quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Banco Central

BC liquida Will Bank após colapso do conglomerado Master

Liquidação extrajudicial ocorre após inadimplência com a Mastercard e pode gerar impacto de até R$ 5 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos

Paula Costapor em
Banco Central
Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank. A medida bloqueia bens de ex-administradores e transfere ao FGC. Crédito: Agência Brasil.

O Banco Central do Brasil decretou nesta quarta-feira (21), a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida como Will Bank, instituição integrante do conglomerado controlado pelo Banco Master. A decisão ocorre pouco mais de dois meses após a liquidação do próprio Banco Master, em 18 de novembro de 2025, e marca o encerramento definitivo das operações da financeira, que estava sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) desde então.

Segundo o BC, a medida foi adotada diante do comprometimento da situação econômico-financeira da Will Financeira e da incapacidade de honrar suas obrigações, agravadas pelo vínculo de controle exercido pelo Banco Master, já liquidado. Com a decretação, ficam indisponíveis os bens dos controladores e de ex-administradores, e as atividades da empresa, responsável pela captação de recursos e concessão de crédito dentro do grupo, são interrompidas.

O RAET havia sido imposto ao Banco Master Múltiplo S/A como tentativa de preservar o funcionamento da controlada Will Financeira e permitir uma solução de mercado, inclusive com a busca por um investidor estrangeiro, de origem árabe. As negociações, porém, não avançaram, e o BC concluiu que a alternativa deixou de ser viável.

Banco Central
O Banco Central avaliou que a insolvência e o bloqueio no arranjo de pagamentos tornaram a liquidação inevitável. Crédito: Rede Social.

Criado com foco em inclusão financeira, o Will Bank se apresentava como banco digital voltado a clientes de renda média e baixa, com menor acesso ao sistema financeiro tradicional. O desfecho foi acelerado após o descumprimento da grade de pagamentos da Will Financeira com a Mastercard. Na segunda-feira (19), a empresa de pagamentos comunicou a inadimplência; no dia seguinte, anunciou a suspensão da aceitação dos cartões emitidos pelo Will Bank, evidenciando a deterioração operacional da instituição.

Com a medida, caberá ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ressarcir os credores elegíveis. A estimativa preliminar é de que a operação gere impacto em torno de R$ 5 bilhões ao fundo. À época da intervenção no conglomerado, o grupo liderado pelo Banco Master representava 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Em nota, o Banco Central afirmou que a liquidação foi decretada “em razão do comprometimento da situação econômico-financeira, da insolvência e do vínculo de interesse evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master”, ressaltando que a medida busca proteger o sistema financeiro e os clientes.

“O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição objeto da liquidação decretada”, declarou o BC em nota.

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