sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Saúde

Ronco frequente pode ser sinal de apneia e risco cardiovascular

Consumo de álcool, obesidade e doenças alérgicas estão entre os elementos que contribuem para o ronco

Leticia Mariellepor em
ronco
Ronco frequente pode ser sinal de apneia e risco cardiovascular. | Foto: Reprodução/Freepik

O ronco, frequentemente tratado como um incômodo cotidiano ou motivo de brincadeira, pode representar mais do que um simples ruído noturno. Especialistas alertam que o som produzido durante o sono, em alguns casos, está associado a alterações importantes no funcionamento do organismo e pode indicar problemas de saúde que exigem investigação médica.

O fenômeno ocorre, em geral, durante o sono, quando os músculos da garganta e do pescoço relaxam e reduzem o espaço por onde o ar circula. Essa passagem mais estreita provoca a vibração dos tecidos, originando o ronco. Situações pontuais, como dormir de barriga para cima, costumam intensificar esse efeito e são consideradas comuns. O sinal de alerta surge quando o barulho se torna frequente, intenso e persistente.

Nesses casos, o ronco pode estar relacionado a alterações nas estruturas das vias aéreas superiores, como o palato mole, a úvula e até a língua, que vibram com maior intensidade durante a respiração. Fatores anatômicos, consumo de álcool, uso de medicamentos sedativos, alterações hormonais, obesidade e doenças alérgicas estão entre os elementos que contribuem para o problema.

Estudos indicam que o ronco é mais prevalente entre homens, devido a características anatômicas que favorecem a obstrução da faringe. Essa condição ajuda a explicar a maior incidência de apneia do sono no público masculino. A apneia é caracterizada por interrupções da respiração por períodos superiores a dez segundos durante o sono e não afeta todos os indivíduos que roncam, embora a associação entre os dois quadros seja relativamente comum.

Quando presentes, essas pausas respiratórias comprometem a oxigenação do organismo e podem desencadear sintomas como sonolência excessiva durante o dia, irritabilidade, dificuldade de concentração e falhas de memória. Dados divulgados pela Revista da Associação Médica Brasileira estimam que a apneia obstrutiva do sono atinja cerca de 4% dos homens em idade produtiva, com incidência significativamente menor entre as mulheres.

A condição pode afetar pessoas de todas as idades, mas é mais frequente na faixa etária entre 40 e 50 anos. A obesidade é apontada como o principal fator de risco, embora não seja o único. Alterações nas estruturas do nariz e da garganta, como desvio de septo, aumento das amígdalas e presença de pólipos, também estão entre as causas mais comuns.

Além do impacto na qualidade do sono, o ronco associado à apneia pode trazer consequências mais graves. As repetidas interrupções respiratórias estimulam a liberação de adrenalina, aumentam a pressão arterial e favorecem a resistência à insulina, elevando o risco de hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares, incluindo infarto e acidente vascular cerebral.

Diante desse cenário, especialistas reforçam que o ronco não deve ser negligenciado. Embora muitas vezes seja benigno, ele pode ser o primeiro sinal de um distúrbio que compromete a saúde a longo prazo. A avaliação médica é fundamental para identificar a causa, indicar o tratamento adequado e prevenir complicações, garantindo mais qualidade de vida e noites de sono mais seguras.

Quando o ronco deixa de ser normal

Na maioria dos casos, o ronco excessivo só é percebido após reclamações de familiares ou parceiros de quarto, o que faz com que o problema demore a ser reconhecido. Ainda assim, alguns sinais funcionam como alerta de que o quadro ultrapassou o limite do considerado normal. Entre eles estão a sensação de sono não reparador, com cansaço persistente ao longo do dia, despertares noturnos frequentes e alterações cognitivas, como dificuldade de concentração, lapsos de memória e redução da atenção.

Outros sintomas também costumam estar associados ao ronco intenso, como fadiga constante, irritabilidade, sonolência excessiva durante o dia, a ponto de a pessoa adormecer em situações inadequadas, além de diminuição da libido e episódios de disfunção sexual. Esses sinais indicam que o sono não está cumprindo sua função restauradora e podem apontar para distúrbios mais complexos, como a apneia do sono.

Após o diagnóstico clínico, diferentes abordagens terapêuticas podem ser adotadas, de acordo com a causa identificada. Em situações mais leves, mudanças simples no hábito de dormir já apresentam bons resultados. Ajustar a posição na cama, especialmente evitando dormir de barriga para cima, pode reduzir significativamente o ronco quando ele está relacionado a fatores pontuais, como infecções respiratórias. O uso de travesseiros mais elevados ou modelos específicos antirronco também contribui para manter as vias aéreas superiores desobstruídas.

Medidas complementares fazem parte do tratamento em muitos casos. A perda de peso em pacientes com obesidade, a interrupção do tabagismo, o controle de alergias e doenças respiratórias, a prática regular de atividades físicas e o acompanhamento da pressão arterial são estratégias frequentemente indicadas por especialistas. Exercícios voltados ao fortalecimento da musculatura da garganta também podem auxiliar na redução do problema.

Em quadros considerados mais graves, podem ser recomendados tratamentos específicos, como o uso de dilatadores nasais, medicamentos intranasais à base de corticoides e procedimentos cirúrgicos, entre eles a retirada das adenoides. Um dos métodos mais eficazes para casos selecionados é o uso do CPAP, equipamento que aplica pressão positiva contínua nas vias aéreas, mantendo-as abertas durante o sono e garantindo uma respiração adequada ao longo da noite.

Quando as abordagens conservadoras não apresentam resultados satisfatórios, a cirurgia pode ser considerada. A uvulopalatofaringoplastia é um dos procedimentos utilizados para ampliar o espaço das vias aéreas superiores. O tratamento pode ainda ser associado à fonoterapia, com exercícios específicos para fortalecer a musculatura envolvida na respiração, contribuindo para a melhora da qualidade do sono e da saúde geral.

Avaliação médica é essencial para identificar a causa do ronco

Para investigar o ronco, a orientação é procurar um otorrinolaringologista ou um especialista em medicina do sono. O diagnóstico considera os sintomas, o histórico de saúde e, muitas vezes, relatos de familiares sobre o que ocorre durante a noite. Exames como a laringoscopia e a polissonografia podem ser solicitados para identificar distúrbios respiratórios do sono. Com a avaliação correta, é possível indicar o tratamento adequado e melhorar a qualidade do sono e da vida diária.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
apneia risco cardiovascular ronco

Veja também

Goiânia recebe neste domingo (8) a Corrida 100% Você

ESPORTE

Goiânia recebe neste domingo (8) a Corrida 100% Você

Evento idealizado por Bell Marques e pelos filhos Rafa e Pipo terá percursos de 5 km e 10 km, com l...
marília mendonça

ETERNAS SAUDADES

5 anos sem Marília Mendonça: relembre a trajetória e os sucessos da Rainha da Sofrência

Da composição na adolescência aos grandes palcos, cantora goiana conquistou espaço no sertanejo ...
Horóscopo do dia (06/11): veja as previsões para o seu signo

ASTROS

Horóscopo do dia (05/11): veja as previsões para o seu signo

Quinta-feira traz reflexões sobre relacionamentos, oportunidades profissionais e organização das ...
Seu pet pode ter o sobrenome da família; veja como fazer o registro

CARAMELO COM NOME E SOBRENOME!

Seu pet pode ter o sobrenome da família; veja como fazer o registro

Documento reúne informações do animal e de quem cuida dele e pode ajudar em situações como desa...
Anvisa aprova semaglutida em comprimido para tratar obesidade

NOVA ALTERNATIVA

Anvisa aprova semaglutida em comprimido para tratar obesidade

Wegovy oral contém o mesmo princípio ativo da versão injetável e amplia as opções para pacient...
Seu pet é realmente feliz? Veja os sinais que ajudam a descobrir

INCONFUNDÍVEL!

Seu pet reconhece você pelo cheiro? Veja o que estudos mostram sobre cães e gatos

Animais conseguem diferenciar odores familiares e desconhecidos, mas também usam a voz, a aparênci...
horóscopo

SIGNOS

2027 começa em novembro? Entenda a previsão da astrologia para esta quarta-feira (04)

Entrada de Marte na sombra pré-retrogradação, em 4 de novembro, marca simbolicamente um ciclo de ...
Horóscopo

ASTROS

Horóscopo do dia (04/11): veja as previsões para o seu signo

Quarta-feira convida a organizar prioridades, conversar com clareza e encontrar espaço para os proj...