Mindfulness se mostra tão eficaz quanto antidepressivo
O programa de mindfulness teve duração de oito semanas e combinou aulas presenciais
Um estudo clínico inédito aponta que práticas de mindfulness, conhecidas como técnicas de atenção plena, podem ser tão eficazes quanto medicamentos antidepressivos no tratamento dos transtornos de ansiedade. A pesquisa indica redução de até 30% nos sintomas entre os participantes, resultado semelhante ao obtido com o uso do escitalopram, fármaco considerado padrão-ouro nessa área.
Conduzido entre 2018 e 2020 em hospitais de Boston, Nova York e Washington, nos Estados Unidos, o estudo acompanhou 276 pacientes adultos diagnosticados com transtornos de ansiedade. Os voluntários foram divididos aleatoriamente em dois grupos: um recebeu tratamento medicamentoso, enquanto o outro participou de um programa estruturado de redução do estresse baseado em mindfulness (MBSR).
Os transtornos de ansiedade, que incluem quadros como ansiedade generalizada, fobia social e síndrome do pânico, estão entre os problemas de saúde mental mais prevalentes no mundo. Apesar da eficácia dos medicamentos, muitos pacientes abandonam o tratamento devido a efeitos colaterais como sonolência, náuseas e dor de cabeça, o que reforça a busca por abordagens alternativas ou complementares.
O programa de mindfulness teve duração de oito semanas e combinou aulas presenciais, um retiro intensivo e práticas diárias realizadas em casa. Ao final do acompanhamento, os pesquisadores observaram que os níveis de ansiedade diminuíram de forma semelhante nos dois grupos, fortalecendo a evidência científica em favor das práticas integrativas.

Especialistas avaliam que os resultados contribuem para ampliar as possibilidades terapêuticas e reduzir o preconceito em relação a métodos não farmacológicos, especialmente em países como o Brasil, que registram altos índices de transtornos de ansiedade.
Avaliações realizadas ao longo de até 24 semanas mostraram que tanto a meditação baseada em mindfulness quanto o uso de antidepressivos apresentaram eficácia semelhante no controle da ansiedade. No estudo, os sintomas foram medidos no início do acompanhamento e reavaliados após oito, 12 e 24 semanas, por meio de escalas padronizadas e com análise cega, sem que os pesquisadores soubessem qual tratamento cada participante havia recebido.
Os dados indicaram redução média de 30% nos sintomas de ansiedade em ambos os grupos. Entre os pacientes que participaram do programa de mindfulness, a queda foi de 1,35 ponto na escala de avaliação, enquanto aqueles que utilizaram escitalopram registraram diminuição média de 1,43 ponto, diferença considerada estatisticamente equivalente.
Apesar da eficácia semelhante, o uso do medicamento esteve associado a maior incidência de efeitos colaterais, como distúrbios do sono, náuseas, fadiga, dor de cabeça, perda de apetite, tontura e nervosismo. Já o grupo submetido ao programa de redução do estresse apresentou menor ocorrência desses sintomas adversos.
Para especialistas, os resultados fortalecem a adoção de abordagens não farmacológicas no cuidado com a saúde mental. A pesquisa aponta que práticas integrativas podem atuar como alternativas ou complementos ao tratamento convencional, ampliando as opções terapêuticas e estimulando o autocuidado dos pacientes.