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sábado, 24 de janeiro de 2026
Saúde

Mindfulness se mostra tão eficaz quanto antidepressivo

O programa de mindfulness teve duração de oito semanas e combinou aulas presenciais

Leticia Mariellepor Leticia Marielle em 24 de janeiro de 2026
Mindfulness
Mindfulness se mostra tão eficaz quanto antidepressivo. | Foto: Reprodução/Freepik

Um estudo clínico inédito aponta que práticas de mindfulness, conhecidas como técnicas de atenção plena, podem ser tão eficazes quanto medicamentos antidepressivos no tratamento dos transtornos de ansiedade. A pesquisa indica redução de até 30% nos sintomas entre os participantes, resultado semelhante ao obtido com o uso do escitalopram, fármaco considerado padrão-ouro nessa área.

Conduzido entre 2018 e 2020 em hospitais de Boston, Nova York e Washington, nos Estados Unidos, o estudo acompanhou 276 pacientes adultos diagnosticados com transtornos de ansiedade. Os voluntários foram divididos aleatoriamente em dois grupos: um recebeu tratamento medicamentoso, enquanto o outro participou de um programa estruturado de redução do estresse baseado em mindfulness (MBSR).

Os transtornos de ansiedade, que incluem quadros como ansiedade generalizada, fobia social e síndrome do pânico, estão entre os problemas de saúde mental mais prevalentes no mundo. Apesar da eficácia dos medicamentos, muitos pacientes abandonam o tratamento devido a efeitos colaterais como sonolência, náuseas e dor de cabeça, o que reforça a busca por abordagens alternativas ou complementares.

O programa de mindfulness teve duração de oito semanas e combinou aulas presenciais, um retiro intensivo e práticas diárias realizadas em casa. Ao final do acompanhamento, os pesquisadores observaram que os níveis de ansiedade diminuíram de forma semelhante nos dois grupos, fortalecendo a evidência científica em favor das práticas integrativas.

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O programa de mindfulness teve duração de oito semanas e combinou aulas presenciais. | Foto: Reprodução/Freepik

Especialistas avaliam que os resultados contribuem para ampliar as possibilidades terapêuticas e reduzir o preconceito em relação a métodos não farmacológicos, especialmente em países como o Brasil, que registram altos índices de transtornos de ansiedade.

Avaliações realizadas ao longo de até 24 semanas mostraram que tanto a meditação baseada em mindfulness quanto o uso de antidepressivos apresentaram eficácia semelhante no controle da ansiedade. No estudo, os sintomas foram medidos no início do acompanhamento e reavaliados após oito, 12 e 24 semanas, por meio de escalas padronizadas e com análise cega, sem que os pesquisadores soubessem qual tratamento cada participante havia recebido.

Os dados indicaram redução média de 30% nos sintomas de ansiedade em ambos os grupos. Entre os pacientes que participaram do programa de mindfulness, a queda foi de 1,35 ponto na escala de avaliação, enquanto aqueles que utilizaram escitalopram registraram diminuição média de 1,43 ponto, diferença considerada estatisticamente equivalente.

Apesar da eficácia semelhante, o uso do medicamento esteve associado a maior incidência de efeitos colaterais, como distúrbios do sono, náuseas, fadiga, dor de cabeça, perda de apetite, tontura e nervosismo. Já o grupo submetido ao programa de redução do estresse apresentou menor ocorrência desses sintomas adversos.

Para especialistas, os resultados fortalecem a adoção de abordagens não farmacológicas no cuidado com a saúde mental. A pesquisa aponta que práticas integrativas podem atuar como alternativas ou complementos ao tratamento convencional, ampliando as opções terapêuticas e estimulando o autocuidado dos pacientes.

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