, parceria do g1 com o Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta que 75% das mulheres assassinadas no país, seja por homicídio doloso ou feminicídio, são negras.
Mesmo com falhas recorrentes no registro da raça das vítimas em bases oficiais, o estudo indica que, sempre que essa informação é informada, as mulheres negras aparecem de forma majoritária entre as vítimas de crimes violentos.
Violência doméstica também atinge mais mulheres negras
O recorte racial se repete nos dados de violência sexual e agressões dentro de casa. Nos casos de estupro e agressões cometidas por companheiros no ambiente doméstico, as mulheres negras representam cerca de 50% das vítimas quando a cor da pele é registrada.
Os números mostram que, no Brasil, ser mulher já implica conviver com um cenário persistente de violência. No entanto, quando o fator racial é considerado, o risco se intensifica de maneira expressiva, evidenciando uma desigualdade estrutural no padrão de vitimização.
Subnotificação pode esconder cenário ainda mais grave
Um dado que agrava o diagnóstico é a falta de transparência nos registros oficiais. Mais de um terço dos estados brasileiros não divulga de forma completa a raça das vítimas ou mantém esse campo como “não informado”. Isso indica que a situação real enfrentada pelas mulheres negras pode ser ainda mais grave do que os números disponíveis conseguem mostrar.
Especialistas apontam que a ausência de dados completos compromete políticas públicas e dificulta ações efetivas de prevenção e enfrentamento da violência.
Leia também: https://ohoje.com/2026/01/18/habitos-ligados-a-sustentabilidade/