Extensões de cabelo contêm substâncias ligadas a câncer
Estudo identifica compostos ligados a câncer e alerta para falta de transparência na indústria de beleza
Um levantamento conduzido pelo Silent Spring Institute e publicado na revista Environment & Health trouxe novas evidências sobre a presença de substâncias potencialmente tóxicas em extensões de cabelo comercializadas no varejo. A análise incluiu 43 produtos, feitos de fibras sintéticas e de cabelo humano, vendidos em lojas físicas e plataformas digitais.
Os pesquisadores identificaram mais de 900 assinaturas químicas e catalogaram 169 compostos distintos. Entre eles estavam retardantes de chama, ftalatos, pesticidas e organoestânicos. Parte dessas substâncias já é associada a desregulação hormonal, alterações no sistema imunológico e maior risco de câncer, segundo classificações de órgãos internacionais de saúde.
Em 36 amostras, 17 compostos apresentaram ligação com interferências endócrinas e risco aumentado de câncer de mama. Quase 10% dos produtos continham organoestânicos acima dos limites considerados seguros na União Europeia. De acordo com os autores, tratamentos químicos aplicados para conferir resistência ao fogo, impermeabilidade e ação antimicrobiana podem explicar parte dessa composição.
Como as extensões permanecem em contato direto com o couro cabeludo, há possibilidade de absorção cutânea. O aquecimento frequente com secadores e chapinhas também pode liberar partículas no ar, ampliando a exposição por inalação.
Extensões de cabelo e exposição desigual
O estudo destaca ainda que o uso de extensões de cabelo é mais frequente entre mulheres negras nos Estados Unidos, onde mais de 70% relataram utilizar o produto, contra menos de 10% entre outros grupos raciais. A diferença aponta para um impacto potencialmente concentrado, associado a padrões de consumo e oferta de mercado.
Os pesquisadores ressaltam que os resultados não significam que todas as extensões causem doenças, mas indicam lacunas regulatórias e necessidade de maior transparência. A ausência de rotulagem detalhada dificulta a avaliação de riscos e limita escolhas informadas por parte dos consumidores.
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