Perícia aponta tiros em local onde corretora foi morta em Caldas Novas
Simulação com arma de fogo integra apuração sobre morte de Daiane Alves; síndico e filho seguem presos
A perícia realizada no local onde a corretora Daiane Alves Sousa, de 43 anos, foi morta, em Caldas Novas, incluiu a simulação de disparos de arma de fogo para auxiliar no esclarecimento da dinâmica do crime. A informação foi confirmada pelo delegado André Barbosa à TV Anhanguera. Segundo a Polícia Civil, o procedimento busca confrontar o depoimento do investigado com dados técnico-científicos coletados no local.
O síndico do prédio onde a corretora morava, Cléber Rosa de Oliveira, e o filho dele, Maykon Douglas de Oliveira, foram presos na quarta-feira (28). Cléber é suspeito de homicídio, enquanto Maykon responde por suspeita de obstrução de justiça. A perícia ainda não foi concluída e, conforme a polícia, não há confirmação oficial sobre a quantidade de disparos nem sobre a forma como a vítima foi morta.
“A ideia é verificar se o depoimento que ele deu é plausível por meio de comprovação através de perícias técnico-científicas. Esclarecer e tranquilizar a todos que serão feitos disparos de arma de fogo”, afirmou o delegado. Ele acrescentou que detalhes sobre a dinâmica do crime não seriam divulgados naquele momento. “A dinâmica do crime, e como tudo isso aconteceu, não vai ser trazido agora por esse comunicado”, disse.
Leia também: Meses antes de ser morta, corretora acionou a Justiça contra o filho do síndico em Caldas Novas
Prisões, audiência e posicionamento da defesa
Cléber e Maykon passaram por audiência de custódia na quinta-feira (31), quando a Justiça manteve as prisões. De acordo com o Ministério Público, durante a audiência ficou demonstrado que os mandados de prisão e de busca e apreensão foram cumpridos dentro da legalidade.
Na mesma data das prisões, o porteiro do prédio foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos. Segundo o delegado Pedromar Augusto de Souza, a investigação segue em andamento para apurar as circunstâncias do crime.
Em nota enviada ao g1, a defesa de Cléber e de Maykon informou que os fatos ainda estão sendo apurados e que o síndico tem interesse em colaborar com as autoridades. A defesa declarou ainda que não há envolvimento do filho na morte de Daiane.
Desaparecimento, corpo localizado e denúncias anteriores
Daiane Alves desapareceu no dia 17 de dezembro, após descer ao subsolo do prédio para tentar restabelecer a energia elétrica do próprio apartamento. Antes disso, ela gravou vídeos mostrando o imóvel sem energia e enviou o material a uma amiga, informando que iria religar o padrão.
A mãe da corretora, Nilze Alves, havia combinado de ir a Caldas Novas no dia seguinte, 18, para tratar de locações do período de Natal e da virada do ano. Ao chegar ao apartamento, não encontrou a filha. Nilze relatou que a porta havia sido deixada aberta, mas foi encontrada trancada. Um boletim de ocorrência foi registrado no mesmo dia.
Após mais de 40 dias desaparecida, Cléber Rosa de Oliveira confessou o crime à polícia. O corpo de Daiane foi localizado em estado de ossada em uma área de mata a cerca de 20 quilômetros de Caldas Novas.
Antes do desaparecimento, no dia 19 de janeiro, Cléber foi denunciado pelo Ministério Público pelo crime de perseguição reiterada, conhecido como stalking. A denúncia, assinada pelo promotor Christiano Menezes da Silva Caires, aponta que, entre fevereiro e novembro de 2025, o síndico teria praticado atos como ameaças, agressões verbais e monitoramento constante da corretora.
No mesmo dia, Daiane também foi denunciada pelo MP por invasão de domicílio, após entrar sem autorização na sala administrativa do síndico. A defesa da corretora contestou a acusação e afirmou que “a acusação apresentada pelo síndico é infundada e omite a realidade dos fatos”.