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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
mobilização

Fevereiro Roxo mobiliza Goiás no enfrentamento a doenças crônicas invisibilizadas em 2026

Campanha do Fevereiro roxo reforça a importância do diagnóstico precoce, do acolhimento e de políticas públicas

Anna Salgadopor Anna Salgado em 6 de fevereiro de 2026
fevereiro roxo
Foto: Freepik

O segundo mês do ano é marcado em todo o Brasil pela campanha Fevereiro Roxo, uma iniciativa fundamental voltada para a conscientização sobre condições de saúde que, embora muitas vezes consideradas “invisíveis” aos olhos da sociedade, impactam profundamente a rotina, o bem-estar e a qualidade de vida de milhões de brasileiros. 

Em Goiás, a mobilização do fevereiro roxo ganha ainda mais força por meio de ações integradas do governo do Estado, de unidades de saúde especializadas do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Assembleia Legislativa, que atuam de forma conjunta na promoção da informação, no diagnóstico precoce e no acolhimento aos pacientes. A campanha tem como foco três patologias crônicas principais: Alzheimer, lúpus e fibromialgia, doenças que exigem acompanhamento contínuo e políticas públicas voltadas à atenção integral à saúde.

Essas enfermidades compartilham desafios significativos, como a dificuldade de diagnóstico nas fases iniciais, a falta de informação da população em geral e o estigma social enfrentado pelos pacientes, que muitas vezes têm seus sintomas minimizados ou desacreditados. Além disso, são condições que demandam tratamento prolongado e acompanhamento por equipes multiprofissionais, envolvendo médicos, psicólogos, fisioterapeutas e assistentes sociais. 

De acordo com especialistas que atuam na rede estadual de saúde, a proposta do Fevereiro Roxo é justamente transformar um cenário marcado por dor, incertezas e invisibilidade em uma jornada pautada pelo acolhimento, pela escuta qualificada e pela promoção da qualidade de vida.

Entre as doenças destacadas pela campanha do fevereiro roxo, a fibromialgia se caracteriza como uma síndrome crônica marcada por dor persistente e generalizada, frequentemente associada a fadiga intensa, distúrbios do sono e alterações emocionais. Estima-se que a condição afete cerca de 3% da população brasileira, o que representa aproximadamente 6,4 milhões de pessoas. 

Em Goiás, o Hospital Estadual de Dermatologia Sanitária Colônia Santa Marta (HDS) se consolida como uma unidade de referência no atendimento estruturado a pacientes com fibromialgia, oferecendo acompanhamento especializado e reforçando a importância de um cuidado contínuo e humanizado durante o fevereiro roxo.

A doença possui uma prevalência feminina avassaladora, atingindo entre 70% a 90% dos casos diagnosticados, especialmente na faixa etária dos 30 aos 50 anos. Segundo José Audete Júnior, supervisor do serviço multiprofissional do HDS, essa predominância está ligada a fatores biológicos, hormonais e à sobrecarga emocional acumulada. 

 

“A mulher tende a apresentar uma maior sensibilização do sistema nervoso, o que potencializa a dor”, explica o supervisor, ressaltando que a ausência de exames laboratoriais específicos faz com que muitas pacientes busquem o diagnóstico por anos.

 

Para combater esse sofrimento, o HDS desenvolveu o grupo terapêutico ‘Mulheres de Fibra’, que se reúne semanalmente às quintas e sextas-feiras. O projeto oferece um espaço de escuta e construção de estratégias coletivas para lidar com a dor, integrando tratamento clínico e suporte psicológico. Para a paciente Márcia Filomena, o grupo foi um “divisor de águas”, permitindo que ela compreendesse que não está sozinha e que é possível conviver com a fibromialgia de forma mais leve através do acolhimento.

 

Reconhecer os sinais precocemente é decisivo

 

Outro eixo do Fevereiro Roxo é o alerta para a Doença de Alzheimer, principal causa de demência no mundo. Parte da campanha em Goiânia concentra esforços no reconhecimento precoce dos sinais da doença, que muitas vezes são confundidos com alterações naturais do envelhecimento. Estima-se que entre 1,2 milhão e 2 milhões de brasileiros convivam com o Alzheimer, com cerca de 100 mil novos diagnósticos registrados todos os anos.

A neurologista Lorena Bochenek explica durante o fevereiro roxo que, embora esquecimentos leves possam ocorrer com o avanço da idade, no Alzheimer o comprometimento da memória é frequente, progressivo e interfere diretamente na autonomia do paciente. Entre os principais sinais de alerta estão a dificuldade para reter informações recentes, como compromissos ou fatos atuais; a desorientação em locais familiares; alterações de humor e perda de interesse por atividades habituais; além da dificuldade para encontrar palavras e da desorganização na realização de tarefas simples.

Segundo a especialista, o diagnóstico precoce, feito a partir de avaliação clínica e exames de imagem, é fundamental para retardar a progressão dos sintomas que é reforçado durante o fevereiro roxo. Apesar de a doença não ter cura, o tratamento disponibilizado pelo SUS, aliado a hábitos saudáveis, como a prática regular de atividade física e a estimulação cognitiva, contribui para preservar a autonomia e a qualidade de vida do paciente por mais tempo.

fevereiro roxo
Foto: Tomaz Silva/ABr

Lúpus e os avanços legais para pacientes no Estado durante o fevereiro roxo

O lúpus é uma condição que afeta mais de 65 mil pessoas no País, predominantemente mulheres jovens entre 20 e 45 anos. Assim como a fibromialgia, é uma doença intermitente cujos sintomas podem não aparecer em exames simples, levando pacientes a ouvirem que seu mal-estar é apenas “estresse”.

 

O médico reumatologista Rodrigo Martins Carvalho destaca que o diagnóstico precoce no lúpus é decisivo para evitar lesões em órgãos vitais. Um avanço significativo mencionado por especialistas é a legislação que reconhece o lúpus e a fibromialgia como condições que podem enquadrar o paciente como Pessoa com Deficiência (PCD), desde que comprovadas limitações funcionais. Esse reconhecimento legal é visto como uma forma de validar o sofrimento do paciente, garantir direitos e combater o preconceito no ambiente de trabalho.

 

O fortalecimento das políticas de saúde em Goiás também passa pela Assembleia Legislativa (Alego) durante o fevereiro roxo. O deputado estadual Gustavo Sebba, que preside a Comissão de Saúde da Alego, tem exercido um papel central na articulação entre gestores e profissionais da área. Durante o mês de fevereiro, ele reforça a importância não apenas do Fevereiro Roxo, mas também do Fevereiro Laranja, voltado ao diagnóstico precoce da leucemia.

 

Para o deputado, conscientizar a população é uma forma de salvar vidas e garantir eficiência no SUS. “Quando levamos informação à população, fortalecemos a prevenção e garantimos mais qualidade de vida”, afirma Gustavo Sebba durante o fevereiro roxo, que tem direcionado emendas parlamentares para fortalecer o atendimento em diversos municípios goianos. A atuação da Comissão de Saúde busca transformar debates teóricos em resultados reais para os pacientes que dependem da rede pública.

 

As fontes convergem para um ponto comum: o tratamento dessas doenças crônicas vai muito além do uso de medicamentos. O acompanhamento eficaz requer a atuação conjunta de médicos, fisioterapeutas, psicólogos e outros profissionais. Essa abordagem holística permite que o paciente aprenda a respeitar seus limites físicos e emocionais sem culpa.

 

No cenário goiano, unidades como o HDS se destacam por oferecer esse cuidado estruturado e humanizado, contrastando com modelos de tratamento fragmentados que ainda persistem em muitos serviços de saúde. A integração de cuidados é o que devolve a funcionalidade ao indivíduo e reduz os afastamentos do trabalho.

 

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