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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
canetas emagrecedoras

Canetas emagrecedoras disparam no Brasil e Anvisa endurece fiscalização

Alta de 88% no consumo das canetas e chegada dos genéricos em 2026 aceleram mudanças no mercado brasileiro

Anna Salgadopor Anna Salgado em 22 de janeiro de 2026
canetas
Foto: Caroline Morais/ Ministério da Saúde

 

O mercado das canetas emagrecedoras vive um momento de transformação sem precedentes no Brasil. O cenário é marcado por um crescimento de 88% no consumo em 2025, pelo endurecimento da fiscalização contra produtos clandestinos e pela iminente chegada de versões genéricas a partir de 2026. 

Enquanto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe a circulação de versões das canetas sem registro, estudos indicam que o uso desses medicamentos já começa a redesenhar desde os gastos das famílias nos supermercados até a demanda do agronegócio brasileiro.

Proibições das canetas

Nesta quarta-feira (21) a Anvisa proibiu a comercialização, a fabricação e o uso das canetas e medicamentos à base de tirzepatida das marcas Synedica e TG, além de todas as marcas de retatrutida que não possuem registro no País. Popularmente conhecidas como “canetas emagrecedoras do Paraguai”, essas substâncias vinham sendo vendidas ilegalmente por meio de perfis em redes sociais, sem qualquer garantia de qualidade ou segurança.

Segundo a agência reguladora, por se tratarem de produtos de origem desconhecida, não há certeza sobre a composição real das substâncias, o que representa um risco grave à saúde da população. Atualmente, para garantir a segurança dos pacientes, as canetas autorizadas no Brasil só podem ser vendidas com prescrição médica e retenção da receita na farmácia, documento que possui validade de 90 dias.

O impacto econômico desses medicamentos, especialmente os da classe GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, já é expressivo. Em 2025, as importações desses produtos movimentaram cerca de R$ 9 bilhões, superando inclusive a compra externa de itens como smartphones e azeite de oliva. Como não há produção nacional dessas canetas, o Brasil depende integralmente do mercado internacional, e a Dinamarca consolidou-se como a principal fornecedora, responsável por aproximadamente 44% de todo o volume importado.

Com esse avanço acelerado, o segmento já responde por cerca de 4% de todo o mercado farmacêutico de varejo no País, consolidando-se como um dos nichos mais relevantes da indústria de medicamentos nos últimos anos.

O panorama deve mudar de forma significativa a partir de março de 2026, quando expira a patente da semaglutida, princípio ativo presente no Ozempic e no Wegovy. A expectativa é que o fim da exclusividade estimule uma disputa intensa entre laboratórios interessados em entrar nesse mercado altamente lucrativo.

Empresas nacionais como Biomm, EMS e União Química já se preparam para lançar suas versões. A EMS confirmou a produção em plataforma própria, com investimento superior a R$ 1 bilhão. A Biomm protocolou pedido de registro junto à Anvisa e construiu uma planta industrial avaliada em R$ 800 milhões, em Nova Lima, em Minas Gerais. Já a Eurofarma firmou parceria com a Novo Nordisk e atualmente comercializa marcas como Extensior e Poviztra.

Leia mais: IPTU 2026 já pode ser consultado e emitido pelos contribuintes de Goiânia

Com a entrada dos genéricos, a expectativa do setor é de uma redução significativa nos preços, o que pode abrir caminho para que o Ministério da Saúde avalie a incorporação desses medicamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente para pacientes com obesidade mórbida e alto risco cardiovascular.

Os efeitos do uso das canetas emagrecedoras ultrapassam o campo da saúde e já se refletem nos hábitos de consumo. Um estudo da Universidade de Cornell apontou que, após seis meses de tratamento, as famílias reduzem, em média, 5,3% dos gastos no supermercado, percentual que chega a 8,2% entre as classes de renda mais altas.

No Brasil, um relatório do Itaú BBA indica que o agronegócio deverá sentir mudanças qualitativas no padrão alimentar dos usuários desses medicamentos. A tendência é de queda acentuada na procura por alimentos ultraprocessados, como biscoitos, que registram retração estimada de 10%, além de doces, pães e massas. 

Ao mesmo tempo, o consumo de proteínas tende a aumentar, já que o emagrecimento acelerado pode provocar perda de massa magra, que pode chegar a 38% do peso eliminado, o que leva médicos a recomendarem dietas mais ricas nesse tipo de nutriente.

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