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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
TENSÃO NO ORIENTE MÉDIO

Trump considera ataques ao Irã para incentivar protestos

Buscando “mudança de regime”, norte-americano avalia ataques ao Irã para estimular protestos e pressionar o governo

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 29 de janeiro de 2026
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Foto: Divulgação/ Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avalia ordenar ataques direcionados a forças de segurança e a lideranças do Irã com o objetivo de estimular novos protestos no país, segundo relataram à Reuters fontes do governo norte-americano, de acordo com o G1. De acordo com dois desses informantes, o plano buscaria criar condições para uma “mudança de regime” após a repressão que encerrou um movimento nacional de manifestações no início do mês, episódio que, segundo organizações não governamentais, deixou mais de 6 mil mortos.

As fontes afirmaram que Trump analisa medidas contra comandantes e instituições iranianas que Washington considera responsáveis pela violência. A avaliação é que ações desse tipo poderiam encorajar manifestantes a ocupar prédios governamentais e instalações de segurança. O presidente, porém, ainda não tomou decisão final, inclusive sobre a possibilidade de recorrer à força militar.

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Foto: Divulgação/ Casa Branca

Outro integrante do governo ouvido pela agência disse que também está em discussão uma alternativa de ataque de maior escala, pensada para produzir efeito duradouro. Entre os alvos considerados estariam mísseis balísticos iranianos capazes de atingir aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio e estruturas ligadas aos programas de enriquecimento nuclear de Teerã. Segundo uma das fontes, o Irã resiste a negociar limitações para seus mísseis, que vê como principal instrumento de dissuasão diante de Israel.

A recente chegada de um porta-aviões dos EUA e de navios de apoio à região ampliou a capacidade operacional de Washington, após repetidas ameaças de intervenção feitas por Trump em reação à repressão interna iraniana. Apesar disso, quatro autoridades árabes, três diplomatas ocidentais e uma fonte ocidental de alto escalão disseram à agência temer que ataques norte-americanos, em vez de fortalecer os protestos, acabem enfraquecendo o movimento.

Irã reage às ameaças de Trump

Na quarta-feira (28), Trump voltou a pressionar Teerã a negociar um acordo sobre armas nucleares e advertiu que qualquer novo ataque dos EUA seria “muito pior” do que a campanha de bombardeios realizada em junho de 2025 contra três instalações nucleares. Ele também descreveu a presença naval norte-americana na região como uma “armada” em direção ao Irã.

Em resposta às declarações de Trump, o governo iraniano afirmou que qualquer ofensiva será tratada como início de guerra e prometeu reação imediata e ampla. Em publicação na rede social X, o conselheiro sênior de Khamenei, Ali Shamkhani, declarou: “Um ataque limitado é uma ilusão. Qualquer ação militar dos EUA, de qualquer origem e em qualquer nível, será considerada o início de uma guerra, e sua resposta será imediata, abrangente e sem precedentes, visando o agressor, o coração de Tel Aviv e todos os apoiadores do agressor”.

Rússia planeja funcionários de usina iraniana

Ainda, o aumento da tensão provocou movimentos da Rússia. Alexei Likhachev, chefe da estatal nuclear russa, disse à agência TASS que Moscou está pronta para retirar seus funcionários da usina de Bushehr, se necessário. A instalação é a única usina nuclear em operação no Irã construída pela Rússia, que ainda desenvolve novas estruturas no complexo. Likhachev já havia alertado que um eventual ataque ao local poderia provocar um desastre comparável ao de Chernobyl.

O russo afirmou que espera o respeito à inviolabilidade da área, mas que autoridades russas acompanham a situação e preparam possíveis medidas de evacuação. O Irã nega buscar armas nucleares, enquanto Moscou sustenta o direito iraniano ao uso pacífico da energia nuclear.

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