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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
Manda Vê

Luccas & Rodrigo revisitam formação e virada profissional

Em conversa no Manda Vê, artistas relembram a formação da dupla e os primeiros passos

Luana Avelarpor Luana Avelar em 5 de fevereiro de 2026
luccas
Em conversa no podcast Manda Vê, Luccas & Rodrigo falaram sobre a formação da dupla e a consolidação do projeto autoral. Foto: Youtube

Na última quarta-feira (4), Luccas & Rodrigo estiveram no podcast Manda Vê, apresentado por Juan Allaesse, onde falaram abertamente sobre a própria trajetória. Ao longo da conversa, constituíram uma caminhada marcada por improviso, tentativas frustradas e decisões tomadas mais por necessidade do que por cálculo. O relato ajuda a entender uma carreira construída fora dos atalhos habituais do sertanejo universitário.

A história da dupla começa longe do mercado fonográfico e de qualquer planejamento estratégico. Antes da música, houve o futebol abandonado ainda jovem, a escolha por uma faculdade que não dialogava com o futuro artístico e empregos assumidos apenas para garantir sustento. Luccas, natural de Campina Verde (MG), mudou-se para Uberlândia para cursar engenharia mecânica, enquanto buscava alguma direção possível. A música, no entanto, atravessava esse percurso desde cedo, incentivada pelo pai, que mantinha uma orquestra de viola caipira. Aprender o instrumento foi condição para participar do grupo e abriu caminho para apresentações e, mais tarde, para o canto.

Rodrigo, nascido em Uberlândia, surgiu nesse cenário de maneira casual. Um convite improvisado para substituir um músico em um show aproximou os caminhos. Não havia dupla formada, nem projeto definido. Havia apenas composição, insistência e a tentativa de transformar o gosto pela música em algo viável.

Quando Rodrigo foi desligado do trabalho, o dinheiro da rescisão virou investimento. Computador, placa de áudio e microfone transformaram um quarto em estúdio. As primeiras composições surgiram ali, gravadas de forma caseira, sem ambição comercial. Vieram convites para grupos de pagode, parcerias que não avançaram e uma sequência de frustrações. Ainda assim, a composição manteve a parceria viva.

Sem recursos, decidiram apostar no que tinham. Gravaram um EP autoral de forma independente. Problemas técnicos fizeram com que quase todo o material se perdesse. De 13 músicas, restou apenas uma, suficiente para circular entre amigos, festas universitárias e bares de Uberlândia. A resposta não veio pela sofisticação, mas pela identificação. O público era próximo e reconhecia ali uma verdade.

Entre 2020 e 2021, Luccas & Rodrigo passaram a circular pelo Triângulo Mineiro, com shows em cidades como Patos de Minas e Monte Carmelo. Em um período em que poucos artistas locais conseguiam manter agenda fora da própria cidade, a dupla consolidou presença regional constante. A estrada funcionou como formação e filtro.

A convivência com outros artistas ajudou a ampliar a compreensão de carreira. Diego & Victor Hugo tornaram-se referências próximas, observáveis, capazes de mostrar como funcionava o bastidor profissional. O contato com produtores e a experiência como músico de apoio em shows de outros artistas reforçaram uma constatação central: cantar bem era apenas uma parte do trabalho.

A virada estrutural ocorreu com a entrada de Roger na gestão do projeto. O encontro aconteceu após um show difícil em Uberlândia, com pouco público e avaliação dura. Ainda assim, veio o convite para recomeçar. A mudança para Goiânia foi imediata. Luccas e Rodrigo venderam o que tinham, deixaram o apartamento simples onde viviam e iniciaram uma fase de preparação intensa, com aulas de canto, rotina de estúdio e reconstrução de imagem.

O primeiro grande resultado dessa etapa foi o DVD Serenata, gravado em Goiânia, em outubro de 2025. O projeto consolidou estética, discurso e posicionamento. “Este projeto trouxe muito da nossa identidade, ficou exatamente como sonhamos”, afirmou Rodrigo.

O ponto de inflexão veio com “Cara da Serenata”. Internamente, a música não despertava grande confiança. Externamente, encontrou público. A canção viralizou nas plataformas digitais, acumulou milhões de reproduções e levou a dupla a ultrapassar a marca de 1,5 milhão de ouvintes mensais no Spotify. O romantismo direto, aliado a uma sonoridade contemporânea, revelou uma identidade que fugia das fórmulas mais óbvias do gênero.

Musicalmente, a dupla nunca se prendeu a fórmulas rígidas. O sertanejo segue como base, mas dialoga com pagode, MPB, funk, pop e música urbana. Essa abertura se materializa no projeto Country Beats, que aposta em arranjos pouco usuais, como faixas sustentadas por batida eletrônica e banjo, sem abandonar a narrativa emocional.

Em janeiro de 2026, lançaram “Posição por Posição”, parceria com Rogerinho, sinalizando uma fase mais ousada. O próximo lançamento, “MPB (Mulher Popular Brasileira)”, previsto para 26 de fevereiro, marca a primeira composição assinada por Roger e simboliza a maturidade criativa do projeto.

Hoje, Luccas & Rodrigo seguem tratando a própria carreira como processo contínuo. Não prometem fórmulas nem vendem atalhos. Apostam na construção paciente de um repertório que carrega vivência, risco e identidade. O episódio completo está disponível no canal do podcast Manda Vê no YouTube.

Leia mais: Alice Lanes relata no Manda Vê anos iniciais na música

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