Atividade física e saúde do coração caminham juntas na prevenção de doenças
Especialista alerta para a importância da avaliação cardiológica antes e durante a prática de exercícios, especialmente a partir dos 35 anos
A prática regular de atividade física é uma das principais aliadas da saúde do coração e está diretamente associada à redução do risco de doenças cardiovasculares — que seguem como a principal causa de morte no Brasil e no mundo. Mesmo assim, uma parcela expressiva da população ainda mantém uma rotina sedentária ou pratica exercícios sem acompanhamento médico adequado.
Dentro da campanha Janeiro Dourado, voltada à conscientização sobre a importância da atividade física na prevenção de doenças e na promoção da qualidade de vida, o tema ganha destaque ao colocar a saúde do coração no centro do debate sobre movimento e bem-estar.
Atividade física: mortes evitáveis
Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que a inatividade física está relacionada a milhões de mortes evitáveis todos os anos, principalmente por doenças cardíacas e acidente vascular cerebral. No Brasil, levantamentos do Ministério da Saúde apontam que quase metade da população adulta não atinge os níveis mínimos recomendados de atividade física, o que amplia a exposição a fatores de risco como hipertensão, diabetes e colesterol elevado.
Segundo o cardiologista Thiago Marinho, do Hospital Mater Dei Goiânia, a avaliação cardiológica deve fazer parte da rotina de quem pratica ou pretende intensificar exercícios físicos, especialmente a partir dos 35 anos. “A consulta permite identificar sintomas que muitas vezes passam despercebidos, como dor no peito ou episódios de desmaio, além de avaliar o histórico familiar e realizar um exame físico detalhado”, explica.
Ele destaca que não existe um protocolo único aplicável a todos os pacientes, mas alguns exames costumam ser solicitados com frequência. “O eletrocardiograma, o ecocardiograma transtorácico e o teste ergométrico aumentam a segurança da prática esportiva. Esses exames ajudam a afastar doenças associadas à morte súbita relacionada ao exercício, como a miocardiopatia hipertrófica em pessoas mais jovens e a doença arterial coronariana em adultos acima de 35 anos”, detalha.
Fatores de risco e sinais de alerta

A necessidade de uma investigação cardiológica mais aprofundada aumenta quando há fatores de risco conhecidos. De acordo com o especialista, hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo e histórico familiar de infarto precoce ou morte súbita em jovens exigem atenção especial. “Esses elementos elevam o risco cardiovascular e devem ser considerados antes da prática de atividades mais intensas”, afirma.
Durante o exercício, alguns sinais indicam a necessidade de avaliação médica imediata.“Dor no peito ou desmaio durante a atividade física são situações que exigem atendimento de urgência. Nesses casos, exames como eletrocardiograma e dosagem de troponina ajudam a descartar causas que colocam a vida em risco”, orienta.
Para atletas amadores e praticantes ocasionais, o eletrocardiograma de repouso e o ecocardiograma são exames frequentemente utilizados como parte da avaliação de rotina. “São exames acessíveis, sem riscos e que fornecem informações muito relevantes sobre a estrutura e o funcionamento do coração”, diz.
Outro ponto ressaltado pelo cardiologista é a importância de medidas preventivas em ambientes esportivos. A disponibilidade de desfibriladores externos automáticos em parques, academias e provas de corrida está entre as ações que mais reduzem a gravidade de eventos cardíacos súbitos. “O tempo até o início da reanimação e a aplicação do choque elétrico é determinante para a sobrevida, já que a maioria desses eventos ocorre por arritmias como fibrilação ventricular”, explica.
Leia mais: Carnaval 2026 abre caminho para primeira folga prolongada do ano