Maioria dos brasileiros apoia fim da escala 6×1 e rejeita redução de salário
Levantamento nacional indica que apoio ao fim da escala 6×1 cai para 28% quando há possibilidade de diminuição de salário
Levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados aponta que 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, desde que não haja redução salarial. A pesquisa foi realizada entre os dias 30 de janeiro e 5 de fevereiro, nas 27 unidades da Federação, com 2.021 entrevistados acima de 16 anos.
Quando a hipótese envolve diminuição de salário, o apoio à mudança recua para 28%. Outros 40% afirmaram concordar com o fim da escala apenas se a medida não implicar perda de renda. Há ainda 5% que se declaram favoráveis ao encerramento da jornada 6×1, mas não têm posição definida sobre a manutenção ou não dos salários.
O levantamento indica que a remuneração é o principal ponto de divergência no debate. Enquanto parte do setor empresarial defende que eventual redução de jornada esteja vinculada à diminuição proporcional dos salários, trabalhadores tendem a rejeitar a mudança caso implique perda de renda.
A pesquisa também questionou se o trabalhador deveria ter pelo menos duas folgas obrigatórias por semana, sem considerar as alterações salariais. Nesse cenário, 84% responderam positivamente. O resultado reflete um desejo por mais tempo de descanso, mas que encontra limites quando confrontado com a necessidade de manter o rendimento mensal.
O advogado trabalhista Lucas Aguiar avalia que a nova regra abre a possibilidade de ampliação do período de folga e que, para atender a essa exigência, as empresas terão de reorganizar suas operações e adotar um planejamento mais estruturado. Segundo ele, o novo cenário pode exigir a contratação de funcionários ou o pagamento de horas extras para manter a produtividade e o atendimento. Nesse contexto, muitas empresas precisarão revisar as escalas e reorganizar o fluxo de trabalho para se adequar às novas exigências.
Aguiar ressalta que, caso a jornada seja alterada para 36 horas semanais, será necessária uma discussão ampla sobre a implementação das novas escalas entre empresários e sindicatos. Ele destaca que um dos pontos a serem definidos será se as folgas ocorrerão de forma alternada ou coincidirão com os fins de semana. Esses detalhes, deverão ser definidos após eventual aprovação da legislação. Em alguns setores, poderão ser estabelecidas regras específicas para assegurar que as atividades não sejam interrompidas.
A proposta está formalizada na PEC 148/2015, aprovada em 10 de dezembro do ano passado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O texto ainda precisa passar por duas votações no plenário do Senado e duas na Câmara dos Deputados, com apoio mínimo de 49 senadores e 308 deputados.
Caso seja aprovada, a mudança ocorrerá de forma gradual. No primeiro ano, permanecem as regras atuais. No segundo, o número de descansos semanais sobe de um para dois. A jornada máxima de 44 horas poderá cair para 40 horas a partir de 2027, com previsão de atingir 36 horas semanais a partir de 2031. A definição sobre a possibilidade de redução salarial para compensar o novo tempo de descanso ainda será deliberada pelo Congresso.
Na visão do especialista, o principal desafio da mudança é preservar os direitos dos trabalhadores sem comprometer a sustentabilidade das empresas. Para ele, a proposta pode alterar a dinâmica das relações de trabalho, com potencial de reduzir o estresse e acidentes laborais, além de contribuir para maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal. No entanto, reforça que a implementação precisa ocorrer de forma planejada, assegurando direitos já consolidados e, ao mesmo tempo, mantendo a produtividade e a viabilidade econômica das empresas.
O levantamento também aferiu a expectativa da população quanto à tramitação da proposta. Para 52% dos entrevistados, o texto será aprovado pelo Congresso Nacional, enquanto 35% acreditam que não. Outros 13% não souberam responder. Apenas 12% afirmaram conhecer bem o conteúdo da PEC.
Leia também:
Goiás transforma políticas educacionais em resultado e conquista Selo Ouro da alfabetização