Governo incentiva caça a javalis para controle da espécie
Estratégia aproveita concentração de animais em áreas elevadas após cheias
Autoridades australianas passaram a contratar caçadores especializados para reduzir a população de javalis em regiões atingidas por enchentes no noroeste de Queensland. A estratégia foi divulgada pelo site Beef Central e envolve ações coordenadas entre governos, entidades do setor rural e órgãos ambientais.
A iniciativa aproveita uma janela operacional criada após as inundações. Com a elevação do nível da água, os javalis ficam concentrados em áreas mais altas, como margens de rios e elevações do terreno. Dessa forma, os grupos tornam-se mais expostos e localizáveis, o que aumenta a eficiência das ações de controle em comparação a períodos de normalidade, quando os animais se dispersam e utilizam áreas de vegetação densa como abrigo.
Segundo o Beef Central, a entidade AgForce comunicou o governo sobre a necessidade de atuação imediata. A avaliação é que uma resposta rápida reduz riscos futuros, especialmente em um cenário no qual propriedades rurais ainda enfrentam danos estruturais provocados pelas enchentes.

Enchentes ampliam risco de crescimento populacional
Além dos impactos diretos causados pelas inundações, autoridades alertam para o risco posterior à retração das águas. Quando o solo começa a secar, a combinação entre disponibilidade de água, alimento e áreas abertas favorece a recuperação e a reprodução acelerada dos javalis.
Esse cenário preocupa produtores rurais, já que cercas danificadas e áreas fragilizadas facilitam a circulação dos animais. O aumento da população pode intensificar prejuízos no campo, ampliar riscos sanitários e afetar rebanhos e lavouras.
A ministra federal de Gestão de Emergências da Austrália, Kristy McBain, afirmou que a destruição de cercas cria condições para novos danos, caso o controle não seja feito de forma imediata. Já o ministro de Indústrias Primárias de Queensland, Tony Perrett, destacou que o momento pós-enchente é considerado estratégico para evitar impactos ambientais e econômicos nos meses seguintes.

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Coordenação entre setor rural e órgãos ambientais
As ações de controle também envolvem áreas protegidas. De acordo com o Beef Central, o departamento responsável atua em parceria com o Queensland Parks and Wildlife Service para coordenar operações em unidades de conservação e regiões sensíveis do ponto de vista ambiental.
A iniciativa integra um pacote mais amplo de apoio ao produtor rural, inserido em programas de recuperação de desastres. O controle populacional faz parte do Primary Producer Support Package, que soma US$ 11,32 milhões, dentro dos acordos de financiamento vinculados ao Disaster Recovery Funding Arrangements (DRFA), após o evento climático conhecido como North Queensland Monsoon Trough.

Reflexos para o Brasil
O cenário australiano dialoga com a realidade brasileira. No Brasil, o javali e seus cruzamentos são considerados uma das principais espécies invasoras, com registros de prejuízos em diferentes regiões do país. Entre os impactos associados estão danos a lavouras, ataques a animais domésticos, destruição de cercas, risco sanitário e pressão sobre a biodiversidade.
Eventos climáticos extremos, como enchentes, secas e queimadas, também alteram o deslocamento dos animais no território brasileiro. Assim, especialistas apontam que esses períodos podem concentrar grupos em áreas específicas, o que demanda planejamento, resposta rápida e coordenação entre produtores e órgãos ambientais para ações de controle mais eficientes.