Indústria de máquinas cresce 7,3% em 2025, impulsionado por mercado interno
Dados da Abimaq mostram que investimentos em agronegócio, mineração e infraestrutura sustentaram o setor, apesar da desaceleração no último trimestre.
A indústria brasileira de máquinas e equipamentos encerrou 2025 em trajetória de crescimento, mas com sinais claros de perda de fôlego ao longo do segundo semestre. Dados divulgados pela Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) mostram que a receita líquida total do setor avançou 7,3% em relação a 2024, alcançando cerca de R$ 299 bilhões. O desempenho foi sustentado principalmente pelo mercado interno, que compensou a desaceleração observada nos meses finais do ano, em um ambiente marcado por juros elevados, crédito restrito e maior incerteza externa.
Apesar do resultado positivo no acumulado, dezembro confirmou o movimento de desaceleração. O mês registrou queda de 9,9% em relação a novembro e retração próxima de 3% na comparação anual, refletindo o impacto direto da política monetária restritiva sobre os investimentos produtivos.
Mercado interno sustenta crescimento do setor
A receita líquida de vendas no mercado doméstico somou R$ 221,7 bilhões em 2025, alta de 8,4% sobre o ano anterior. Segundo a Abimaq, o desempenho foi impulsionado principalmente pelos investimentos nos setores agrícola, extrativo e de infraestrutura, que mantiveram projetos ativos mesmo diante do encarecimento do crédito.
O consumo aparente de máquinas e equipamentos, indicador que soma a produção nacional destinada ao mercado interno às importações, alcançou R$ 410,9 bilhões, crescimento de 7,9% na comparação anual. O avanço reflete a força do primeiro semestre, quando o setor chegou a registrar crescimento de dois dígitos, antes do início do processo de arrefecimento observado a partir de meados de 2025.

Segundo semestre revela desaceleração da atividade
A desaceleração ficou mais evidente no último trimestre do ano, quando o consumo aparente recuou 7,5%, totalizando cerca de R$ 30,2 bilhões. A receita líquida do setor também apresentou retração, com queda de 2,8% no quarto trimestre frente ao mesmo período de 2024.
A utilização da capacidade instalada encerrou dezembro em 78,4%, patamar 5,2 pontos percentuais acima do registrado um ano antes. Ainda assim, a carteira média de pedidos ficou 2,2% abaixo de 2024, sinalizando que o setor já opera em um nível mais moderado de atividade, compatível com o atual ciclo econômico.
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Exportações crescem, mas importações batem recorde
No mercado externo, as exportações de máquinas e equipamentos cresceram 5% em 2025, após a queda registrada em 2024, totalizando US$ 13,8 bilhões. O aumento do volume exportado e a recuperação das vendas para América Latina e Europa compensaram a desaceleração do mercado norte-americano e a queda dos preços internacionais.
As medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos, incluindo o aumento de tarifas sobre máquinas brasileiras, impactaram diretamente o desempenho externo, com queda superior a 9% nas exportações para o país. Ainda assim, o setor conseguiu manter crescimento ao diversificar destinos e ampliar a presença em mercados regionais.
Por outro lado, as importações atingiram US$ 32,2 bilhões, alta de 8,3% e novo recorde histórico. Máquinas importadas já representam 46% do consumo nacional, com forte presença de produtos de origem chinesa, ampliando o déficit da balança comercial do setor para mais de US$ 18 bilhões, crescimento de 10,9% em relação a 2024.

Emprego cresce, mas juros limitam perspectivas para 2026
O setor encerrou 2025 com 414,3 mil trabalhadores, acréscimo de 15.512 postos de trabalho em relação ao ano anterior. Apesar da melhora no acumulado, o mês de dezembro marcou o quarto recuo consecutivo na comparação mensal, refletindo a desaceleração das vendas no fim do ano.
Para 2026, a Abimaq projeta crescimento mais moderado, em torno de 4% na receita líquida e 3,5% na produção física, com destaque para o mercado interno. A expectativa é de expansão da demanda doméstica próxima de 5,6%, sustentada por projetos de infraestrutura já contratados, continuidade dos investimentos no agronegócio e necessidade de modernização do parque industrial.
Segundo a entidade, o principal desafio segue sendo o nível elevado da taxa Selic, que atingiu 15% a partir de junho de 2025, reduzindo o apetite por novos investimentos. Diante desse cenário, o setor busca alternativas de financiamento e políticas de estímulo à competitividade para preservar empregos qualificados e evitar maior dependência de máquinas importadas no médio e longo prazo.