Ex-príncipe Andrew, irmão do Rei Charles, é preso no Reino Unido sob suspeita ligada ao caso Epstein
Detenção ocorre após divulgação de novos documentos que mencionam troca de e-mails e envio de relatórios confidenciais
O ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor, irmão mais novo do Rei Charles III, foi preso nesta quinta-feira (19) no Reino Unido sob suspeita de má conduta em cargo público. A informação foi divulgada pela BBC. A detenção acontece após a publicação de novos documentos relacionados ao financista norte-americano Jeffrey Epstein, morto na prisão em 2019.
Segundo as informações divulgadas, a polícia britânica investiga se Andrew compartilhou documentos comerciais confidenciais com Epstein enquanto ainda exercia funções oficiais. Um e-mail datado de 24 de dezembro de 2010 indica que ele teria encaminhado ao financista um “relatório confidencial” com oportunidades de investimento no Afeganistão.
Além disso, os arquivos apontam que, naquele mesmo ano, Andrew enviou a Epstein relatórios sobre viagens de trabalho realizadas à China, Singapura e Vietnã. Esses documentos fazem parte de um lote recente de milhões de arquivos tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Investigação envolve troca de documentos e viagens internacionais
A polícia regional de Windsor informou que está “examinando as informações” relacionadas a Andrew Mountbatten-Windsor, nome pelo qual passou a ser identificado após perder os títulos aristocráticos no fim de 2025. Na ocasião, ele deixou de ser tratado como “Sua Alteza Real” após a emissão de uma Carta Patente.
Em 2019, Andrew já havia se afastado da vida pública e renunciado às funções oficiais depois que vieram à tona acusações envolvendo sua relação com Epstein. Desde então, ele não desempenhava atividades institucionais.
Em abril deste ano, Andrew deixou o Royal Lodge, residência localizada na propriedade real em Windsor. De acordo com relatos publicados pela imprensa britânica na época, ele teria se mudado discretamente para uma casa de campo em Sandringham, propriedade do monarca em Norfolk.
Entre os documentos divulgados, aparecem e-mails privados, convites para jantar no Palácio de Buckingham e referências a encontros organizados por Epstein. Também constam registros que mencionam a possível oferta de apresentação de Andrew a uma mulher russa de 26 anos.
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Acusações anteriores voltam ao centro do caso
As investigações atuais se somam às acusações já conhecidas envolvendo o nome do ex-príncipe. A norte-americana Virginia Giuffre afirmou anteriormente que foi traficada por Epstein e instruída a manter relações sexuais com Andrew quando tinha 17 anos. Ela morreu em 2025.
Posteriormente, uma segunda mulher declarou, por meio de seu advogado, que foi enviada por Epstein à Inglaterra, em 2010, para manter relações com o filho da rainha Elizabeth II. Outro advogado norte-americano afirmou que uma cliente relatou ter sido forçada a manter relações com Epstein e Andrew durante uma festa na Flórida, em 2006.
Andrew sempre negou qualquer irregularidade relacionada a Epstein e declarou lamentar a amizade entre eles. Desde a divulgação dos novos documentos, ele não respondeu a pedidos de comentários.

Paralelamente, o Ministério Público britânico mantém contato com a polícia de Londres em uma investigação envolvendo Peter Mandelson, ex-embaixador britânico em Washington, suspeito de ter repassado documentos confidenciais a Epstein.
A polícia de Surrey informou na quarta-feira que tomou conhecimento de um relatório com trechos censurados que cita alegações de “tráfico de pessoas e agressões sexuais contra um menor” entre 1994 e 1996 na localidade de Virginia Water. Em comunicado, a corporação declarou: “Após revisarmos nossos sistemas com as informações limitadas de que dispomos, não encontramos evidências de que as acusações tenham sido denunciadas à polícia de Surrey”.
As autoridades britânicas não divulgaram detalhes sobre eventuais medidas judiciais futuras relacionadas à prisão de Andrew Mountbatten-Windsor.