Hábito de leitura perde espaço na rotina e afeta aprendizado
Dados mostram retração no número de leitores e indicam efeitos diretos na educação, na cidadania e no acesso à informação de qualidade
A retração do hábito de leitura no Brasil deixou de ser um fenômeno restrito ao campo cultural para se tornar um indicador relevante das fragilidades educacionais e sociais do país. Mais do que uma mudança de preferência individual, o afastamento dos livros reflete transformações na ocupação do tempo, na forma de acesso ao conhecimento e no papel que a leitura desempenha na formação crítica da população.
Dados recentes do Instituto Pró-Livro mostram que o país passou a ter maioria de não leitores. Apenas 47% dos brasileiros afirmaram ter lido ao menos parte de um livro nos três meses anteriores à pesquisa, percentual inferior ao registrado em 2007, quando 55% se declaravam leitores. A série histórica indica uma inflexão consistente e contínua no hábito de leitura, que perde centralidade mesmo em um contexto de maior circulação de informação.
A diminuição da leitura ocorre em paralelo à consolidação da internet como principal ocupação do tempo livre. A maior parte da população afirma dedicar esse período à navegação on-line e às redes sociais, enquanto a leitura de livros aparece como prática secundária. A expansão do ambiente digital, embora amplie o acesso a conteúdos diversos, não se converte automaticamente em aprofundamento intelectual.
Hábito de leitura recua mesmo entre os mais escolarizados

O enfraquecimento do hábito de leitura não se limita às camadas de menor renda ou escolaridade. Levantamentos indicam que, mesmo entre pessoas com ensino superior, a leitura ocupa um espaço reduzido no cotidiano. Menos da metade desse grupo afirma ler livros no tempo livre, o que evidencia que o problema ultrapassa a alfabetização formal e alcança a relação social com o livro.
Esse deslocamento tem reflexos diretos no ambiente educacional. Estudantes apresentam dificuldades crescentes para lidar com textos longos, argumentativos e abstratos, o que compromete o desempenho em diferentes áreas do conhecimento. A leitura, que sustenta a interpretação, a escrita e o raciocínio lógico, deixa de exercer plenamente sua função estruturante.
O avanço do analfabetismo funcional é uma das consequências desse processo. Embora grande parte da população seja capaz de decodificar palavras, muitos indivíduos relatam dificuldade de compreensão, concentração e permanência na leitura. O enfraquecimento do hábito de leitura limita o acesso à informação qualificada e reduz a capacidade de participação no debate público.
Mesmo com a redução da taxa de analfabetismo registrada pelo Censo de 2022, que apontou índice de 7%, o desafio permanece concentrado entre idosos e populações socialmente vulneráveis. Os dados indicam que alfabetizar não basta. É necessário criar condições para que o hábito de leitura se consolide ao longo da vida.
Tendência semelhante é observada em outros países. Pesquisas internacionais apontam queda da leitura por prazer nos Estados Unidos, especialmente entre grupos de menor renda e escolaridade, o que reforça o caráter estrutural do fenômeno.
Recolocar o livro no centro da vida social exige mais do que campanhas pontuais. Implica investimento em bibliotecas, políticas públicas contínuas e valorização da leitura como prática formadora. Em um país que lê pouco, o custo não é apenas educacional. É social e democrático.
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