Toffoli admite ser sócio de empresa que vendeu resort com cunhado de Vorcaro
Relator do caso Master afirma legalidade da empresa e rejeita vínculo com banqueiro alvo da Polícia Federal
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli divulgou, nesta quinta-feira (12), uma nota oficial na qual admite ser sócio da empresa Maridt, que integrou o grupo responsável pelo resort Tayayá, no Paraná, e nega manter qualquer relação pessoal ou financeira com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investigado pela Polícia Federal. Relator do caso no STF, Toffoli afirmou que sua participação societária é regular, que não exerce funções de gestão e que a situação é permitida pela Lei Orgânica da Magistratura.
No comunicado, o gabinete do ministro esclareceu que Toffoli integra o quadro societário da Maridt, empresa familiar estruturada como sociedade anônima de capital fechado, registrada na Junta Comercial e com declarações regulares à Receita Federal. Segundo a nota, a administração da empresa é conduzida por parentes, sem interferência direta do magistrado.
De acordo com o gabinete, a legislação permite que juízes sejam sócios e recebam dividendos, desde que não exerçam atos de gestão. A Lei Orgânica da Magistratura veda apenas a atuação administrativa em empresas privadas, o que, segundo Toffoli, não ocorreu em nenhum momento.
A manifestação foi divulgada um dia após o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, encaminhar ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, um relatório com dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro. O aparelho, apreendido durante a Operação Compliance Zero, continha menções ao nome de Toffoli no contexto das investigações sobre fraudes financeiras no Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro.
O documento afirma ainda que todas as declarações da Maridt e de seus acionistas foram regularmente aprovadas pelos órgãos competentes e que não há pendências fiscais ou societárias relacionadas à empresa.
Em relação ao resort Tayayá, localizado no município de Ribeirão Claro, no Paraná, a nota informa que a Maridt deixou o grupo controlador em fevereiro de 2025, após duas operações sucessivas. A primeira ocorreu em setembro de 2021, com a venda de cotas ao Fundo Arleen, administrado por uma empresa ligada ao Banco Master. A segunda foi concluída em fevereiro de 2025, com a alienação do restante das participações à PHB Holding.
Segundo o gabinete, todas as transações foram declaradas à Receita Federal e realizadas dentro dos valores de mercado, embora os montantes não tenham sido divulgados. Interlocutores afirmam que Toffoli recebeu dividendos enquanto a empresa ainda integrava o grupo responsável pelo empreendimento turístico.
O comunicado ressalta que a ação referente à tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) foi distribuída ao ministro em novembro de 2025, quando a Maridt já não fazia mais parte do grupo Tayayá Ribeirão Claro.
Toffoli também negou conhecer o gestor do Fundo Arleen e afirmou não manter qualquer vínculo pessoal com Daniel Vorcaro ou com Fabiano Zettel, cunhado do empresário, preso pela Polícia Federal em janeiro. Segundo o texto, o ministro “jamais recebeu qualquer valor” de ambos.
Após a divulgação das informações contidas no relatório da Polícia Federal, o gabinete já havia divulgado uma nota preliminar classificando como “ilações” as menções ao nome do ministro. Na ocasião, também rejeitou a possibilidade de suspeição no caso, o que poderia resultar em seu afastamento da relatoria.
Com a nova manifestação, Toffoli busca reforçar a legalidade de sua atuação e afastar suspeitas sobre eventual conflito de interesses na condução das investigações envolvendo o Banco Master.