Viradouro é campeã do Carnaval 2026 no Rio
Homenagem a Mestre Ciça marca desfile técnico e garante título à escola de Niterói
A Unidos do Viradouro construiu na Marquês de Sapucaí um desfile que aliou cálculo rigoroso e entrega emocional. Com o enredo “Pra cima, Ciça!”, a escola de Niterói conquistou o Carnaval 2026 e chegou ao quarto título no Grupo Especial, dois anos depois da última vitória.
Terceira a desfilar na última segunda-feira (16), a agremiação apresentou uma narrativa centrada em Moacyr da Silva Pinto, o Mestre Ciça, de 69 anos, comandante da bateria. A escolha de homenageá-lo em vida mobilizou componentes e público. Ao longo da avenida, ritmistas atravessaram o percurso às lágrimas, sustentando uma cadência precisa, sem quedas de rendimento.
Na apuração, a Viradouro gabaritou os nove quesitos e fechou com 270 pontos nas notas válidas. Um 9,9 em Fantasias e outro 9,9 em Samba-enredo foram descartados. A Beija-Flor de Nilópolis terminou com 269,9, diferença de um décimo. A Vila Isabel somou a mesma pontuação, mas ficou em terceiro no critério de desempate, Harmonia. Salgueiro, Imperatriz e Mangueira completaram o grupo que retorna no Sábado das Campeãs, dia 21. A Acadêmicos de Niterói, com 264,6, foi rebaixada à Série Ouro.

Viradoruo coloca Mestre Ciça no centro
A comissão de frente apresentou a infância de Moacyr, interpretado pelo menino Vitor Gabriel, cercado por figuras do universo do samba e visitado por um leão que remetia à Estácio de Sá, primeira escola por onde passou. Em meio ao corpo de baile, um dançarino retirou o paletó e revelou-se: era o próprio Ciça. Ao lado da versão mirim, atravessou a pista em referência aos tempos de passista.
O tripé central, moldado como um apito monumental, transformou-se nos arcos da Apoteose. Um elevador ergueu o mestre no encerramento do ato. Em seguida, simulou-se um mal-estar. Conduzido em cadeira de rodas para fora do Sambódromo, reapareceu minutos depois na garupa de uma motocicleta escoltada por batedores, retornando à concentração enquanto o desfile seguia.
Uma alegoria reuniu mestres de bateria de outras escolas e o casal Claudinho e Selminha. O carnavalesco Paulo Barros cruzou a avenida emocionado. O ápice visual ocorreu quando a bateria subiu em um carro alegórico, recriando a cena de 2007. À frente dos ritmistas, Ciça dividiu o comando com Juliana Paes, que retomou o posto de rainha após 18 anos.
O mestre destacou a dimensão inesperada da homenagem e a emoção compartilhada na avenida. “Foi um desfile que emocionou toda avenida. Nunca imaginei receber essa homenagem em vida, foi uma surpresa maravilhosa. Vamos festejar na quadra até amanhã de manhã”, disse.
O resultado confirmou a leitura feita ainda durante o desfile: a Viradouro apresentou uma escola segura, sustentada por uma bateria que conduziu o espetáculo e assegurou o campeonato.

Leia mais: Com diferença de apenas um décimo, Mocidade Alegre é campeã do Carnaval de São Paulo 2026