sábado, 31 de outubro de 2026
Avanço

Classes A, B e C crescem em Goiás impulsionadas por emprego e renda

Pesquisa da FGV revela que 83,95% da população goiana já integra as faixas de maior renda

Renata Ferrazpor em
Classes
Foto: Divulgação/SGG/ Goiás criou mais de 56 mil vagas com carteira assinada em 2024 e já superou esse número em apenas sete meses de 2025

O avanço do mercado de trabalho e o fortalecimento de políticas públicas integradas colocaram Goiás em um novo patamar social. Pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) revela que 83,95% da população goiana passou a integrar as classes A, B e C, um aumento de 5,87 pontos percentuais entre 2022 e 2024. 

O dado indica não apenas crescimento da renda, mas uma mudança estrutural no perfil socioeconômico do Estado, impulsionada principalmente pelo aumento do emprego formal e pela combinação entre trabalho, transferência de renda, educação e acesso ao crédito.

O resultado reflete um movimento consistente de mobilidade social. Em dois anos, Goiás saltou de 78,08% para quase 84% da população concentrada nas faixas de renda média e alta, acompanhando uma tendência nacional em que 17,4 milhões de brasileiros deixaram a pobreza, segundo o mesmo estudo. 

No entanto, o desempenho goiano se destaca pelo ritmo acelerado e pela sustentação em bases produtivas, com impacto direto no consumo, na redução da vulnerabilidade social e no fortalecimento das economias locais.

Mercado de trabalho em expansão sustenta avanço social das classes

O principal motor dessa transformação está no mercado de trabalho. Dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), analisados pelo Instituto Mauro Borges (IMB), mostram que Goiás liderou o crescimento proporcional do emprego formal no Brasil em 2025, com alta de 3,56% no número de vínculos com carteira assinada entre janeiro e maio. O percentual supera a média nacional (2,23%) e a do Centro-Oeste (3,22%).

Somente nesse período, o Estado acumulou 56.126 novas vagas formais, com crescimento em todos os grandes setores econômicos. O estoque total de empregos com carteira assinada atingiu um marco histórico de mais de 1,63 milhão de vínculos ativos, consolidando uma trajetória de expansão contínua. 

A taxa de desemprego caiu para 4,4%, a menor em cerca de 12 anos, enquanto o número de pessoas ocupadas chegou a 3,89 milhões, segundo a PNAD Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esse cenário tem reflexos diretos na renda. O rendimento médio real mensal dos trabalhadores goianos alcançou R$ 3.437, o maior da série histórica, e a massa salarial bateu recorde ao somar R$ 13,3 bilhões. 

A combinação entre mais empregos e salários mais altos ampliou o poder de compra das famílias e contribuiu para a migração de milhares de domicílios das classes D e E para a classe C e, em muitos casos, para a classe B.

Emprego formal amplia renda, crédito e segurança financeira

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Foto: Divulgação/IMB

Para o economista Leonardo Ferraz, o crescimento do emprego formal é o eixo central dessa mudança social. Segundo ele, o primeiro fator é o aumento da renda própria do trabalhador, com mais pessoas ocupando postos com melhores salários. “O crescimento do emprego com carteira assinada, aliado à migração da renda informal para a formal, eleva significativamente o poder aquisitivo das famílias”, explica.

Ferraz destaca que a renda estável garante previsibilidade financeira e acesso a direitos trabalhistas, como FGTS, férias, 13º salário, seguro-desemprego e aposentadoria, o que melhora a condição econômica no médio e longo prazo. 

“Essa estabilidade permite que as famílias planejem o consumo, invistam em educação e saúde e reduzam riscos. Muitas que antes dependiam exclusivamente de programas sociais passam a integrar a classe C e, em alguns casos, a classe B”, afirma.

Os setores que mais puxam essa geração de vagas são tradicionais na economia goiana. O setor de serviços lidera em volume absoluto de empregos, seguido pela indústria, comércio, agropecuária, agroindústria e construção civil, que apresentou crescimento percentual expressivo em 2025. Essa diversidade setorial contribui para a resiliência da economia e para a absorção de mão de obra em diferentes níveis de qualificação.

Políticas públicas complementam renda e reduzem desigualdades

Além do emprego, a integração de políticas públicas tem papel decisivo no avanço social. Programas como o Bolsa Família, o Benefício de Prestação Continuada (BPC), iniciativas de qualificação profissional, acesso à educação e linhas de crédito para pequenos negócios, como o programa Acredita, funcionam como uma rede de apoio que complementa a renda do trabalho.

De acordo com especialistas, essa nova geração de políticas públicas vai além do assistencialismo. O Bolsa Família, por exemplo, mantém uma base mínima de renda enquanto incentiva a inserção produtiva. Dados recentes mostram que uma parcela significativa dos novos empregos formais foi ocupada por beneficiários do Cadastro Único, indicando uma transição gradual da dependência para a autonomia financeira.

O BPC, por sua vez, garante proteção a idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade, especialmente em municípios menores, onde o impacto do benefício na economia local é ainda mais relevante. Já os programas de educação e qualificação profissional, muitos deles integrados ao ensino médio, alinham a formação da mão de obra às demandas reais do mercado, fortalecendo setores estratégicos.

Apesar do cenário positivo, os desafios permanecem. A informalidade, embora em queda, ainda atinge 35% dos trabalhadores, e a desigualdade de renda segue como um obstáculo estrutural. Há também o risco de dependência excessiva de setores específicos, o que pode tornar a economia mais sensível a choques externos.

Para Ferraz, a sustentabilidade do crescimento passa pela continuidade das políticas públicas e pelo investimento em qualificação. “É fundamental fortalecer a educação, a inclusão digital, a inovação e a diversificação produtiva. Só assim será possível manter a geração de empregos de qualidade e evitar retrocessos”, avalia.

O dado de que mais de 80% da população goiana está nas classes A, B e C sintetiza uma transformação em curso. O avanço é resultado direto da combinação entre crescimento do emprego formal, aumento da renda e políticas públicas integradas, que ampliam oportunidades e reduzem vulnerabilidades.

O desafio, agora, é garantir que esse movimento continue de forma sustentável, com inclusão, qualidade dos empregos e redução das desigualdades regionais. Se mantido o ritmo atual, Goiás tende a consolidar um novo patamar de desenvolvimento social, ancorado no trabalho, na renda e na ampliação do acesso a direitos e oportunidades.

Leia mais: Justiça obriga Prefeitura de Goiânia a fazer obras em pontes e viadutos após alerta de risco à população

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