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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
Água da Chuva

Alagamentos recorrentes evidenciam falhas estruturais na drenagem de Goiânia

Prefeitura está na reta final do planejamento para investimentos para solucionar problemas de infraestrutura em Goiânia

João Césarpor João César em 29 de janeiro de 2026
Goiânia
Alagamentos são problemas crônicos e históricos na Capital - Foto: Paulo Pinto/ABr

Nos últimos meses, Goiânia tem enfrentado diversos problemas em decorrência das chuvas intensas. Recentemente, foi noticiada a situação de famílias no Jardim Curitiba 4, que perderam tudo após o desmoronamento de suas casas provocado pelas chuvas. Do outro lado da cidade, no Jardim Mirabel, moradores tiveram as residências invadidas pela água do ribeirão Anicuns, que transbordou e inundou a região durante as chuvas do dia 20.

Em nota ao O HOJE, a Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Habitação e Regularização Fundiária (Sehab), informou que duas das três famílias atingidas pelo desabamento no Jardim Curitiba 4 já estão em novas residências, que terão o aluguel custeado por três meses por meio de uma parceria entre a prefeitura e uma organização não governamental (ONG). A terceira família está temporariamente na casa de parentes, enquanto busca um imóvel, que também será custeado pela mesma parceria.

Além disso, as três famílias foram inseridas, com prioridade, no programa habitacional do município, por residirem em áreas de risco. Elas também aguardam aprovação no Programa Aluguel Social, da Agência Goiana de Habitação (Agehab).

Na noite da última terça-feira (27), o córrego Taquaral, na região Oeste de Goiânia, transbordou e alagou ruas próximas. A ponte que interliga alguns bairros da região teve o tráfego interrompido. De acordo com a Defesa Civil, outros córregos das regiões Sudoeste e Oeste também transbordaram. Equipes do órgão estiveram nos locais e adotaram medidas de segurança até a chegada da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), responsável pela limpeza das vias e dos canais.

Os episódios evidenciam que a infraestrutura urbana da Capital não tem sido capaz de suportar grandes volumes de chuva, especialmente em áreas periféricas. A situação do ribeirão Anicuns, por exemplo, já se tornou crônica, assim como em diversos outros pontos da cidade. Segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra), essas áreas são monitoradas pela pasta em conjunto com a Defesa Civil. A secretaria informou ainda que realiza ações emergenciais conforme a demanda e executa obras preventivas em diferentes bacias hidrográficas de Goiânia.

Ainda em nota, a Seinfra informou que a Prefeitura de Goiânia está na reta final da elaboração dos projetos que farão parte do pacote de investimentos a ser lançado ainda este ano pelo prefeito Sandro Mabel (União Brasil), com o objetivo de solucionar os principais problemas estruturais da cidade. A pasta também detalhou ações de limpeza, manutenção e ampliação da rede de drenagem urbana para evitar alagamentos. Somente em 2025, segundo a secretaria, foram limpas 30.395 bocas de lobo e retiradas 371,29 toneladas de resíduos sólidos desses dispositivos.

Na região do Jardim Mirabel, equipes da Seinfra reforçaram a barreira de proteção — o dique — ao longo do ribeirão Anicuns, conforme informou a Defesa Civil.

Outro ponto de alerta é o córrego Fundo, na região Noroeste, onde está localizado o Jardim Curitiba 4. Além do desmoronamento de residências, ruas da Vila Finsocial também têm sido alagadas durante as chuvas. De acordo com documento da Defesa Civil, o córrego transborda sobre o asfalto das ruas VF-88 e VF-82, gerando riscos à população local. Durante as vistorias, os técnicos também identificaram acúmulo de lixo no leito do córrego, próximo a pontes com manilhas no Finsocial, o que agrava ainda mais a situação.

O coordenador da Defesa Civil, Robledo Mendonça, afirmou que equipes da Comurg realizam serviços de limpeza e desobstrução dos canais na região do córrego Fundo após os episódios de chuva.

Mesmo com as ações emergenciais, o problema persiste. Diante desse cenário, especialistas e autoridades apontam a necessidade de compreender as causas estruturais das inundações e de adotar soluções efetivas e de longo prazo.

A arquiteta e urbanista Maria Ester destaca que, no caso dos alagamentos, um dos fatores centrais é o excesso de áreas impermeabilizadas, como asfalto, concreto e edificações. Segundo ela, essas estruturas ocupam espaços que, naturalmente, deveriam permitir o escoamento da água da chuva até seu destino final. Com isso, as ruas passam a funcionar como verdadeiros canais, por onde a água escoa com grande intensidade, sem possibilidade de absorção adequada pelo solo.

Para a especialista, as medidas de prevenção a inundações precisam ser revistas, com planejamento mais eficiente. Ela ressalta que a água da chuva sempre seguirá seu curso natural e que a simples ampliação de áreas verdes não é suficiente, já que a capacidade de absorção depende do tipo de vegetação e das características do solo.

Entre as alternativas apontadas para reduzir os impactos das chuvas em Goiânia estão soluções de microdrenagem urbana. “Nas calçadas da cidade, a gente poderia usar instrumentos de microdrenagem, como jardins de chuva ou pequenos poços de infiltração. Também é possível utilizar árvores para criar pequenas bacias, ajudando a reter a água nesses locais”, explica.

Tempo em Goiânia deve ficar instável nesta quinta (29)

Goiânia
Excesso de áreas impermeabilizadas contribui para a perpetuação do problema – Foto: Divulgação/ Defesa Civil de Goiânia

Nesta quinta-feira (29), Goiânia deve registrar uma combinação de calor e umidade, com tempo instável e condições favoráveis à formação de nuvens de chuva que podem evoluir rapidamente para tempestades localizadas, segundo o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo).

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a temperatura mínima deve ficar em torno de 21°C, enquanto a máxima pode alcançar os 32°C ao longo do dia. Pela manhã, o tempo permanece com muitas nuvens e possibilidade de chuva isolada. Os ventos sopram fracos, predominando do quadrante nordeste a norte.

Conforme o informativo do Cimehgo, a Capital deve registrar cerca de 15 milímetros de chuva nesta quinta-feira, concentrados principalmente no período da tarde, em razão da elevação das temperaturas.

Ao longo da semana, Goiânia pode acumular até 150 milímetros de chuva. Diante desse cenário, a Capital permanece em estado de alerta para a ocorrência de chuvas intensas em curto intervalo de tempo.

Segundo o Cimehgo, a combinação de calor elevado e alta umidade favorece o desenvolvimento de núcleos convectivos mais intensos e organizados, aumentando o risco de tempestades isoladas, com rajadas de vento, descargas elétricas e chuvas fortes.

A recomendação é que moradores de Goiânia e de outros municípios goianos acompanhem os alertas meteorológicos e adotem medidas preventivas, especialmente em áreas com histórico de alagamentos, enxurradas e quedas de árvores.

 

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