Queda na importação de fertilizantes chineses pode elevar custo da produção em Goiás
Venda de fertilizantes MAP e DAP pela China caiu 18% em 2025, o que intensifica a disputa internacional e eleva custos para produtores no agro brasileiro
De acordo com dados do relatório semanal da StoneX, empresa global de serviços financeiros, as exportações chinesas de fertilizantes fosfatados de alta concentração chegaram ao menor volume dos últimos anos. Em 2025, a China exportou 5,3 milhões de toneladas de Fosfato Monoamônico (MAP) e Fosfato Diamônico (DAP), 18% a menos que as quantidades de 2024 e a menor quantidade desde 2013.
Com a diminuição da oferta chinesa há uma maior disputa global pelos fosfatados, o que leva os países importadores a buscarem alternativas e diversificarem seus fornecedores. Esse cenário propicia uma manutenção dos preços, principalmente em momentos de maior demanda.
Atualmente os principais importadores dos fosfatados chineses são Bangladesh, Brasil, Etiópia, Vietnã e Tailândia, que devem sentir os impactos mais rapidamente. Porém, como são países exportadores, em sua maioria, outras nações que não dependem diretamente da China também serão afetados pela retração nas exportações dos fertilizantes.
Para a realidade brasileira, os fosfatados de alta concentração, como o MAP e o DAP, são muito utilizados em praticamente todas as culturas que hoje são feitas no território nacional, sendo muito utilizado em plantações de grãos (soja, milho, trigo e arroz), hortaliças e frutas. Por conta da sua importância, ao longo do último ano, os produtores sofreram com o planejamento das lavouras e com suas margens de lucro sendo pressionadas. Diante dessa situação, a demanda por alternativas de fosfatos de menor concentração, como superfosfato simples (SSP), teve um crescimento.
Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), as importações brasileiras de fosfatados provenientes da China corresponderam a 21% em 2025. Mesmo sendo um valor menor quando comparado a outros fornecedores, como a Rússia (44%) e Arábia Saudita (25%), ainda assim causa impactos para o agronegócio brasileiro, devido a importância global do país asiático. Ainda de acordo com o MDIC, outros fertilizantes chineses tiveram uma importação ainda menor, com cerca de 3% nos nitrogenados e menos de 1% nos potássicos.
De acordo com o analista de mercado do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), Vilmar Júnior, “a redução das exportações chinesas, especialmente dos fosfatados de alta concentração, observada ao longo de 2025, está diretamente associada a uma política interna da China de priorização do abastecimento do mercado doméstico, e não a um bloqueio comercial externo”. A priorização pelo mercado interno acontece tradicionalmente em períodos de maior demanda interna ou para recomposição de estoques.
As restrições devem continuar durante o primeiro semestre de 2026, pelo menos. Para o agronegócio goiano, o principal impacto está relacionado ao aumento dos custos e não a um possível desabastecimento.
Para o especialista, a menor oferta internacional registrada em 2025 não implica, necessariamente, em queda imediata de produtividade, mas pode gerar efeitos indiretos relevantes. Ele explica que o fósforo é um nutriente essencial para a fertilidade do solo, então em algumas regiões com solos ainda em construção de fertilidade pode haver um impacto maior.
No curto prazo, a solução do mercado é procurar novos fornecedores e outros tipos de fosfatados de menor concentração, não tendo efeitos tão drásticos sobre a produtividade. Porém, Júnior alerta para as consequências a médio prazo.
“No médio prazo, o ajuste passa por ganhos de eficiência agronômica e pelo fortalecimento da produção nacional, embora essa seja uma solução estrutural e de implementação gradual. Esse contexto, ao sustentar preços mais elevados dos insumos, pressiona as margens do produtor rural e pode, a depender das condições de oferta, câmbio e logística, refletir parcialmente nos preços finais dos alimentos.
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