Domínio em Matemática segue baixo no País; Goiás tem índice superior à média nacional
Com 27% de aprendizagem adequada na disciplina, Estado goiano supera média nacional de 21,4% e figura entre os três melhores índices do País
Os números mais recentes sobre aprendizagem em Matemática reforçam um cenário de preocupação no sistema educacional brasileiro. De acordo com o Índice de Inclusão Educacional (IIE–Matemática), divulgado em fevereiro de 2026, somente 21,4% dos estudantes que concluem a educação básica até os 18 anos atingem o nível considerado adequado na disciplina. O resultado representa uma queda de 4,1 pontos percentuais em relação a 2019, quando o índice havia alcançado 25,5%.
Na prática, isso significa que pouco mais de dois em cada dez jovens terminam o ensino médio com domínio mínimo da matéria. O patamar considerado adequado corresponde a 300 pontos na escala do Saeb, nível que permite resolver problemas cotidianos simples, como cálculos de porcentagem, leitura de gráficos e interpretação de dados básicos. Abaixo desse desempenho, os estudantes demonstram dificuldades em operações elementares e na compreensão de situações matemáticas aplicadas ao dia a dia.
Apesar do cenário nacional de retração, Goiás apresenta desempenho acima da média brasileira. Em 2023, o Estado registrou 27% de estudantes com aprendizagem adequada em Matemática, 5,6 pontos percentuais superior ao índice nacional. O resultado coloca Goiás entre os Estados com melhor desempenho, ao lado de Paraná (28,1%) e Espírito Santo (27,7%). Ainda assim, o dado revela que 73% dos alunos goianos concluem a etapa escolar sem o domínio mínimo esperado.
Impactos da pandemia e desigualdades regionais
Entre 2015 e 2019, o Brasil havia apresentado avanço gradual na aprendizagem em Matemática, saindo de 14,7% para 25,5%. No entanto, a partir da pandemia de Covid-19, os indicadores voltaram a cair. Em 2021, o índice ficou em 23% e, dois anos depois, atingiu os atuais 21,4%.
O ensino remoto emergencial, as dificuldades de acesso à internet e a ausência de acompanhamento pedagógico adequado ampliaram defasagens históricas, sobretudo entre estudantes da rede pública. Muitos alunos passaram meses sem aulas presenciais e enfrentaram limitações tecnológicas que comprometeram a consolidação de conteúdos fundamentais.
Mesmo Estados que lideravam o ranking antes da pandemia registraram queda acentuada. Goiás, por exemplo, recuou de 34,2% para 27%. São Paulo caiu de 35,2% para 24,7%, enquanto o Distrito Federal passou de 33,4% para 22,5%. O levantamento evidencia ainda profundas desigualdades regionais. Estados do Norte e Nordeste concentram os menores índices, como Amapá (8,2%), Pará (10%) e Maranhão (10,4%).
Além disso, apenas 15,5% dos jovens concluem o ensino médio na idade adequada com aprendizagem mínima simultânea em Matemática e Língua Portuguesa. O dado indica que a dificuldade não está isolada em uma disciplina, mas reflete desafios estruturais mais amplos no sistema educacional.
Métodos de ensino e base educacional influenciam desempenho
Especialistas apontam que o baixo rendimento não está relacionado apenas à complexidade dos conteúdos. A predominância de métodos tradicionais, centrados na memorização de fórmulas e repetição de exercícios, dificulta a compreensão prática e o desenvolvimento do raciocínio lógico. Quando o estudante não entende o significado do que aprende, tende a perder o interesse e a confiança na própria capacidade.
Outro fator determinante está na base educacional. A alfabetização matemática nos primeiros anos do ensino fundamental é considerada essencial para o avanço nas etapas seguintes. Dados recentes indicam que, em 2024, apenas 59,2% das crianças das redes públicas atingiram o nível esperado de alfabetização em leitura e matemática até o 2º ano. As lacunas acumuladas nesse período repercutem diretamente no ensino médio.
Questões socioeconômicas também influenciam o desempenho. Estudantes em situação de vulnerabilidade enfrentam maior dificuldade de acesso a reforço escolar, materiais de apoio e ambientes adequados de estudo. Infraestrutura escolar, formação continuada de professores, alimentação adequada e apoio familiar são variáveis que impactam o aprendizado.
Mesmo diante dos desafios, especialistas avaliam que o sistema educacional possui capacidade de recuperação. Políticas públicas focadas na recomposição das aprendizagens, investimentos na formação docente e metodologias que conectem a matemática ao cotidiano dos estudantes são apontados como caminhos possíveis.
Em Goiás, o desempenho superior à média nacional demonstra que ações estruturadas podem produzir resultados mais consistentes. No entanto, ampliar o acesso à aprendizagem de qualidade permanece como prioridade para garantir que um número maior de jovens concluam a educação básica com domínio real da Matemática e melhores perspectivas acadêmicas e profissionais.