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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
Plano

Goiânia tem 6.464 moradores em áreas de risco, aponta novo mapeamento técnico

Plano Municipal de Redução de Riscos identifica 120 setores com 1.616 imóveis em situação de vulnerabilidade

Micael Silvapor Micael Silva em 11 de fevereiro de 2026
áreas
Foto: SGB

Um novo mapeamento técnico divulgado nesta terça-feira (11) revela que aproximadamente 6.464 moradores de Goiânia vivem em situação de vulnerabilidade em áreas classificadas como de risco geológico e hidrológico. O levantamento identifica 120 setores espalhados pelo município, que concentram 1.616 imóveis em áreas sujeitas a processos como inundação, erosão e deslizamento. O estudo integra o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) e foi realizado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), em parceria com a Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades (SPN/MCID), com base em audiência pública.

Entre os mais de 6 mil moradores mapeados, 2.008 vivem em áreas classificadas como de grau médio de risco, 2.152 estão em áreas de alto risco e 2.304 em áreas de risco muito alto. Em relação às 120 áreas de risco geológico identificadas, 44 são de grau médio, 49 de alto e 27 de muito alto. Já entre os 1.616 imóveis, 576 estão em áreas de risco médio, 538 em alto e 576 em muito alto.

Inundação lidera número de pessoas atingidas

O estudo também estima o número de pessoas atingidas por tipo de processo. A inundação é o principal problema, afetando 4.072 moradores. Em seguida aparecem erosão (1.488), deslizamento (408), alagamento (164), enxurrada (164), voçoroca (164) e ravina (4).

Entre os bairros citados no levantamento estão Jardim Novo Mundo, Jardim América, Vila Romana, Setor Bueno, Campinas, Urias Magalhães, Perim, Conjunto Caiçara, Parque Amazônia e Setor Aeroporto, entre outros.

O documento explica que voçoroca são grandes crateras de erosão causadas pela água da chuva em solos desprotegidos. Já ravina, também chamada de barranco, é um acidente geográfico provocado pela erosão causada por córregos e enxurradas.

Ocupação irregular agrava riscos

Segundo o estudo, a hidrografia de Goiânia é composta por 85 cursos d’água, com destaque para o Rio Meia Ponte e seus afluentes. A ocupação desordenada sobre planícies de inundação, Áreas de Preservação Permanente (APPs), margens de rios e córregos, além da remoção da vegetação ciliar e da ausência de infraestrutura e drenagem adequada, contribui para a recorrência de eventos de inundação ao longo dos anos.

Como recomendações, o Plano Municipal de Redução de Riscos destaca o fortalecimento institucional da Defesa Civil Municipal, com equipe técnica permanente, além da implementação de planos de contingência, sistemas de alerta e evacuação e monitoramento contínuo das áreas críticas. O estudo também sugere intervenções estruturais para estabilizar todas as áreas de risco alto e muito alto mapeadas no município.

“Investir em prevenção é investir em desenvolvimento urbano seguro e sustentável. Cada área mapeada representa uma oportunidade de agir antes do desastre”, afirmou Luiz Belino, assessor técnico da SPN.

O secretário Nacional de Periferias do Ministério das Cidades, Guilherme Simões, ressaltou que “a prevenção de riscos não é uma questão de engenharia, é uma questão de justiça social. Por isso, a SNP viabilizou os recursos financeiros e as articulações necessárias para a elaboração deste PMRR”.

À equipe do SGB, Robledo Mendonça de Farias, da Defesa Civil Municipal, destacou a importância da participação popular no processo. “A audiência pública é um momento essencial para compartilhar informações, ouvir a sociedade e alinhar ações entre poder público e população. A prevenção só é efetiva quando construída de forma coletiva”, afirmou.

Graus de risco

De acordo com o estudo:

  • Muito alto: avançado estágio de desenvolvimento, com ocorrência muito provável de eventos destrutivos;

  • Alto: pleno desenvolvimento, com possibilidade concreta de eventos destrutivos;

  • Médio: reduzida possibilidade de ocorrência de eventos destrutivos, mas com potencial de evolução para cenários mais graves.

O documento define ainda que o risco de desastres resulta da interação entre o perigo e as características que tornam pessoas e locais expostos e vulneráveis. Assim, uma área de risco é aquela passível de sofrer perdas ou danos provocados por fenômenos naturais ou processos induzidos.

O Plano Municipal de Redução de Riscos é descrito como um documento estratégico voltado à prevenção e mitigação de riscos socioambientais associados a processos geológicos e hidrológicos. A metodologia incluiu análise bibliográfica, fotointerpretação, trabalhos de campo integrados com a Defesa Civil, além da delimitação e classificação das áreas de risco. Segundo o SGB, os critérios consideraram fatores naturais, como relevo e drenagem, e aspectos antrópicos, como padrão de ocupação urbana e infraestrutura existente.

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