quarta-feira, 14 de outubro de 2026
CONFLITO

Keir Starmer chama falas de Trump sobre a Otan de “deploráveis”

Declarações de Trump sobre a Otan e o Afeganistão geram reação europeia, com críticas diretas do premiê britânico

Lalice Fernandespor em
Trump
Foto: Reprodução/ X

As declarações de Donald Trump sobre a Otan e a atuação de aliados motivaram reações de autoridades europeias nesta sexta-feira (23). No Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer se manifestou após comentários do presidente norte-americano relacionados ao Afeganistão.

Starmer, classificou como “ofensivos” e “deploráveis” os comentários de Trump, sobre a atuação de aliados da Otan. “Considero as declarações do presidente Trump ofensivas e, francamente, deploráveis, e não me surpreende que tenham causado tanta dor aos familiares daqueles que foram mortos ou feridos”, disse Starmer a jornalistas.

A resposta veio após Trump voltar a questionar o nível de apoio oferecido pela aliança militar aos interesses de Washington. O republicano chegou a sustentar que forças enviadas por países-membros ao Afeganistão não teriam atuado na linha de frente ao lado dos norte-americanos, afirmação que gerou críticas. O histórico do conflito pesa no debate: o Reino Unido registrou 182 militares mortos em combate no país asiático.

Trump minimiza papel da Otan

Na quinta-feira (22), o presidente dos EUA ampliou a pressão sobre a Otan ao sugerir que o bloco pudesse ser envolvido na política migratória norte-americana. Ele tratou a entrada de migrantes pela fronteira com o México como uma “invasão” e mencionou a possibilidade de recorrer ao Artigo 5 do tratado, cláusula de defesa coletiva prevista para situações de ataque a um integrante da aliança. Em publicação em rede social, escreveu: “Talvez devêssemos ter colocado a Otan à prova: invocado o Artigo 5 e forçado a Otan a vir até aqui proteger nossa fronteira sul contra novas invasões de imigrantes ilegais”.

trump
Foto: Divulgação/ Casa Branca

O dispositivo citado nunca foi empregado para tratar de imigração. Historicamente, o Artigo 5 está associado a agressões armadas contra países da aliança e foi acionado pelos Estados Unidos apenas uma vez, depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.

As declarações ocorrem em meio a atritos diplomáticos entre Washington e governos europeus pela Groenlândia. Na quarta-feira (21), durante o Fórum Econômico Mundial, na Suíça, afirmou que somente seu país teria condições de garantir a segurança da ilha.

Embora tenha dito que não pretende usar a força, voltou a criticar a Otan. “Nunca pedimos nada à Otan e nunca ganhamos nada da aliança. E provavelmente não teremos nada, a menos que eu decida empregar força excessiva”, declarou. “Cuidamos das necessidades da Otan durante anos e anos e somos tratados de forma muito injusta pela aliança”, acrescentou.

Veteranos criticam falas de Trump

As declarações provocaram respostas de autoridades britânicas com histórico de cooperação militar com os norte-americanos. O ministro dos Veteranos do Reino Unido, Alistair Carns, que participou de missões, inclusive ao lado de tropas dos EUA no Afeganistão, classificou as alegações como “completamente ridículas”. “Derramamos sangue, suor e lágrimas juntos. Nem todos voltaram para casa”, disse em vídeo publicado no X.

Houve ainda referências ao fato de Trump ter evitado o serviço militar obrigatório durante a Guerra do Vietnã ao alegar esporões ósseos nos pés. “Trump evitou o serviço militar cinco vezes”, escreveu Ed Davey, líder do Partido Liberal Democrata britânico, no X. “Como ele ousa questionar o sacrifício deles?”, afirmou.

Outros governos europeus também se pronunciaram. O ministro da Defesa da Polônia, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, afirmou que o sacrifício do país “jamais será esquecido e não deve ser diminuído”.

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