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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
Festa e cautela

Carnaval goiano deve ter impacto econômico mais contido com consumidor mais cauteloso

Pesquisa aponta que apenas 25% dos goianos pretendem gastar com produtos e serviços da folia, reflexo do endividamento e dos gastos do fim de ano

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 6 de fevereiro de 2026
Carnaval
Pesquisa aponta que apenas 25% dos goianos pretendem gastar com produtos e serviços da folia, reflexo do endividamento/Foto: Divulgação

O Carnaval de 2026 promete manter ruas cheias, blocos de rua em crescimento e intensa circulação de pessoas em Goiânia e em cidades do interior de Goiás. No entanto, por trás da imagem de celebração generalizada, o impacto econômico tende a ser mais restrito do que em anos anteriores. Isso porque apenas 25% dos consumidores pretendem gastar com produtos ou serviços específicos para o período, segundo levantamento divulgado pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Goiás (FCDL-GO).

O dado faz parte de uma pesquisa nacional realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), em parceria com o SPC Brasil e a Offerwise Pesquisas. Na prática, isso significa que pouco mais de 40 milhões de brasileiros devem movimentar algum valor durante o feriado, enquanto a maioria da população participará das festas sem realizar gastos adicionais relevantes. Para quem pretende consumir, o gasto médio estimado é de R$ 1.096.

Em Goiás, o Carnaval vem crescendo nos últimos anos, especialmente no formato de blocos de rua. Diferente de Estados onde os desfiles de escolas de samba concentram a festa, a folia goiana se fortaleceu por meio de eventos espalhados pela Capital e pelo interior. Concentrações organizadas, blocos independentes, festas gratuitas e eventos pagos mantêm a movimentação intensa, mesmo com um consumo mais moderado.

Entre os consumidores que afirmam que vão gastar, 88% pretendem participar de alguma festividade. As reuniões com amigos e familiares lideram as preferências, seguidas pelos blocos de rua e por festas em clubes e boates. A predominância de eventos gratuitos ou de baixo custo ajuda a explicar por que a participação popular não se transforma automaticamente em maior movimentação financeira para o comércio.

Carnaval com mai bebidas e menos fantasias

Os itens mais consumidos seguem concentrados em alimentos e bebidas, enquanto os serviços mais contratados envolvem bares, restaurantes, transporte por aplicativo e entretenimento. Fantasias e adereços aparecem com menor peso no orçamento dos foliões, mostrando que muitos preferem aproveitar a festa sem grandes compras específicas para a data.

Outro ponto relevante é a indecisão de parte dos consumidores. Quase metade das pessoas que pretendem gastar ainda não sabe quanto vai desembolsar no período. Esse comportamento indica que boa parte do consumo deve ocorrer de forma impulsiva, principalmente nos dias mais próximos do Carnaval, favorecendo setores ligados à conveniência e ao consumo imediato.

Para o comércio goiano, a expectativa é acompanhada com cautela. O presidente da FCDL-GO, Valdir Ribeiro, explica que o Carnaval tradicionalmente movimenta mais o setor de serviços do que o varejo.

“O comércio monitora a movimentação no Carnaval com cautela porque, historicamente, é uma data mais propensa a gastos com prestação de serviços, como turismo, alimentação, transporte e entretenimento. Mas segmentos específicos como artigos para festas, venda e aluguel de fantasias e produtos voltados para lazer também devem ser mais demandados pelo consumidor goiano nos próximos dias”, afirma.

Segundo ele, o cenário econômico influencia diretamente o comportamento mais contido da população. “O alto grau de endividamento das famílias, somado à inadimplência, que restringe o acesso a crédito, pode sim impactar na decisão do consumidor de adiar compras ou viagens no Carnaval para um segundo momento, quando o orçamento estiver mais equilibrado. Outras despesas típicas do início do ano, como impostos, matrículas e materiais escolares, também tendem a frear o consumo”, completa.

Esse contexto ajuda a explicar por que muitos goianos utilizaram o 13º salário no fim de 2025 para quitar dívidas acumuladas, em vez de direcionar os recursos para novas compras ou lazer. A reorganização financeira acabou se tornando prioridade para grande parte das famílias.

Apesar do impacto econômico mais restrito, o Carnaval segue como uma das principais manifestações culturais do País e continua crescendo em Goiás. Blocos organizados, festas de rua e grandes eventos mantêm a animação em alta e impulsionam setores como alimentação, transporte e entretenimento, ainda que com gastos mais controlados.

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