Brasil é 5º país onde mulheres mais temem violência
Levantamento internacional mostra que 56% das brasileiras temem agressão física
O Brasil ocupa a quinta posição entre os países onde mulheres mais temem agressão física, segundo pesquisa da Ipsos realizada em 30 nações. O estudo indica que 56% das brasileiras convivem com esse receio. O dado insere o país em um cenário global de violência de gênero persistente, atrás apenas de Indonésia, Itália, Turquia e Canadá.
A percepção dialoga com estatísticas nacionais. Quase metade das brasileiras, 47%, afirma já ter sofrido violência de gênero, enquanto entre homens o percentual é de 7%. Embora inferior aos 67% registrados em Espanha e França, o índice brasileiro revela a dimensão estrutural do problema.
O Mapa Nacional da Violência de Gênero, produzido pelo Observatório da Mulher Contra a Violência em parceria com o DataSenado, mostra que 48% das mulheres já vivenciaram episódios de violência doméstica ou familiar. Apenas 30% classificaram essas experiências como violência, o que aponta para naturalização de práticas abusivas e barreiras culturais ao reconhecimento do abuso.
Outro levantamento, “Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil”, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, estima que 21,4 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de agressão no último ano, o maior patamar da série histórica. A violência de gênero permanece como eixo central da vulnerabilidade feminina.
Violência de gênero e representação política
A pesquisa também examinou percepções sobre igualdade. No Brasil, 37% se definem como feministas, enquanto 52% consideram que os avanços já foram suficientes. Ao mesmo tempo, 66% afirmam que a sociedade funcionaria melhor com mais mulheres em cargos de liderança.
A realidade institucional, porém, é distinta. Mulheres representam 51,5% da população, mas ocupam 17,7% das cadeiras na Câmara e 16% no Senado. Nas eleições municipais de 2024, apenas 13,1% das prefeituras foram conquistadas por mulheres.
A distância entre maioria demográfica e presença nos espaços de decisão reforça o ambiente que sustenta a violência de gênero. O medo relatado por mais da metade das brasileiras não se limita ao risco imediato de agressão física, mas reflete um contexto de desigualdade, sub-representação e exposição contínua à violência.
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