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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Mudanças

Racha entre Tarcísio e Kassab embaralha planos nacionais do PSD

Estremecida no relacionamento entre governador e secretário em São Paulo pode influenciar estratégia presidencial da sigla 

Thiago Borgespor Thiago Borges em 18 de fevereiro de 2026
Racha entre Tarcísio e Kassab embaralha planos nacionais do PSD
Movimento de Kassab de filiar deputados estaduais do PSDB em São Paulo foi lido como uma ofensiva política | Foto: Celso Silva/Governo do Estado de SP

A relação entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o presidente do PSD, Gilberto Kassab, que é secretário de Governo e Relações Institucionais no Palácio dos Bandeirantes, atravessa um momento de desgaste que pode ir além das fronteiras paulistas. O movimento de Kassab de filiar deputados estaduais do PSDB em São Paulo e, assim, enfraquecer aliados diretos do governador, foi lido no Executivo do Estado como uma ofensiva política. 

O episódio reacendeu a disputa pela vaga de vice na chapa à reeleição de Tarcísio e abriu espaço para negociações do grupo político do governador com outras siglas, como MDB, PL e PP.

Para o cientista político Lehninger Mota, “o que mais dificultou a relação” foi uma declaração de Kassab de que Tarcísio não poderia manter uma relação de “submissão” à família Bolsonaro. Na avaliação do cientista, o governador foi levado a fazer um cálculo político direto de qual aliado era mais importante para si. 

“O que foi decisivo na sua campanha, na primeira vez que se elegeu governador de São Paulo, foi o bolsonarismo. O cálculo é claro. Se chegar a um ponto de ter que escolher e optar, ele vai optar pelo Bolsonaro e afastar o Kassab”, afirmou Mota em conversa com a reportagem do O HOJE.

O pano de fundo da tensão é a centralidade do bolsonarismo no projeto político de Tarcísio. Embora o PSD ofereça capilaridade municipal e trânsito no centro político, a base ideológica e eleitoral que sustentou a vitória do chefe do Executivo paulista no Estado está ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). 

Segundo Lehninger, essa sustentação pesa mais na balança do que as articulações de Kassab. “É mais seguro se manter fiel ao bolsonarismo e, consequentemente, ter o apoio da família para ser o candidato e chegar à sua reeleição”, disse.

Lehninger ressalta que Kassab, conhecido por ser um dos ‘mandachuvas’ do Centrão, teria esticado a corda ao tentar se colocar como peça indispensável no projeto de reeleição, acima da força eleitoral de Bolsonaro. O efeito, porém, pode ter sido o inverso, já que a tensão na relação entre as partes reduziu seu espaço de negociação e abriu margem para que Tarcísio abra conversas com outros partidos para compor a chapa majoritária, sobretudo pela vice, hoje ocupada pelo PSD. 

Leia mais: Entorno do DF fortalece apoio a Daniel diante da divisão entre PL e MDB em Goiás

Impactos do racha

Entretanto, os impactos de um racha entre Tarcísio e Kassab não se limitam a São Paulo. O PSD abriga três pré-candidatos à Presidência da República e se planeja para estar no centro das negociações que envolvem a disputa pelo Palácio do Planalto. Um afastamento em São Paulo pode acelerar um reposicionamento nacional do partido e sustentar a alternativa de uma candidatura própria da legenda para rivalizar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

Não é novidade que o partido abriga três governadores à direita que disputam entre si o respaldo da sigla para disputar o Planalto. Kassab já disse publicamente que a cúpula do PSD irá decidir entre Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior (PR) e Eduardo Leite (RS) para ser o nome do partido na disputa presidencial. 

Recentemente, em entrevista à Jovem Pan, o dirigente partidário afirmou que conversa com o senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e que uma aliança entre o PSD e o PL, no segundo turno, deve acontecer.

Cisão com o bolsonarismo?

Porém, um afastamento entre Tarcísio e Kassab, que prejudicaria o presidente do PSD em São Paulo, Estado que é seu principal interesse, pode levar, de tabela, para um distanciamento entre os pessedistas do bolsonarismo. Assim, a tese de uma candidatura do partido no primeiro turno ganha força. 

Além disso, caso o candidato do PSD não chegue ao segundo turno, a sigla pode optar pela neutralidade e liberar seus diretórios estaduais para tomar suas próprias decisões. 

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