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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
ambiente doméstico

Pais influenciam consumo de álcool dos filhos

Estudo com 4.280 adolescentes mostra que vínculo e regras claras atenuam impacto do consumo parental e elevam índices de abstinência

Luana Avelarpor Luana Avelar em 17 de fevereiro de 2026
álcool
Foto: iStock

A presença de álcool no ambiente doméstico está associada a maior probabilidade de consumo entre adolescentes, segundo estudo brasileiro publicado na edição de março da revista científica Addictive Behaviors. A pesquisa analisou dados de 4.280 jovens e seus responsáveis e identificou que o padrão de uso de álcool e outras drogas pelos pais influencia diretamente o comportamento dos filhos. A transmissão, no entanto, não ocorre de forma automática: o modo como a autoridade é exercida dentro de casa pode alterar significativamente esse cenário.

Conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, o levantamento foi realizado entre 2023 e 2024 em quatro municípios paulistas com população entre 18 mil e 25 mil habitantes. A idade média dos adolescentes avaliados foi de 14,7 anos. Entre eles, 19,9% relataram consumo de álcool no último mês e 11,4% declararam episódios de ingestão excessiva episódica. Entre os responsáveis, 56,4% afirmaram ter ingerido bebida alcoólica no mesmo período, e 20,3% admitiram consumo abusivo.

A análise estatística demonstrou que, quando os pais consomem álcool, a probabilidade de os filhos também beberem chega a 24%. Nos casos em que os adultos utilizam múltiplas substâncias, o risco de os adolescentes aderirem a duas ou mais drogas alcança 28%. O ambiente doméstico, segundo os autores, funciona como espaço de normalização de comportamentos.

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Foto: iStock

Estilo parental pode reduzir impacto do álcool

O estudo avaliou quatro perfis de educação familiar. O modelo autoritativo, marcado por diálogo constante, presença ativa e regras claras, apresentou efeito protetor relevante mesmo em lares onde havia consumo de álcool. Já os estilos permissivo e negligente mostraram maior associação com vulnerabilidade. O padrão autoritário, baseado em controle rígido, revelou proteção parcial, sobretudo em relação a drogas ilícitas, mas com menor impacto sobre a bebida.

O dado mais expressivo surgiu entre responsáveis abstêmios. Quando pais não consumiam álcool nem outras drogas, 89% dos adolescentes também permaneciam abstêmios. Para os pesquisadores, o exemplo cotidiano exerce influência mais determinante do que recomendações formais.

Os resultados dialogam com levantamentos nacionais que indicam persistência do consumo precoce no país. A iniciação antes dos 18 anos está associada a maior risco de dependência, doenças crônicas e transtornos mentais na vida adulta.

A pesquisa empregou técnicas como Análise de Classe Latente e Análise de Transição Latente, permitindo identificar perfis de comportamento e estimar probabilidades de associação entre gerações. A conclusão sugere que políticas públicas voltadas à redução do consumo juvenil precisam incluir estratégias direcionadas aos responsáveis, reconhecendo que o álcool, dentro de casa, não é apenas hábito individual, mas elemento que molda padrões de comportamento ao longo das gerações.

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