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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Estratégia Empresarial

Leilões municipais impulsionam frota em Goiás

Empresário de Senador Canedo transforma ônibus desativados por prefeituras em base de expansão no transporte escolar, corporativo e turístico

Luana Avelarpor Luana Avelar em 16 de fevereiro de 2026
Leilões
Foto: arquivo pessoal

Em um setor no qual a renovação de frota costuma exigir investimentos milionários, o empresário Samuel Carvalho, de Senador Canedo, construiu 95% dos 38 veículos que mantém em operação a partir de leilões promovidos por prefeituras de diferentes estados. A estratégia, segundo ele, permitiu ampliar a atuação no transporte escolar, corporativo e turístico sem depender exclusivamente de ônibus novos, que podem alcançar R$ 700 mil por unidade.

A opção pelos leilões surgiu a partir da leitura de que muitos veículos retirados de circulação pelo poder público ainda mantêm estrutura viável. “Vi oportunidade onde muita gente via sucata. São veículos pouco rodados, com estrutura boa, mas que na maioria das vezes foram depenados para manter outros da própria frota da prefeitura rodando. Pra eles vira descarte. Pra mim vira ativo”, diz Samuel.

A conta ajuda a dimensionar o impacto da escolha. Uma frota com mais de 40 unidades adquiridas apenas no mercado de zero quilômetro poderia ultrapassar R$ 28 milhões. Nos leilões, afirma o empresário, a economia costuma variar entre 30% e 50% do valor de mercado, dependendo das condições do veículo e da regularidade documental.

Método nos leilões evita prejuízo

A aquisição ocorre “no estado em que se encontra”, o que transfere ao arrematante toda a responsabilidade sobre motor, chassi, sistema elétrico e documentação. Por isso, o processo é conduzido com análise técnica rigorosa. “Tem que ter método. Leilão não aceita emoção. Se comprar na empolgação, o prejuízo vem. Tem que ser frio, calculista, fazer conta de tudo: compra, peça, mão de obra, documentação e tempo parado. Se a conta não fecha no papel, não fecha depois”, afirma.

Antes de participar de qualquer disputa, ele prioriza a documentação e o preço. “Documentação e preço são fundamentais”, explica o empresário. Em seguida, examina o conjunto mecânico, o chassi e a viabilidade de recuperação. “Porque às vezes o veículo nem está ruim, só foi parado por detalhe e acabou virando doador de peça para outros”, comenta.

Segundo Samuel, nenhum dos ônibus adquiridos apresentou dano estrutural grave após a compra. “Na maioria das vezes o veículo para por coisas simples. Só que, parado, começam a tirar peça pra manter outros rodando aí pra prefeitura vira sucata… pra mim vira oportunidade. Mas tem que ler o edital”, acrescenta.

Nem todos os negócios foram bem-sucedidos. “Já cometi erro: comprei um micro de falência de uma empresa sem ler direito. Documentação atrasada, processo judicial. Ficou mais caro que comprar um rodando na rua. Experiência ensina. Hoje não compro sem ler cada linha”, afirma.

Ao transformar veículos desativados em ativos operacionais por meio dos leilões, a empresa reduz o custo inicial e amplia a margem para manutenção e expansão. Em um mercado de margens apertadas, a combinação entre cálculo e disciplina tornou os leilões parte central da estratégia de crescimento.

Leia mais: Empresário de Senador Canedo transforma rotina com ônibus de leilão em sucesso no TikTok
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